Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - De Repente Pai

De Repente Pai. Overdose de Paternidade.
Tem pessoas que optam por não ter filhos. Alegam que dá muita despesa, toma tempo, tem medo de criar errado, etc. Um ou dois filhos é o ideal para alguns. Três, quatro, já começa a ser muito. E se fossem mais de 500??? Aí complica. Imagine essa situação. É mais ou menos o que o filme “De Repente, Pai” apresenta.

O filme conta a história de David Wozniak (interpretado por Vince Vaughn), um verdadeiro porra louca que trabalha como entregador de carne no açougue de sua família. Ele é tão incompetente que demora para entregar a carne, não dá atenção para a namorada que está grávida, não consegue pegar as camisas do time de basquete da família a tempo de usá-las para o jogo, faz dívidas homéricas colocando a família sob ameaça, ou seja, nosso David é uma besta total. Para piorar a situação, ele doou há vinte anos, esperma para um banco sob o codinome “Starbuck”, o que acabou gerando mais de 500 pessoas e 142 dessas pessoas queriam saber de quem era o esperma. Ele processa o banco de esperma junto com seu advogado e amigo Brett (interpretado por Chris Pratt), alegando que houve uma violação de sua privacidade. Mas, antes disso, ele recebeu uma listagem de seus filhos e passa a ter contato com eles por curiosidade, sendo pessoas que passam pelas mais diferentes situações. O fato de conhecer seus filhos e seus problemas acaba abrindo os olhos de David para a vida e ele se torna mais responsável. Mesmo ganhando a ação e uma indenização de 200 mil dólares, ele abre a mão de sua privacidade e diz aos filhos que é o pai. Tal atitude também o faz se aproximar de sua namorada que quase não o aceitou por ser o Starbuck. É uma comediazinha leve, que não acrescenta muito. Vemos um cara desajustado e insólito aprumando sua vida em virtude de uma situação igualmente insólita em que ele se meteu. O que mais dá gosto no filme é ver como ele se relaciona com a sua filharada, onde ele precisa se aproximar de pessoas totalmente desconhecidas e ele quer dar uma força para os filhos que ainda não o conhecem. Comovente é ver todos os seus filhos o abraçando quando seu filho com a namorada nasceu no hospital. Uma verdadeira multidão num abraço coletivo!!! Filme engraçadinho e bonitinho, mas com poucas chances de vê-lo em cartaz, pois está em poucas e distantes salas... tive que me despencar para o Downtown para ver...

Cartaz do Filme.


David e seu advogado Brett


David e a namorada


David no meio da filharada...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - O Homem do Rio.

O Homem do Rio. Colcha de Retalhos da Nouvelle Vague.
O filme “O Homem do Rio”, de 1964, é uma grande preciosidade. Concebido durante o período da Nouvelle Vague francesa que, dentro de nossa visão estereotipada, trata-se de um movimento de filmes intelectualizados, “O Homem do Rio” não tem nada disso. Ele parece ser uma grande brincadeira e uma espécie de “colcha de retalhos”, já que ele faz alusões e paródias a vários gêneros e filmes muito conhecidos, numa explosão de intertextualidade.
Vemos aqui a história de um roubo de três ídolos de pedra de uma suposta civilização pré-colombiana. Uma some de um museu de Paris, outra está enterrada na antiga casa de Agnès Villermosa (interpretada por Françoise Dorléac, que é nada mais, nada menos irmã de Catherine Deneuve) que fica no Rio de Janeiro (a casa é o Parque Lage no filme), e a terceira está em Brasília, na casa do milionário Mário de Castro (interpretado pelo italiano radicado no Brasil Adolfo Celi). Essas três estátuas precisam juntas ser levadas a uma gruta no interior da Amazônia, pois elas dão a informação para se descobrir um grande tesouro. Para impedir que as estátuas sejam roubadas, Agnès contará com a ajuda de seu namorado, o militar e porra louca Adrien (interpretado por ninguém menos que Jean Paul Belmondo!), que está de licença por uma semana. A partir daí, temos um grande filme de aventura, que se passa em Paris, Rio de Janeiro, Brasília e no interior da floresta amazônica. Temos muitas situações absurdas e engraçadas, como a insistência de Adrien em perseguir carros a pé (e alcançá-los!), trepar em altos de prédios e construções (tal como Harold Lloyd no cinema mudo), ver Belmondo voando de cabeça para baixo pendurado no avião (tal como Chaplin em “O Grande Ditador”) e mais muitas outras situações. Assim, podemos dizer, nos poucos exemplos que vimos acima, o que já citamos: o filme é uma espécie de colcha de retalhos formada por vários gêneros e homenagens a filmes diferentes. Há algo de Hitchcock, de James Bond, até de Tin Tin na história, tudo colocado de uma forma bem divertida.
Outro elemento interessantíssimo do filme é o seu valor como documento histórico, pois ele foi rodado em 1963 e finalizado em 1964. Assim, podemos ver uma Paris com menos carros, o Rio de Janeiro da década de 1960, com o cais da Praça XV em escombros, pela demolição do mercado municipal para a construção da perimetral (e hoje é a perimetral que é destruída), o estado de abandono do Mirante Dona Marta, sem qualquer arborização, as ainda baixas construções de Ipanema, a Avenida Atlântica em mão dupla, etc. Tudo isso com a visão estereotipada de que o Brasil só tem samba, mulher bonita, favela, malandragem, etc. Mas também é interessante notar como o filme mostra um Brasil moderno, passando por uma Brasília ainda em obras, e estamos falando de 1963, três anos depois da inauguração da cidade (a catedral ainda estava em construção em 1963!). Vendo esse exemplo, podemos entender porque nossos aeroportos só ficarão prontos depois da Copa e das Olimpíadas (se ficarem!). O filme é especialmente engraçado para nós, brasileiros, pois vemos Brasília a apenas cinquenta quilômetros de distância na Rio-Petrópolis, ou então a mansão do milionário Castro ser o MAM, no Rio de Janeiro, com vista para a Esplanada dos Ministérios em Brasília. Mas o cinema não se preocupa com essas incongruências que tornam o filme ainda mais engraçado para nós.

Dessa forma, “O Homem do Rio” é uma preciosidade, pois é uma grande comédia de aventura e de grande sucesso de bilheteria na época, forjado no interior da Nouvelle Vague. E também um grande documento histórico de como era o Brasil na década de 1960, onde vemos rupturas (cidades menores e em construção em contraste com as cidades grandes e prontas de hoje) e permanências (pobreza e miséria, principalmente na região amazônica, que parece não ter mudado quase nada). 

Cartaz do Filme.


Um vivaz Belmondo no Mirante Dona Marta.


 Belmondo e Dorléac na Floresta Amazônica (ou será o Parque Lage???)


Beijo Apaixonado numa Ipanema pouco urbanizada.


Belmondo em ação nas ruas de Paris.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - Philomena

Philomena: A Caça a um Passado Omitido.
O Oscar esse ano precisa premiar “Philomena”. Esse filme é simplesmente sensacional!!! Uma história de amor, obstinação, fé e, acima de tudo, de saber perdoar. Um filme com excelente roteiro e que se ampara, sobretudo, em dois atores: o sempre bom Steve Coogan (que também assina o roteiro e a produção) e, principalmente, Judi Dench (torcerei loucamente por seu Oscar de melhor atriz, merece muito!).
O filme conta a história de Philomena (interpretada por Judi Dench), que vivia num convento católico na Irlanda. Ao visitar um pequeno parque de diversões, ela conheceu um rapaz e engravidou dele.  As madres e irmãs do convento ficaram loucas da vida e submeteram a pobre moça a terríveis castigos, todos aceitos por Philomena que acreditava piamente que tinha cometido tais pecados. Ela passou a trabalhar na lavagem de roupas, o pior trabalho do convento, fez seu parto sem anestesia e seu filho foi vendido para uma família americana. Tudo isso feito pelas religiosas do convento. Por outro lado, cinquenta anos depois, Martin Sixsmith (interpretado por Steve Coogan) era um assessor de imprensa do governo inglês que foi demitido depois de umas intriguinhas. Deempregado, pensava em escrever um livro sobre história russa. Mas, numa festa, ele conheceu a filha de Philomena, que sugeriu a ele que escrevesse um livro sobre a história da mãe, que passou os últimos cinquenta anos tentando localizar seu filho vendido pelo convento. Começa aí uma história de busca por esse filho, que levará a dupla aos Estados Unidos e à busca de um passado desconhecido. Os dois personagens são interessantíssimos: Martin é jornalista, intelectual, participou da mídia e de altos escalões do governo; Philomena é ingênua, doce, detalhista, com uma ótica altamente positiva do mundo. Ela consegue ver maravilhas nos romances folhetinescos mais triviais e previsíveis, além de se encantar com a educação dos empregados do hotel em que ela está hospedada nos Estados Unidos dizendo, para cinco deles que são “um em um milhão”. Gostamos de Philomena no primeiro momento em que a vemos. Muito diferente da M do James Bond. Aí é que vemos o bom ator. Os personagens M e Philomena parecem (e são!) duas pessoas diferentes, interpretadas por uma mesma atriz. Quando vemos M e Philomena interpretadas por Dench, parecem duas pessoas diferentes, quero dizer, até fisicamente. E isso não é só por causa de um penteado ou outro detalhe de maquiagem. São mulheres diferentes mesmo! Milagre que só uma grande atriz como Judi Dench consegue fazer.

O tema religioso é muito interessante também. Martin é ateu. Philomena é uma católica fervorosa, apesar de todas as sacanagens que as religiosas fizeram com ela. Isso provoca atritos entre os dois e interessantes debates. A capacidade de Philomena de perdoar as religiosas do convento é infinita. Tudo isso porque ela não quer nem saber de sentir raiva ou odiar, parecendo algo muito cansativo para ela. Isso coloca a idosa religiosa e pouco letrada num plano superior, em contrapartida ao intelectual Martin, que percebe isso e presenteia Philomena com uma pequena estátua de Jesus ao final do filme, dentro de uma circunstância muito especial. No mais, o filme também tem tons de denúncia, pois essa história foi baseada em fatos reais e ainda há muitos filhos irlandeses que foram vendidos por religiosas para pais adotivos americanos, numa procura mútua que continua até os dias atuais. Um absurdo que uma visão religiosa estreita acabou provocando. Visão estreita diferente da visão religiosa ampla e aberta de Philomena, que é a que se comporta de forma mais cristã, ao fim das contas. Assim, “Philomena” é um filme que vale muito a pena, um filme indispensável, bem ao estilo “ver e ter”.

Cartaz do Filme


Judi Dench, simplesmente sensacional!!!!


Philomena e Martin


Judi Dench e a verdadeira Philomena!!!!


Steve Coogan e o verdadeiro Martin


Os verdadeiros Martin e Philomena

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - Glória

Glória: Atividade na Terceira Idade.
Mais um filme de coroa “pra frentex”. Depois de “A Última Despedida em Las Vegas”, vemos agora o bom filme chileno “Glória”, que vai abordar também a questão da terceira idade e seus idosos bem ativos.

A história começa com o cotidiano de Glória (interpretada por Paulina Garcia), uma idosa que trabalha, dirige, faz ioga, cantarola suas músicas prediletas, frequenta danceterias, ou seja, ela não para nunca. A mensagem do filme é bem clara: pessoas em idade avançada ainda podem ter uma vida normal sem qualquer privação. Em suas saidinhas à noite, Glória conhece Rodolfo (interpretado por Sérgio Hernandez), que tem um parque de diversões chamado “Vertigo” (bem Hitchcockiano!!!), que tem de bungee junp a paint ball. Glória irá começar um romance com Rodolfo, com direito a tórridas cenas de sexo. É curioso notar isso. Vemos cenas de sexo entre casais heterossexuais, homossexuais (sejam eles homens e mulheres), mas nunca vemos cenas de sexo entre idosos (que eu me lembre, foi a primeira vez que eu vi, pelo menos para valer). Rodolfo diz que está separado há um ano da ex-esposa, mas recebe frequentes ligações das filhas que são muito dependentes dele, para desespero de Glória, que ainda sofre com sumiços repentinos de Rodolfo. Nossa protagonista ao final descobrirá que Rodolfo ainda vive com a esposa e as filhas e “fuzila” não só a casa como o próprio Rodolfo com tiros de paintball, no momento mais hilário do filme. No mais, muitas saídas, bebedeiras, reuniões de família fracassadas, tapinhas em cigarrinhos de maconha, gatos carecas, vizinhos insanos e uma trilha sonora bem legal (as músicas do filme são bacanas), com direito a uma versão meio chicana de “Águas de Março” e a gravação original de “Lança Perfume”, de Rita Lee, numa mostra de que os nossos países vizinhos são mais abertos a nossa cultura do que nós somos abertos a cultura deles (alguém conhece um bom rock chileno???). Assim, “Glória” é um filme no estilo “simplesinho, mas bonitinho”, sendo mais competente em analisar a atividade na terceira idade que “A Última Viagem a Vegas”. E Paulina Garcia, a intérprete de Glória, era uma coroa bem jeitosa. Boazuda, até... Vale a pena dar uma conferida...

Cartaz do Filme


Glória: óculos da vovó, mas com um corpaço!!!


Buscando aproveitar a vida


Paintball com Rodolfo


Terapias alternativas


Glória e Rodolfo: par romântico. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - Fruitvale Station: A Última Parada

Fruitvale Station: A Última Parada. Ponto de Partida para a Reflexão.
Mais um grande filme que aborda a temática racial nos Estados Unidos. “Fruitvale Station: A Última Parada”, é produzido pelo grande Forest Whitaker e conta com a maravilhosa atriz Octavia Spencer, também ganhadora do Oscar. O filme é baseado numa história real bem recente, ocorrida na virada do ano novo de 2008 para 2009.
O filme conta a trajetória de Oscar Grant (interpretado por Michael Jordan, que não tem nada a ver com o jogador de basquete), um rapaz negro de 22 anos, que tem uma esposa, Sophina (interpretada por Melonie Diaz) e uma filha, Tatiana (interpretada por Ariana Neal). Oscar trabalhava num supermercado, mas acabou na cadeia por um tempo, perdendo o emprego. Fica claro o envolvimento de Oscar com drogas no passado. Saído da cadeia, Oscar tem agora que provar para sua esposa e sua mãe, Wanda (interpretada por Octavia Spencer), que ele não tem mais qualquer ligação com o tráfico e quer começar vida nova. Mas as coisas estão muito difíceis, pois ele não consegue um emprego. Assim, a vida de Oscar oscila entre a tentação de voltar ao mundo das drogas, algo contra o qual ele resiste bravamente, e a sua luta por endireitar a sua vida e ficar bem na fita com seus familiares. Infelizmente, tudo isso acabará na noite de ano novo quando, voltando da festa num trem, ele se depara com membros de uma gangue rival e toma uns tabefes. O trem para na estação Fruitvale e os policiais retiram para a plataforma somente Oscar e seus amigos, todos negros, iniciando um espancamento gratuito que foi filmado por muitos celulares. Oscar tenta argumentar com os policiais (todos brancos, óbvio!), mas acaba tomando um tiro nas costas. O resto já dá para se deduzir: hospital, morte de Oscar e punições brandas para os policiais. Toda essa história foi verídica e aconteceu no início de 2009, numa prova de que o racismo permanece mais vivo do que nunca nos Estados Unidos, com casos de homicídio ainda, bem ao estilo do que foi visto em “O Mordomo da Casa Branca”, nesse caso, com assassinatos de negros no passado. Torna-se comovente o final do filme, onde aparecem cenas reais de manifestações em 2013 na estação Fruitvale, pedindo justiça para o caso, com imagens da verdadeira Tatiana, filha de Oscar. No mais, deve-se destacar a maravilhosa atuação de Octavia Spencer, que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante no ótimo “Histórias Cruzadas”, de 2011. Seu desempenho como Wanda, a mãe de Oscar no filme, é exemplar, seja quando visita Oscar no presídio e é obrigada a dizer que não mais irá visitá-lo, para forçar Oscar a tomar um jeito na vida e sair de lá, seja, sobretudo, na cena da sala de espera do hospital, onde ela acalma todos os amigos de Oscar e a esposa (quando deveria ser justamente o contrário), além de organizar uma oração. Serenidade que desaba ao presenciar o corpo do filho morto. Uma interpretação suave, segura e muito comovente dessa grande atriz americana.

Assim, “Fruitvale Station: a Última Parada” é um filme que novamente denuncia o racismo nos Estados Unidos e mais uma vez é um convite à reflexão em cima de um tema tão espinhoso, sobretudo na forma em que o filme é construído, mostrando um Oscar arrependido e humano, uma festa de ano novo num congraçamento multirracial no trem, a truculência das gangues e da polícia, que estimulam a continuidade do racismo... é realmente mais outro caso de filme essencial, de “ver e ter”...

Cartaz do Filme



Oscar como bom pai...


Oscar como bom marido


Oscar e a humilhação nas mãos dos policiais.


 Racismo, tema recorrente...


Octavia Spencer, interpretação primorosa de Wanda...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - 47 Ronins

47 Ronins. É Tudo Japonês, Menos o Keanu Reeves.
Mais ação no pedaço. O filme “47 Ronins” promete muitas lutas de espada com efeitos especiais no Japão da época dos samurais. Vamos ver aqui uma tentativa americana de explanar a cultura japonesa e seus rígidos códigos de honra, embora sempre sintamos uma diferença de interpretação quando vemos um filme genuinamente japonês abordando os mesmos temas.

A história tem como personagem principal o “mestiço” Kai (interpretado por Keanu Reeves), que foi encontrado na floresta por membros da família liderada por Lord Asano (interpretado por Min Tanaka). Kai será acolhido pela família embora seja considerado uma pessoa de última categoria pelos samurais de Lord Asano. Devemos nos lembrar que nestas famílias feudais japonesas, os samurais eram os guerreiros do chefe da família e a lealdade e honra eram tudo para esses soldados. Se o chefe da família era derrotado, os samurais perdiam sua honra e se tornavam ronins, caindo praticamente em desgraça. Tudo isso era vigiado pelo Xogum, chefe militar que recebia poderes praticamente ilimitados do Imperador. Era o Xogum que decidia o que ia acontecer ou não nas disputas entre essas famílias feudais. No caso de nossa história, Lord Asano tinha como inimigo Lord Kira (interpretado por Tadanobu Asano), que queria tomar as suas terras. Kira contava com a ajuda de uma diabólica feiticeira (interpretada por Rinko Kikuchi) para destruir o clã dos Asano. Numa visita do Xogum às terras de Asano, a feiticeira lançou uma magia sobre o samurai que lutaria com o samurai de Kira numa exibição. Kai vestiu a roupa de samurai e foi descoberto durante a luta, sendo severamente castigado. Mas a feiticeira lançou um novo feitiço, agora contra Lord Asano, que tentou matar Lord Kira. Assim, o Xogum lhe impôs a autopunição a morte, para não perder sua honra. E as terras de Asano passaram para Kira, assim como Mika, a filha de Asano. Mika, que era apaixonada por Kai. Os samurais de Asano foram espalhados para outras terras e Kai foi vendido como escravo. O Xogum proibiu a vingança por parte dos samurais de Asano. Mas um homem de confiança de Asano, Oishi (interpretado por Hiroyuki Sanada) reorganizará o exército de agora ronins, e contará com a ajuda de Kai na busca pela vingança. O filme é baseado numa história real, mas foi muito fantasiado, com direito a vários monstrinhos virtuais, bem ao estilo de “300”. Outro detalhe: essa história de um grupo de pessoas formarem um pequeno exército para buscar uma vingança ou luta contra uma injustiça já não é novidade no cinema. Outros filmes usaram esse enredo, como “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa, o faroeste “Sete Homens e um Destino”, inspirado, inclusive, em “Os Sete Samurais” e um filme japonês mais recente, “13 Assassinos”. Um especial destaque deve ser dado à bruxa do filme aqui. Ela tinha um olho castanho e azul, e estava muito bem como vilã, principalmente quando nossa feiticeira cruel tripudia da mocinha indefesa Mika. Outro destaque interessante é a fotografia e figurinos do filme, fantásticos. Ainda, como o enredo é baseado numa história real, o “happy end” é abolido, algo que, se tratando de um filme americano, deve sempre ser mencionado e celebrado! Assim, “47 Ronins” poderia ser mais um filme de ação trivial, mas como seu conteúdo tem um recheio de cultura japonesa, acho que o público deveria olhá-lo com um pouco mais de carinho, pois ele é instrutivo em algum nível, mesmo que seja apenas em um nível superficial. E tome cerejeiras!!!

Cartaz do Filme


Filme tem grande fotografia e figurino.


Keanu Reeves como Kai.


Uma bruxinha que não era boa e que gostava de ficar de cabeça para baixo.


Filme cheio de monstrinhos virtuais.


 Oishi: líder na busca pela vingança de Asano...


Kai e Mika: Par Romântico

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - Quando Eu Era Vivo

Quando Eu Era Vivo. O Filme de Terror da Sandy.
O Cinema Brasileiro contemporâneo busca se expandir em termos de gênero. Vemos muitos “filmes da Globo”, com comédias a la Zorra Total, onde atores televisivos usam a mídia cinematográfica para ampliar suas atividades, tornando-se um tanto repetitivos. A Globo também consegue fazer filmes bons, como um “Serra Pelada” ou “Flores Raras”. Assim, o cinema brasileiro é permeado mais por gêneros como a comédia ou o drama. Aparece uma ou outra história policial como “Assalto ao Banco Central”. O problema é que o cinema no Brasil vive de ciclos, leis, e a temática social do cinema novo faz com que alguns intelectuais mais das antigas meio que desqualifiquem qualquer coisa que não fale de miséria. Fora o eterno estigma de que o cinema brasileiro é pornografia e não presta. Assim, uma arte industrialmente incipiente como é o cinema no Brasil ainda é obrigada a sobreviver com rótulos, que trazem estreiteza de visão e limitações. Por isso, qualquer tentativa de trazer uma coisa nova, de explorar um novo gênero, já é válida. Vimos alguns anos atrás (1998) o bom filme “Kenoma”, que foi uma tentativa de se trazer a ficção científica para a realidade do interior do Nordeste. Agora, surge uma outra tentativa de se buscar um novo gênero dentro do cinema brasileiro, o thriller com pitadas de terror. E temos o filme “Quando Eu Era Vivo”, mais conhecido como “o filme de terror da Sandy”.
A história fala de um rapaz, Júnior (interpretado por Marat Descartes), que volta para a casa do pai, seu Zé (interpretado por Antônio Fagundes) depois de separar da mulher. Lá, Júnior precisa dormir no sofá, pois o seu antigo quarto está ocupado por uma estudante, a Bruna, interpretada pela... Sandy (!?!?!?). Nosso Júnior, algo sereno, algo soturno, estranha a casa que o pai reformou totalmente depois da morte de sua mãe. Mas Júnior começará a recordar da mãe, que tinha ligações com o ocultismo. Assim, ele arromba um quartinho onde estão todas as recordações, e redecora a casa bem ao estilo da época de sua mãe, para desgosto total do pai, que queria enterrar o passado. Vemos, então, Júnior mergulhando mais e mais em tempos pretéritos, tendo dores de cabeça crônicas, enlouquecendo lentamente e, aparentemente com uma presença sobrenatural materna pela casa. Tudo isso com alguns números de música esporádicos de Bruna, só para aumentar a angústia e terror!!!! A chave do filme está nas cabeças de gesso que a mãe moldou em torno da cabeça de seus dois filhos. O desaparecimento das duas cabeças de gesso provocou a loucura de Pedro e a progressiva loucura de Júnior. E o fato de o pai não ter feito sua cabeça de gesso faz com que Júnior não se sinta filho dele (“ele nunca me chamou de filho”). Mas Júnior ainda iria mais longe em seus delírios macabros. Ele espanca a namorada do pai para afastá-la de casa e, depois de golpear a cabeça do pai com um haltere, faz o molde da cabeça de seu progenitor no gesso, num ritual macabro que conta com uma Bruna possuída e altamente disposta a cantar (Socorro!!!!!). Assim, a dupla Sandy e Júnior, ops, quero dizer, Bruna e Júnior encerram o ritual tirando a máscara do pai que, abobalhado, chama Júnior de filho e os dois se dão um fraterno abraço, sob o olhar complacente de Bruna e do espírito da mamãe diabólica!!!!
Ufa! Quais são os destaques aqui? Marat Descartes, até mais que o Antônio Fagundes. O cara dá medo mesmo!!! A cena do vômito no jantar com Bruna, seguido de violentas convulsões foi genial! O ator chega totalmente sereno e vai ficando aos poucos soturno, chegando às raias do irascível e do violento, bem ao estilo de Jack Nicholson em “O Iluminado”, guardadas, obviamente, as suas devidas proporções. Até o penteado estava meio parecido com o de Nicholson! Outro lance interessante foi a conversa da mãe com o filho através de um disco da Elisângela de trás para frente. Os “closes” aparecem em vários momentos do filme, realçando o clima de angústia e suspense, sendo outra característica positiva. Dentre os pontos negativos, podemos mencionar o boneco do Fofão entre as recordações de infância dos irmãos. Não caiu muito bem, ficou meio caricato. Já a Sandy, bom, deixa para lá. A atuação até foi engraçadinha, boazinha, mas os números musicais foram uma baita “forçação” de barra. Sem falar daqueles enormes cílios postiços, desnecessários para uma moça ainda com traços de menina. Os cílios até pareciam uma marquise de prédio, Deus me livre!!!!

Assim, “Quando Eu Era Vivo” pode ser considerado uma boa tentativa do cinema brasileiro de fazer suas incursões pelo suspense e terror, apesar de alguns probleminhas... só não perca a sua cabeça de gesso por aí, ou...

Cartaz do Filme: Sinistrão!!!!


Jantar Cordial


Marat Descartes: Penteado estilo “Iluminado”...


Sandy e os cílios gigantes. Closes bem feitos.


Marat Descartes, destaque do filme... macabro!!!!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - A Menina que Roubava Livros

A Menina que Roubava Livros. Alfabetização em Tempos de Guerra.
Mais uma grande produção no circuito. O filme “A Menina que Roubava Livros”, baseado no romance de Markus Zusak, é uma delicada e terna história ambientada na Segunda Guerra Mundial. Um filme que mais uma vez denuncia os horrores da guerra e da ditadura nazista, sob a ótica de uma menina que queria apenas aprender a ler.
O filme começa com uma narração em terceira pessoa e logo percebemos que esse narrador é a própria morte (muito oportuno para um filme de guerra). Logo, logo, percebemos que nosso funesto narrador poupará nos dias da guerra um dos personagens: a menina Liesel (interpretada por Sophie Nélisse), que viaja com a mãe e o irmãozinho num trem. O garoto sofrerá uma morte súbita e será enterrado num pequeno cemitério à beira da linha. A mãe, que é comunista e perseguida pelos nazistas, deixa Liesel com um casal, formado por Hans (interpretado pelo excelente Geoffrey Rush) e Rosa (interpretada pela não menos excelente Emily Watson). Rosa é rude e dura e passará por um processo de humanização ao longo da história. Hans, por sua vez, é doce e amigo. Estes serão os novos pais de Liesel. Ela também conhecerá um amigo de escola, Rudy (interpretado por Nico Liersch), apaixonado por ela. Na escola, sob rígida educação nazista, o analfabetismo de Liesel acaba sendo revelado e ela é ridicularizada pelo seu colega Franz Deutscher (interpretado por Levim Lian), protótipo perfeito do nazista. Liesel, revoltada com a situação, espanca Franz e arruma um inimigo. O nazismo é abordado aqui de uma forma semelhante a que já vimos em vários filmes: um monte de gorilas agindo de forma extremamente violenta principalmente contra os judeus. É interessante também perceber a padronização dos indivíduos denunciada no filme, principalmente nas crianças, cujos uniformes escolares são réplicas de uniformes militares. E a lavagem cerebral antissemita nos ritos, seja nos corais de alunos, seja nas queimas de livros proibidos.

A família de Liesel ainda esconderia um judeu no porão da casa, Max (interpretado por Bem Schnetzer). Indignada com seu analfabetismo, Liesel começa a aprender a ler de qualquer maneira, contando com a ajuda de Hans, que é semianalfabeto. Seu primeiro livro é um manual de coveiro. Numa cerimônia de apologia ao nazismo, Liesel pega um dos livros que escapou da fogueira, “O Homem Invisível”, de H. G. Wells. Max percebe o seu interesse por leitura e estimula Liesel, tornando-se grandes amigos. A partir daí, o cotidiano dos personagens é marcado pelas tentativas de Liesel de obter mais livros, roubando-os até da casa do prefeito de sua cidade, manter Max escondido, escrever com giz na parede do porão as palavras novas que ela ia conhecendo, acabando por forrar toda a parede com palavras, e encarar as transformações que a guerra ia provocando em sua cidade ao longo do tempo. Bombardeios, sofrimentos, mortes, separações, contrabalançados por afetos, ternuras e o milagre da transformação de Liesel que o prazer da leitura ia proporcionando. Apesar de algumas situações consideradas inusitadas para uma guerra, como a volta de combatentes vivos para suas casas, “A Menina que Roubava Livros” é um filme que vale a pena, daqueles que existem para alegrar, emocionar, chorar, tendo como bônus especial a música do grande John Williams.

Cartaz do Filme.


Liesel, a protagonista.


Liesel, Hans e Rosa (atuações primorosas!)


Liesel e Max. Amizade através da leitura.


Mesmo na morte e destruição, Liesel ainda preserva os livros.


Liesel, Rudy e Rosa


Estética Nazista: padronização e dissolução das individualidades.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Resenha de Filme - Medo e Desejo

Medo e Desejo: Mais um Filme de Guerra de Kubrick.
O filme “Medo e Desejo”, de Stanley Kubrick, feito em 1953, é bem curtinho: tem somente 62 minutos. Mas ele possui alguns elementos interessantes para se discutir. Basicamente, ele chama a atenção por dois fatores principais. Falemos destes elementos aqui.
Vemos nesta película a história de quatro militares que estão numa floresta em território inimigo após seu avião ser abatido. A intenção deles é atravessar as linhas inimigas e retornar para seu exército. Para isso, eles usarão o rio que corta a floresta e construirão uma balsa. Mas isso não será tão simples, já que há milhares de soldados inimigos cobrem os oito quilômetros de terreno que eles terão que atravessar. Ao montarem a balsa na beira do rio, esses militares descobrem na outra margem que o exército inimigo tem um avião e um aeroporto, perfeitos para um plano de fuga. Mas há um general inimigo também, o que desperta muito a curiosidade deles. Haverá mais um elemento complicador: os militares, com muita fome, invadem uma instalação inimiga e trucidam os soldados que lá estavam, causando muita perturbação num dos soldados. Para piorar, num outro momento uma camponesa local vê os militares que precisam aprisioná-la, amarrada a uma árvore. Ela fica sob a vigilância do soldado que ficou traumatizado com a carnificina na disputa pela comida, enquanto que os outros militares se afastam para vigiar a balsa e as instalações inimigas à distância. Mas o soldado enlouquece e acaba soltando a camponesa, pois ele pensa que ela gosta dele. Só que a moça apenas dissimula para que o soldado a solte e ela possa fugir. O soldado acaba matando-a e corre enlouquecido pela floresta. Outro militar fugitivo, obcecado pela presença do general, sugere aos dois colegas que se elimine o líder do exército inimigo antes da fuga. Para isso, ele atrairia os militares inimigos expondo-se na balsa enquanto que seus colegas matavam o general, para depois todos fugirem de avião. Bom, o plano não deu muito certo, pois o valente militar da balsa ficou crivado de balas e o general foi inicialmente só ferido, e nossos fugitivos ainda precisaram voltar para executá-lo. Os dois sobreviventes conseguiram chegar a seu território, mas retornaram ao rio para procurar a balsa. Miraculosamente, a encontraram com o soldado isca morto e o soldado maluquinho do lado. Toda essa história contada em uma hora.

E quais são os dois elementos do filme que chamam muito a atenção? Em primeiro lugar, a montagem. É muito curioso perceber como a montagem foi feita com closes de rostos bem rápidos, aumentando a dramaticidade da cena, seja na conversa entre os soldados fugitivos, na cena do massacre dos soldados inimigos, muito bem feita, seja no assassinato da camponesa. A cena do massacre é especialmente inquietante, pois a forma como a cena foi montada, intercalando a expressão horrorizada do soldado que enlouqueceria com as faces dos soldados inimigos mortos, nos dá uma sensação de aflição e desespero. Logo, o exercício da montagem é a característica mais marcante do filme no ponto de vista técnico. O segundo elemento que chama muito a atenção é a explanação de alguns raciocínios e ideias ao longo do filme. Voltando à cena do massacre, enquanto um dos soldados está aterrorizado, outro, totalmente indiferente à chacina diz, em seus pensamentos, que os homens são ilhas, ou seja, ele se desvincula totalmente da solidariedade humana para que ele possa, durante uma guerra, adotar uma postura mais indiferente e poder sobreviver no campo de batalha. Outro momento interessante está nas palavras do soldado que quer matar o general. Ao invés de buscar a solução mais simples, que é fugir, ele quer fazer algo grandioso, pois ao fim da guerra, ele terá um emprego ordinário que será consertar máquinas de lavar e não fará mais nada de relevante em sua vida. Assim, ter a chance de matar um general naquelas circunstâncias tem o status de dádiva divina (como se a guerra fosse a única oportunidade de se fazer algo de relevante para que a sociedade o notasse). Nestes dois raciocínios, vemos novamente o posicionamento altamente crítico de Kubrick contra a guerra, assim como ele também é crítico do patriotismo. Em nenhum momento se fala no filme quais são as nacionalidades dos exércitos envolvidos e, ainda, no início da trama, a voz do narrador nos diz que as noções de guerra e patriotismo estão apenas na cabeça dos soldados. O ambiente da floresta é totalmente destacado do que acontece na guerra, sendo esses eventos totalmente de responsabilidade dos militares envolvidos (já que chega-se a insinuar ao longo da história que a floresta possui uma influência maldita sobre as pessoas). Todos esses elementos em apenas 62 minutos de filme, que só confirmam a genialidade desse diretor.

Cartaz do Filme.


Os quatro soldados fugitivos.


Closes rápidos: montagem aumenta dramaticidade


Provocação da camponesa


A equipe de filmagem. E não é que Kubrick também ri???