Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

domingo, 22 de junho de 2014

Resenha de Filme - A Culpa É Das Estrelas

 A Culpa É Das Estrelas. Filme Bonitinho E Ordinário.
O filme “A Culpa É Das Estrelas” começa de forma um tanto inusitada. A protagonista Hazel (interpretada por Shailene Woodley, a mesma protagonista de “Divergente”) fala justamente dos clichês do tipo de filme de que faz parte (um casal de adolescentes com uma grave doença – geralmente câncer – que encontra o amor e luta contra todas as adversidades encontrando um final feliz). Ela diz que a sua história não será bem assim, pois a realidade é bem diferente. E esperamos, então, uma história que fuja dos clichês.
Bom, não foi exatamente o que aconteceu. A historinha de Hazel ainda reproduziu muitos clichês. Uma adolescente desacreditada com a vida, que se preocupava mais em agradar aos pais, que muito haviam sofrido por causa de seu tratamento, adolescente essa já acostumada com a vida de provações impostas pela doença, aguardando somente a morte e sem esperanças. Um adolescente, Gus (interpretado por Ansel Elgort), que passou pela doença e conseguiu aparentemente se curar dela, mesmo que tenha perdido parte da perna, e que é cheio de vida e otimista, transformando Hazel positivamente. Os dois irão fazer uma viagem a Amsterdã, ao encontro de um escritor cujo livro mexeu com a vida de Hazel, já que falava de uma menina em condições muito semelhantes à dela (por sinal, era a filha do escritor, que acabou morrendo de câncer). Esse escritor, Van Houten (interpretado pelo competentíssimo Willem Dafoe) revela-se uma pessoa amargurada e agressiva, decepcionando o jovem casal e, principalmente Hazel, que queria saber o que havia acontecido com os entes queridos da protagonista do livro após a sua morte. O medo de Hazel de fazer Gus sofrer com sua morte e não querer levar o namoro adiante é mais uma fórmula já vista em outros carnavais. Mas eles tomarão coragem em levar o relacionamento adiante após a visita a Casa de Anne Frank, cujas citações da menina eram ditas em alto-falantes, onde ela passava a lição de que não importam as adversidades, o mais importante era ter olhos para as coisas boas da vida. O esperado primeiro beijo é dado dentro do museu da menina sob os aplausos dos visitantes. Já vi coisas semelhantes...
Outro clichê clássico. Hazel tinha a saúde mais debilitada, mas será o seu namorado Gus que irá ter uma violenta recaída e morrerá primeiro. Ele organizará um pré-funeral, onde o futuro morto escuta o discurso de seu amigo mais próximo e de sua amada. Por fim, a morte, sempre dolorosa, com direito à presença do escritor amargurado, que traz uma carta do morto onde estava um discurso que seria feito por Gus caso Hazel morresse primeiro.
Algumas dessas características do filme já foram vistas em outras histórias com temática semelhante no passado, outras nem tanto. Mas a gente sai da sala de cinema com a mesma impressão de quando entrou: a de que “A Culpa É Das Estrelas” é mais uma história extraída de um best seller que tem a intenção de ser uma espécie de “água com açúcar” de um casalzinho adolescente malogrado pelo câncer, que curte a vida enquanto pode e que provoca as lágrimas já choradas em outros filmes quando a morte vem. Nada mais do que isso. Um filme que não acrescenta qualquer coisa a esse gênero. De destaque mesmo, podemos falar da boa presença de Laura Dern como a mãe de Hazel que, apesar da idade, ainda mantém a cara de menininha loura, e a boa atuação de Willem Dafoe como o escritor Van Houten, um verdadeiro alter ego de J. D. Salinger no que toca ao seu espírito recluso. Ou então, a boa ideia de Gus de manter um cigarro apagado na boca, uma metáfora: você tem o que te mata bem em sua boca, mas não deixa aquilo te matar. No mais, é uma história para os adolescentes de hoje conhecerem esse gênero trágico de um casalzinho que é separado pelo câncer, algo um tanto já explorado em outras épocas.


Cartaz do Filme.


Hazel e Gus.


Em Amsterdã


Solidariedade na doença.


Cigarro. Ter na boca aquilo que te mata, mas não deixar isso te matar.


Laura Dern, uma mãe protetora e angustiada.


Willem Dafoe como o escritor Van Houten.

sábado, 21 de junho de 2014

Anakin Skywalker: Vilão ou Vítima? (Parte 2)

Anakin Skywalker. Vilão Ou Vítima? (Parte 2)
Qual seria o grande mérito de “Guerra nas Estrelas”? O maniqueísmo clássico bem X mal protagoniza um conflito violento justamente dentro do personagem mais maligno da saga. Anakin Skywalker, como todo mundo sabe, teve uma infância difícil, sendo escravo num povoado paupérrimo de um planeta desértico com dois sóis (quantos Anakins encontramos nos morros cobertos de barracos à nossa volta?). Ao ser amparado por dois cavaleiros jedis, foi visto com repúdio pelo Conselho dos nobres cavaleiros, como se ele tivesse uma essência ruim congênita. Mas, como diria o iluminista Rousseau, o homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe. Ou, trocando em miúdos, o homem é produto do meio em que vive. Qui-gon Jim e Obi-Wan Kenobi investiram no jovem Anakin, mesmo a contragosto dos jedis. Logo, a visão iluminista se concretizaria. A infância difícil em Tatooine tornou Anakin um rapaz altamente impetuoso e destemido, que nem sempre Obi-Wan conseguia segurar. Logo ele descobriria o amor ao conhecer Padmé. E com ela Anakin teve o único momento idílico em sua vida, sempre permeada por muito treinamento, disciplina e batalhas violentas. Houve um grande trauma, que foi a morte da mãe e a reação violentíssima contra os algozes, numa fúria impetuosa. Depois, o arrependimento nos braços da amada ao lembrar que massacrou crianças e inocentes. Definitivamente, não foi uma juventude fácil.
Mas o divisor de águas na vida de Anakin viria no episódio três. E aí entra a grande questão. O que o impeliu a escolher o caminho do mal? O medo, um sentimento que todos nós temos e escondemos em nosso íntimo. Todo mundo tem medo de alguma coisa. Quem fala que não tem medo de nada está mentindo. E qual foi o grande medo de Anakin? De perder seu ente mais querido, Padmé. Mestre Yoda lhe dizia que o medo traz raiva e ódio, que ele, Anakin, devia se despir do medo, como se houvesse um outro mundo onde sua querida Padmé poderia estar caso ela morresse. Entretanto, como um jovem que havia passado tantas dificuldades na vida e sofrido um trauma tão violento como a morte da mãe poderia se resignar com a perda da única pessoa que o amava? A severa disciplina jedi não foi tão eficiente em lidar com os problemas psicológicos tão profundos de Anakin e ele acabou se tornando totalmente manipulável nas mãos do senador Palpatine (esse sim, um personagem clássico do mal) para a sua conversão para o lado escuro.
Filmes de mocinhos totalmente bons e bandidos totalmente maus com o tempo se tornaram cansativos e incoerentes, embora até hoje a fórmula se repita na indústria cinematográfica americana. Por isso, quando o personagem se torna complexo, com o mal e o bem em fusão e conflito, há uma atração maior por parte do público, pois é apresentado algo diferente dessa dicotomia bem X mal tão bem definida e clássica. Exemplos disso não faltam. Lembro-me do Rick, interpretado por Humphrey Bogart, em “Casablanca”, um mocinho com atraente canalhice e cinismo, e os personagens HQ Batman e Venom, que são classificados por alguns fãs (dentre eles meu amigo e consultor de HQ, Roberto) de vigilantes, ou seja, justiceiros violentos que espreitam os malfeitores pelas ruas. Darth Vader seria um exemplo desse personagem complexo onde bem e mal estão em conflito. Ou seja, Anakin Skywalker é, acima de tudo, um personagem humano, com virtudes e defeitos, amores e fraquezas, coragens e medos. Um personagem que, na segunda trilogia (episódios um, dois e três), se aproxima mais de seus espectadores, humanos como ele, com seus sonhos, com suas virtudes, com seus defeitos, com seus temores. Nunca me esqueço das palavras de meu irmão Cláudio, sobre o episódio três: “quando a gente fica sabendo da história de Anakin dá até pena, né?”. Pena definitivamente não é um sentimento bom. É um sinal do fracasso do indivíduo. Mas também uma comoção e solidariedade com o sofrimento alheio.
Vocês podem até me criticar e dizer que, mesmo com todos os problemas, Anakin ainda poderia ter escolhido o lado bom da força, pois pessoas que tiveram uma vida de sofrimento conseguiram dar a volta por cima. Mas também quanta gente por aí não enveredou também para o “dark side” por ser mal amada, por ser tripudiada, por ser desrespeitada? Essas pessoas são as únicas culpadas por seus atos? Na minha modesta  opinião, não... Charlie Chaplin já dizia em seu discurso de “O Grande Ditador”: “Só quem não é amado que tem a capacidade de odiar”.

Pelo menos no mundo da fantasia de “Guerra nas Estrelas”, Anakin teve um fim reconfortante. A cópia de “Retorno de Jedi” restaurada, com a imagem ectoplásmica de Anakin jovem ao lado de um Yoda e um Obi-Wan envelhecidos pode parecer incoerente. Mas também é libertadora, pois vimos todo o sofrimento nas costas do Anakin jovem nos três primeiros episódios. Assim, nada mais justo do que o jovem Anakin desfrutar de dias melhores em sua outra vida num plano mais etéreo. Só a lamentar todo o mal provocado por ele, consequência de males também sofridos por Anakin...

Um jovem Anakin, ainda sem as marcas da crueza da vida...


Rejeitado pelos Jedis, Anakin encontrou amparo em Qui-gon Jim


E Obi Wan Kenobi.


Perda da mãe...


Um violento trauma.


O medo de perder Padmé...


O empurrou para as mãos do senador Palpatine.


Momento mais dramático do episódio 3. Anakin chora após optar pelo mal e sujar suas mãos com sangue. Conflito evidente.


Corpo queimado...


Libertação somente com a morte.


Ectoplásmico com Yoda e Obi-Wan envelhecidos. Redenção.


Na imagem original, um Anakin mais envelhecido. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Anakin Skywalker: Vilão ou Vítima ? (Parte 1)

Anakin Skywalker. Vilão Ou Vítima? (Parte 1)
Nas minhas andanças por eventos organizados pelo Conselho Jedi e o Abacaxi Voador, um detalhe me chamou muito a atenção. Quando o assunto é “Guerra Nas Estrelas” (Star Wars é coisa para os mais novos), impressiona muito a quantidade de camisas e imagens referentes a Darth Vader. Aquela carinha preta, cheia de grades no lugar da boca e sem qualquer expressão facial, totalmente fria, exerce um profundo fascínio nos fãs do filme e foi além, se tornou um verdadeiro ícone cultural. Mas Darth Vader é a encarnação do mal, o cara é ruim toda a vida. Mata seus subordinados com a força do pensamento, persegue impiedosamente um grupo de insurgentes, quer levar o seu próprio filho para as forças do mal estimulando seu ódio. Tais atitudes são consideradas repugnantes para a esmagadora maioria das pessoas em várias sociedades e culturas diferentes. Mesmo assim, sua imagem é exaltada em convenções, filmes, mídias em geral. O que aconteceu? A grande maioria das pessoas pirou? Por que tanta exaltação a uma figura tão venal? Por que Luke Skywalker, Han Solo ou a Princesa Léia, que são os mocinhos, ficam numa posição tão secundária?
Uma das hipóteses principais que busca explicar a fascinação humana pelos vilões é que eles são os transgressores, não respeitam a lei, não estão nem aí para os valores morais de uma sociedade, ou seja, são totalmente avessos a regras, como se isso significasse uma espécie de liberdade. Nós, os pobres mortais, submetidos às leis e convenções da sociedade, muitas vezes somos obrigados a engolir sapos no nosso dia-a-dia e, ao entrar numa sala de cinema para ver um filme, presenciar o vilão chutando o pau da barraca seria uma espécie de catarse. Nos projetamos para aquele indivíduo mau que não tem freios nem limites e aliviamos nossas frustrações provocadas por situações cotidianas mal resolvidas, pois a lei nos impõe um freio. O que quero dizer aqui? Que devemos pegar uma arma e resolver tudo à nossa maneira? Claro que não! Quando as pessoas vivem juntas, ninguém pode fazer o que bem entender, pois caso isso aconteça, tudo vira uma bagunça e todos saem prejudicados. Mas também é fato de que, às vezes as leis não respeitam a vontade da maioria dos cidadãos e até privilegiam uma minoria em detrimento de uma maioria. Daí um vilão e seus maus atos tornarem-se uma catarse para o indivíduo.

Mas, e o nosso Darth Vader? A hipótese acima é suficiente para entender toda exaltação ao mais fiel discípulo do Imperador? Se considerarmos a primeira trilogia (os episódios quatro, cinco e seis) talvez sim, pois o lado humano do personagem só foi brevemente pincelado a segunda metade de “Retorno de Jedi”. Entretanto, a segunda trilogia (os episódios um, dois e três, que nem todo mundo gosta) teve o grande mérito de construir o personagem Anakin Skywalker. E aí, a discussão se torna muito mais complexa. Dessa forma, a saga que aconteceu há muito tempo numa galáxia muito distante deixa de ser uma espécie de conto de fadas espacial e atinge questões muito mais profundas, tornando-se um produto cultural altamente reflexivo. Mas essa discussão precisa ser feita numa segunda parte deste artigo. Até lá!

Um dos ícones mais amados de todos os tempos.


Sufocos à distância...


Mais mau que o pica-pau.


Em guerra contra o próprio filho. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Resenha de Filme - Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida

Jornada Nas Estrelas. Radiografando Um Longa: A Terra Desconhecida.
O filme “Jornada nas Estrelas 6, A Terra Desconhecida” seria o último longa metragem da tripulação da série clássica, não fosse “Generations”, onde Kirk, Checov e Scott ainda dão o ar de sua graça, com a desnecessária morte de Kirk. Entretanto, o sexto filme da primeira tripulação da Enterprise deu um final digno àquela equipe, além de mostrar-se uma obra antenada com o seu tempo e os objetivos iniciais da série lá nos anos 1960. Vamos radiografar esse filme agora.
Só para recordarmos, Sulu é o capitão da Excelsior, uma nave que ele ficou admirando no terceiro e quarto filmes. Ficou a impressão que ele mexeu os pauzinhos certos para pegar a nave. Numa missão, ele testemunhará a explosão de Práxis, a lua klingon que é a principal fonte de energia do Império alienígena. Ao saber disso, Spock toma as rédeas das negociações de paz com os klingons e convence seus superiores a trazer para a Terra o chanceler Gorkon para as conversações. Obviamente, a Enterprise foi escolhida, pois segundo a frota espacial, os klingons não se atreveriam a gracinhas com Kirk por perto, para desespero do capitão. Contrariado com a situação, Kirk parte com a Enterprise para receber Gorkon. Mas o chanceler é assassinado depois de a Enterprise supostamente ter atirado no cruzador klingon, ter desligado a gravidade artificial e dois supostos membros da Federação terem se teletransportado para o cruzador, matando vários klingons a tiros de phaser, assim como o chanceler. Sob a mira dos torpedos fotônicos klingons, Kirk anuncia a rendição e se teletransporta junto com o médico McCoy para o cruzador para oferecer assistência. Mas os dois acabam presos. O que se sucede é uma história onde a paz está ameaçada por uma conspiração envolvendo membros da federação trabalhando juntamente com klingons para manter o estado de beligerância e nossos heróis tentando resolver esse problema para trazer a paz.
O que torna esse filme especial? Em primeiro lugar, a série clássica foi forjada dentro do contexto da guerra fria, onde todos os conflitos entre as nações haviam sido expelidos para o espaço. A noção de fronteira sempre foi um paradigma entre os americanos, segundo Frederick Jackson Turner, onde o povo saiu das treze colônias inglesas da América do Norte rumo ao oeste, expandindo as fronteiras americanas e indo além do Pacífico, pegando o Havaí, mas quebrando a cara no Vietnã. Não é à toa que o espaço é a fronteira final. Como no século 23 todos os conflitos terrestres tinham sido abolidos, os inimigos agora são alienígenas como klingons e romulanos, alegorias da ameaça comunista da década de 1960. Mas em 1991, cai o Império soviético. Era necessário, então, um longa metragem com esse desfecho, sendo uma representação do fim da guerra fria. Nada mais claro nisso do que a conversa entre Kirk e Spock depois da reunião no QG da frota. Kirk, enfurecido, pergunta por que Spock o colocou naquela rabuda de escoltar os klingons, ao que Spock respondeu: “Há um antigo provérbio vulcano: somente Nixon poderia ir à China”. Emblemático.
Outra característica marcante do filme foi a necessidade de se explicar a presença de um klingon na ponte da Enterprise D (nosso estimado Worf, da “Nova Geração”). A nova série de TV, iniciada em 1987, exigia que em algum momento, a paz com os klingons fosse exibida. O fim da Guerra Fria foi o contexto ideal. Uma curiosidade a respeito é que o ator que interpreta Worf na “Nova Geração” também interpreta o advogado de defesa klingon na magnífica cena do julgamento de Kirk e McCoy (reza a lenda que o advogado seria o avô de Worf). Ainda no universo klingon do filme, temos a presença do consagrado ator Christopher Plummer, o pai ranzinza de “A Noviça Rebelde” (confesso que quando revi “A Noviça Rebelde” depois de “A Terra Desconhecida”, a primeira imagem de Plummer no filme me trouxe um “Kaplá!”, a saudação klingon, à cabeça). Gosto muito de ver atores consagrados trabalhando em franquias, acho que isso leva mais credibilidade a elas. A única exigência de Plummer foi que seu personagem Chang não tivesse longas cabeleiras. Mas até as cristas na testa ele aceitou. Genial! Outro detalhe notável foi associar os klingons a Shakespeare. Tudo a ver! Amantes da violência explícita! Por isso que se deve ler Shakespeare no original, ou seja, em klingon!
Mais um detalhe interessante: a relação entre Spock e a vulcana Valeris, que ele considerava ser sua herdeira. Nosso primeiro oficial tem uma afeição praticamente filial pela novata e sua decepção fica muito clara quando descobre que ela faz parte da conspiração e precisa fazer o elo mental nela para descobrir os membros da conspiração. Nota-se que, ao contrário do que ocorria na série clássica, ele não tem o menor pudor de esconder as emoções. Isso por dois motivos: a decepção fora enorme e por estar cercado de amigos de longa data que já sabiam de seu lado humano. De qualquer forma, sempre é bárbaro ver Spock revelando suas emoções, ainda mais numa situação de desalento como essa.
Por fim, a conspiração. Se na série clássica a Federação aparece como algo totalmente racional e asséptico a atitudes pouco virtuosas (reproduzindo um espirito talvez de inspiração positivista, totalmente falso para cabeças “menos evoluídas” do século 20), neste filme vemos membros da Federação conspirando junto com klingons para manter a guerra, algo mais palpável com nossa realidade. Esses desvios de caráter de membros da Federação são também vistos em “Deep Space Nine”. Os que conspiram são aqueles que temem um mundo de paz no futuro, a “Terra Desconhecida” que Gorkon brindou no sensacional jantar na Enterprise.

Por essas e por outras, “Jornada Nas Estrelas 6, A Terra Desconhecida” é um filme de fundamental importância na franquia mais amada de todos os tempos (na minha modestíssima opinião).

Cartaz do Filme.


Nossa amada tripulação em sua última missão.


O grande trio ainda dando caldo.


Excelsior saindo da onda de choque da explosão de Práxis.


Encontro com o cruzador klingon.


Gorkon e Kirk. Velhos guerreiros em busca da Terra Desconhecida.


Conspirações e assassinatos.


Cena do julgamento. Um magnífico Plummer e o “avô de Worf”.


Kirk enfrentando problemas em Rurah Penthe.


Spock e Valeris. Afeto e mágoa.


Enterprise A sem escudos!!!!


Final feliz. Pela última vez, tripulação salva o dia.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Resenha de Filme - Oslo, 31 de Agosto

Oslo, 31 de Agosto. Tese Sobre Um Suicídio.
Imagine um país onde você tem tudo à disposição. Bom sistema educacional, saúde, oportunidades de emprego, estabilidade econômica. Um verdadeiro paraíso. Mas, mesmo com tudo isso, esse país tem altas taxas de suicídio. Existe um lugar tão contraditório? Sim! Esse lugar é a Noruega. País desenvolvido por excelência e uma população aparentemente muito triste, a ponto de várias pessoas estarem dispostas a tirar a própria vida. Algumas especialistas tentam teorizar esse paradoxo e lançam mão de argumentos como o frio excessivo, céus cinzentos sem a presença do Sol na maior parte do ano, muitos meses com longas noites de inverno, em virtude da latitude elevada. Pois bem. O filme “Oslo, 31 de agosto” busca falar dessa tristeza do povo sueco, materializada na figura do personagem Anders, um viciado em drogas que está numa clínica de reabilitação. Após dez meses de tratamento, ele recebe autorização da clínica para sair para fazer uma entrevista de emprego e rever amigos e família. Mas nosso personagem não está ainda muito bem resolvido com o mundo e com si mesmo. Tanto que o filme se inicia com recordações de sua infância narradas em off e depois uma tentativa de suicídio fracassada de nosso protagonista ainda na clínica.
O que vemos a seguir é uma viagem de Anders por um mosaico de várias situações. Primeiro, ele visita um antigo amigo, companheiro de vícios, que agora trabalha com textos sobre filosofia, é casado e tem dois filhos. Anders vai revelar a esse amigo próximo a vontade de se suicidar. O amigo revela que sua aparente vida feliz não é uma maravilha total, havendo problemas de relacionamento com sua mulher, muito trabalho, pouco sossego para realizá-lo, problemas de saúde das crianças, etc. Anders irá então para a entrevista de emprego, que se revela um total desastre, onde ele confessa ao dono da revista ao qual tenta seu emprego seu passado com as drogas, saindo repentinamente da entrevista, mesmo com o entrevistador gostando de seus textos. Nosso protagonista em seguida vai a um pequeno restaurante e escuta as conversas das pessoas, onde nenhuma ainda alcançou a felicidade plena: uma amiga confidenciando a outra as dificuldades de relacionamento com o namorado ou a cômica e extensa lista que uma garota confidencia a outra do que precisa para ser feliz. Fica claro pela extensão da lista que é praticamente impossível que ela consiga aquilo tudo simultaneamente. Enquanto perambula pela cidade o desespero de Anders vai aumentando, pois sua namorada não retorna suas ligações para retomar contato. E assim, Anders enche a caixa postal da moça com recados jamais respondidos. Ele irá a uma festa à noite para reencontrar o amigo próximo com quem conversou durante o dia, mas o amigo não aparece. Ele então puxa um papo com a aniversariante que está deprimida por ter chegado aos trinta. Depois sai com convidados e participa de uma noitada onde se aproxima de uma moça. Mas quando todos decidem tomar banho numa piscina, ele não entra e se afasta. Como sua tentativa de suicídio foi num lago, a piscina deve ter sido uma alusão imediata. Sua vida vazia, sua má integração à sociedade com experiências totalmente frustradas e o silêncio glacial da namorada o empurraram novamente às drogas. O fim do filme é emblemático: Anders se droga e depois aparecem vários cenários do filme por onde nosso personagem passou totalmente vazios, numa alegoria de um provável suicídio.

Qual é a mensagem que o filme passa? Que, às vezes, fazemos uma ideia muito utópica do que é a felicidade. Nos enchemos de expectativas que dificilmente se cumprirão em sua plenitude e nos tornamos potencialmente infelizes, a ponto de ficarmos cegos com as oportunidades de preenchermos um pouquinho os vazios que a infelicidade nos provoca. Ou, dito no popular, volta e meia fazemos tempestade em copo d’água. A verdadeira felicidade está nas coisas pequenas e na busca por ambições moderadas que não frustrem totalmente nossas expectativas. Passou-se a impressão de que todas as amarguras e depressões expressas pelos personagens do filme poderiam ser evitadas se eles abordassem a vida de uma forma menos radical. Ou seja, precisamos levar a vida na flauta e, se não conseguimos alcançar tudo o que almejamos, paciência. Que valorizemos nossas pequenas conquistas e lutemos por outras. Mas, se não a conseguirmos, pelo menos fica o alento de que tentamos. Apesar de tudo, ainda vale a pena viver.

 Cartaz do filme.


Saber aproveitar melhor as oportunidades.


Às vezes, a felicidade pode estar à sua frente...


Anders: melancolia, falta de perspectiva e tendências suicidas.


Tentando o suicídio.

Com família aparentemente feliz

Organizando as ideias com o amigo

Aniversariante balzaquiana deprimida com a idade

Buscar a felicidade nas coisas pequenas...

terça-feira, 17 de junho de 2014

Resenha de Filme - Grand Central

Grand Central. Dilemas Passionais Regados À Muita Radiação.

Um filme francês que fala de paixão, traição e... radiação. Essa é a “radiografia” de “Grand Central”, dirigido em 2013 por Rebecca Zlotowski. É contada aqui a história de Gary (interpretado por Tahar Rahim), um jovem que busca uma profissão e, por falta de opção, vai trabalhar numa usina nuclear junto com dois colegas. Lá, ele faz novas amizades e toma contato com a disciplina rígida da usina, em virtude dos perigos com a contaminação da radiação. Os trabalhadores da usina precisam trabalhar de forma altamente coletiva, pois a segurança de todos depende de todos. Qualquer atitude mais individualista é prontamente repudiada, seja no ambiente de trabalho, seja no dia-a-dia. E a grande falha de Gary foi se envolver emocionalmente com a namorada de um de seus colegas, Karole (interpretada pela sempre estonteante Léa Seydoux), que engravida dele (seu namorado, Toni, não pode mais ter filhos em virtude da radiação). O filme se torna um rosário de conflitos entre os personagens em virtude de seus comportamentos individualistas num ambiente em que o trabalho em grupo é essencial para a segurança de todos. É especialmente opressor o cotidiano da usina nuclear, onde podemos presenciar toda a forma peculiar de se trabalhar em tal ambiente, onde contaminações e exposições a níveis altos de radiação ocorrem a qualquer hora, sendo essa curiosidade a parte mais interessante do filme. As querelas passionais assumem um tom um tanto folhetinesco e maçante em alguns momentos. Karole opta por se casar com seu namorado, deixando o amante Gary estarrecido. Mas ao fim do filme, ela demonstra medo e insegurança, sob o som do alarme da usina nuclear, que mostra uma condição considerada grave, de acidente nuclear. Ou seja, ao invés de se dar um desfecho para o drama principal do filme (a questão da traição de Karole), preferiu-se fazer um acidente nuclear para explodir com tudo... Assim, “Grand Central” de quente mesmo tem apenas a radiação. O desenrolar da história, bom, esse é morninho, morninho...

Cartaz do Filme


Uma história de traições e ressentimentos.


Tony e Gary. Disputa pela mesma mulher...


E que mulher!!!!


Cotidiano opressor na usina nuclear.