Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

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sábado, 3 de maio de 2014

Resenha de Filme - Cortinas Fechadas

Cortinas Fechadas. O Cinema Na Luta Contra O Autoritarismo.
E o cinema cumpre sua função social de lutar pela democracia e contra o autoritarismo. O filme “Cortinas Fechadas”, de Jafar Panahi e Kambuzia Partovi pode até não ser muito convencional e um tanto enfadonho, mas tem grande importância, pois o excelente cineasta iraniano Jafar Panahi foi condenado a não filmar no Irã por vinte anos, sob a alegação de falar mal do governo. Caso ele filmasse, ele seria condenado a seis anos de prisão domiciliar. Você teria peito para filmar? Panahi teve.
A filmagem foi feita às escondidas, na casa do diretor, e todo o material foi enviado de forma clandestina para o exterior. O filme ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim de 2013 com melhor roteiro. Só essa história em si já é de tirar o fôlego. Mas por qual mensagem Panahi arriscou tanto o seu pescoço? O que ele queria nos dizer? Quais são as inquietações de um artista que sofre a violência de uma censura e uma condenação judicial?
Vemos no filme um escritor (interpretado por Partovi) que claramente simboliza o espírito criativo de Panahi. Ele vive em sua casa totalmente isolado, com todas as cortinas fechadas, com medo da presença das forças policiais que rodeiam a área. Às escondidas, ele traz um cachorrinho, animal que é considerado “impuro” no Irã e que é exterminado sistematicamente pelas autoridades. A cena em que o cachorrinho vê o massacre de cães promovido pelo governo é, igualmente, comovente e brutal. Numa noite, um casal de irmãos entra por uma porta aberta da casa, se escondendo da perseguição da polícia. O escritor num primeiro momento, e num arroubo de pavor, quer expulsar o casal de casa, já que sua situação também está comprometida com o governo, mas seu espírito humanitário acaba falando mais alto e ele acolhe a garota, Melika (interpretada pela belíssima Maryam Moqadam), que tem tendências depressivas e suicidas. Logo percebemos que essa menina representa os sentimentos mais sombrios de Panahi com relação a todas as pressões que ele sofre do regime. Enquanto o escritor continua a fazer seu trabalho, Melika sempre menciona a inutilidade daquela tentativa. Em outro momento, Melika arranca todas as cortinas das janelas para desespero do escritor, num claro sinal de conflitos de sentimentos vívidos na mente do cineasta. O próprio cineasta aparece no filme, mas não encontra o escritor e Melika, que são constituintes da sua psiquê. Ele encontra a casa bagunçada, com as cortinas abertas, a janela quebrada e os móveis revirados, fruto dos conflitos do escritor com Melika. Assim, Panahi vai mostrando sua vivência cotidiana: manda consertar a janela quebrada, conversa com pessoas interessadas em seu trabalho que o visitam, recebe almoços deliciosos da vizinha. Nessa parte do filme, um vizinho lança a seguinte pérola: “agora as coisas estão ruins para você, mas não se preocupe, isso passa, as coisas vão melhorar. No fim das contas a vida é formada apenas de lembranças”. As cenas de tentativa de suicídio também são especiais, onde vemos Melika entrando na água do mar e caminhando até sua cabeça afundar. Panahi faz o mesmo, mas logo depois ele retorna das águas com o filme rodando de trás para frente, num claro sinal dos altos e baixos do estado emocional do artista e de sua vontade de lutar mesmo após as crises de depressão. O filme não poderia terminar de forma mais emblemática. Panahi fechando a sua casa com um portão de grades sanfonadas e indo embora, numa alegoria da situação de prisão em que ele se encontra e da qual não temos muita informação.

Somente um artista poderia traduzir sua angústia pessoal em uma arte tão significativa. Todo o autoritarismo do mundo não foi suficiente para calar o poeta das imagens que é Jafar Panahi. E o cinema se mostra mais uma vez como uma arma implacável contra as arbitrariedades dos imbecis com visões estreitas.

 Cartaz do Filme


A lindíssima Melika


O escritor e o cachorrinho


Panahi: luta pela liberdade


Suicídio como alegoria do desespero


Cena final: prisão. 

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