Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Leviatã

Leviatã. Falas Grossas, Corrupção, Violência E Muita Vodca.
A Rússia nos brinda com um bom filme, sobre o contexto atual do país. “Leviatã” concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro esse ano e ganhou outros prêmios. Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, Asia Pacific Screen Awards (melhor filme), melhor roteiro em Cannes, melhor filme Internacional no Festival de Munique, dentre outros.
Temos aqui a história de Kolya (interpretado por Aleksei Serebryakov), um pai de família que é mecânico, vive na região marítima do Ártico e tem uma casa numa área cobiçada pelo prefeito da cidadezinha local, Valim (interpretado por Roman Madyanov), safado, corrupto e violento toda a vida. Kolya e Valim têm uma longa disputa judicial pelo terreno e, para a defesa do mecânico, um antigo amigo dele, Dima (interpretado por Vladimir Vdovichenkov) vem de Moscou, pois é um advogado experiente. Dima sabe que vai perder o processo nas instâncias judiciais e tem um dossiê contra Vadim que suja, e muito, a reputação do prefeito. Dima consegue um acordo com o prefeito, onde Kolya sai do terreno e recebe uma indenização de 3,5 milhões de rublos. Mas a história descambaria para outro lado, com fortes conteúdos passionais, que vão influenciar o desfecho desse imbróglio.
É um filme muito caro a nós, brasileiros, cansados de tanta corrupção e injustiça. A Rússia pós-comunismo se assemelha muito a um Brasil de sempre. Mar de lama, corrupção, violência, injustiça, mais forte esmagando o mais fraco. Um filme previsível. Desde o início, sabemos que não haverá um final feliz, a menos que a coisa descambe para o insólito. Mas, em alguns filmes como esse, que contém uma intenção de denunciar as agruras de uma sociedade ou de um povo, sentimos que o negócio é mostrar uma realidade nua e crua e jamais um escapismo incoerente com o que vemos no cotidiano. Mas há uma diferença entre a realidade russa e a brasileira. Primeiro, uma dureza muito grande do russo, com sua fala grossa e agressiva para nossos padrões latinos. A impressão que se dá é que todo mundo é emburrado e mal-humorado o tempo todo. Com o tempo, a gente começa a perceber que eles também riem, ou seja, tem algo humano dentro de um povo que aparenta ser tão carrancudo. Outra diferença está nos costumes que o frio excessivo da região traz. Muita gente fumando desbragadamente, e vodca para todo lado, até não poder mais. A galera bebe, e muito! Seja na felicidade, seja na depressão.
A história também mostra uma crítica ácida à política russa, vista principalmente na corrupção, descompostura e violência do prefeitinho local, que se achava um czar, sob os olhos complacentes e semblante calmo (que ironia refinada!) da foto de Vladmir Putin no gabinete do prefeito. O piquenique dos amigos de Kolya também é emblemático, onde fotos de antigos líderes comunistas como Brejnev, Lênin e Gorbachov eram usadas como alvo para as atividades de tiro dos que estavam na recreação. O nome de Yeltsin também foi ventilado e, quando perguntou-se se líderes mais recentes estavam disponíveis para serem alvejados, um deles disse: “ainda não está na hora deles receberem os tiros. Sabe como é, né? Tem que deixar a história passar, seguir o seu rumo”. Muito curiosa essa afirmação, que mostra o descrédito total dos russos para com os seus governantes que, cedo ou tarde, vão servir de alvo para tiros. Ou seja, definitivamente, nenhum político presta, seja ele socialista ou capitalista. Somente uma certeza: todos são extremamente autoritários. A presença da religião na cultura russa também é questionada, seja nas ligações de um padre ortodoxo com os mais ricos e o prefeito, seja no questionamento à justiça divina que Kolya faz com um padre ligado às camadas mais baixas.
Dessa forma, “Leviatã” é um filme fundamental, pois busca mostrar que o sistema capitalista em nada melhorou a Rússia, até a piorou. Mas que, ao mesmo tempo, não tem qualquer saudade do passado socialista. Um filme pessimista sobre o futuro russo, um filme sem qualquer perspectiva de dias melhores, enquanto o país não combater um autoritarismo e uma corrupção excessivas. Lembra tanto aqui, né?


Cartaz do filme


Kolya. Lutando pelo seu lar e contra as injustiças.


Prefeito Valim. Truculência e corrupção


Roma, filho de Kolya. Sofrimento com a situação do pai


Dima vai ajudar Kolya a lutar por justiça.




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