Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

domingo, 9 de março de 2014

Resenha de Filme - A Morte Passou Por Perto

A Morte Passa Perto Quando o Beijo é Assassino.
Mais uma pequena joia de Kubrick. Do ano de 1955, o filme “A Morte Passou Perto” (“Killer´s Kiss”) tem apenas 67 minutos, mas conta uma história arrebatadora, que se passa em apenas dois dias, mostrando como um simples ato pode nos levar a situações para lá de inusitadas e modificar tudo em nossas vidas.
Vemos aqui o pugilista Davey Gordon (interpretado por Jamie Smith), vizinho de Glória (interpretada por uma esquálida Irene Kane). Esse lutador vindo de Seattle irá ser nocauteado, enquanto Glória trabalha num “dancing”, sendo perseguida por Rapallo (interpretado por Frank Silveira), seu chefe, que está muito apaixonado. Após o nocaute, Davey retorna ao apartamento e presencia Glória por sua janela. No dia seguinte, ele desperta de um pesadelo com os gritos de Glória e vê Rapallo atacando-a. Davey corre para o apartamento de Glória e faz Rapallo fugir. A partir daí, Davey e Glória se conhecem melhor, iniciando um relacionamento. Davey sugere a Glória que tirem juntos uns dias de descanso em Seattle. Para isso, Glória irá a Rapallo pedir o dinheiro que ele lhe deve e Davey pede o cheque da luta para o seu empresário. Só que Rapallo manda seus capangas assassinarem Davey, que acabam assassinando seu empresário por engano. E a polícia nomeia Davey como seu principal suspeito. No dia seguinte, Davey vai ao apartamento de Glória e não a vê mais. De lá, ele observa às escondidas a polícia procurando-o em seu apartamento. Assim, Davey vai à caça de Rapallo, rendendo-o com uma arma e eles chegam ao esconderijo onde está Glória e os capangas que mataram o empresário do pugilista. Davey consegue render a todos, mas os capangas reagem e põem o lutador desmaiado. Nesse momento, Glória tenta seduzir Rapallo para se salvar, que não cai em sua conversa. Davey recobra a consciência e escuta a tentativa de Glória. Desiludido, foge pela rua é perseguido por Rapallo e um dos capangas. No sobe e desce dos prédios ao longo da perseguição, o capanga machuca o pé, ficando pelo caminho. Davey e Rapallo farão seu duelo final num depósito cheio de manequins. Davey mata Rapallo e Glória vai presa junto com os dois comparsas. A polícia descobriu os autores do assassinato do empresário de Davey e concluíram que o lutador agiu em legítima defesa ao matar Rapallo. Davey está na estação de trem, sem Glória, lembrando que ele a deixou sozinha com os bandidos porque ela o magoou. Mas Glória ainda foi atrás de Davey e eles partem juntos para Seattle, não sem antes beijarem-se apaixonadamente, com o letreiro “Killer´s Kiss” em primeiro plano (altamente simbólico!).
O que nos chama a atenção aqui? Em primeiro lugar, a filmagem, montagem e direção de Kubrick. As cenas da luta de boxe são geniais, fotografadas de baixo para cima, com bruscos movimentos de câmara, closes e ângulos do ponto de vista dos boxeadores. O nocaute mostra uma câmara cambaleante que mira para o refletor acima do ringue após a sua queda. Outro ponto de destaque é a filmagem de um pôr do sol em tempo real, além das filmagens da cidade à noite, onde o brilho dos letreiros dos teatros, cinemas e restaurantes é muito bem aproveitado. O uso de espelhos no filme também é sensacional. Davey, ao olhar para Glória na janela em frente à sua, atende ao telefone e fala com o pai. O telefone está numa penteadeira, que dá de frente para a janela de Glória. Vemos Davey falando ao telefone olhando fixamente para Glória, que está fora do enquadramento da cena. Mas podemos observar Glória no espelho da penteadeira de Davey. Outro uso do espelho está numa cena em que Rapallo, possuído pela fúria, joga um objeto em direção a nós, espetadores na sala de projeção. Mas o que acontece é que a sua imagem é dividida em algumas rachaduras, acompanhadas pelo som do espelho quebrando. Assim, percebemos que, na verdade, a câmara faz uma imagem de Rapallo refletida no espelho.
E a música? Ouvimos uma música latina de ritmo muito rápido, que dá dramaticidade às cenas. Outro destaque interessante é a luta entre Davey e Rapallo na sala repleta de manequins. A impressão de presenciarmos corpos despedaçados e pedaços de corpos na cena de luta nos enche de tensão e angústia, ainda da forma como Kubrick colocou a coisa: mãos penduradas em cima da cabeça de Davey, “apontando” para ele; mesas cheias de cabeças; mulheres nuas sem braços e cabeças. Uma sensação opressora semelhante às visões de um campo de concentração (lembremo-nos que o filme foi produzido em 1955, apenas dez anos depois da 2ª Guerra). Essa foi a grande sequência do filme.

Vemos, assim, que “A Morte Passou Perto” nos mostram muitos elementos interessantes de como germinavam os talentos do homem que fez “2001, Uma Odisseia no Espaço”. 


Cartaz do Filme


Davey e Glória


Glória, de uma magreza assustadora


Cenas de luta muito bem fotografadas e montadas.


Davey ameaçando Rapallo.






Cena de luta na sala dos manequins: cenário opressor.


O beijo assassino...




sábado, 8 de março de 2014

Resenha de Filme - Pompeia.

Pompeia. História, Ação e Catástrofe.
Bom entretenimento, não muito mais que isso. Mas “Pompeia” não é de se jogar fora. Vale a pena dar uma conferida nesse filminho de ação incrementado com muitos efeitos especiais. E um elenco onde a gente até mata umas saudades. Vamos ver qual é a boa desse filme.
O pano de fundo de nossa história é o já muito conhecido episódio da destruição da cidade de veraneio romana Pompeia, nos arredores de Nápoles, pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C. São famosas as estátuas petrificadas das pessoas que foram vitimadas pela erupção e que sobreviveram a milênios (ao fim do artigo, falarei um pouco de como essas estátuas foram obtidas). Mas o filme se centra no personagem Milo (interpretado por Kit Harington), um celta de uma tribo de cavaleiros que é massacrada pelo futuro senador Corvo (interpretado pelo eterno “Jack Bauer” Kiefer Sutherland). Milo é o único sobrevivente e é feito de escravo e, mais tarde, gladiador. Ele acaba sendo levado a Pompeia para servir como diversão ao povo nas lutas de vida e morte. A caminho de Pompeia, ele conhece a bela Cassia (interpretada por Emily Browning), filha do governante de Pompeia. Mas Milo também conhecerá o experiente gladiador Atticus (interpretado por Adewale Akinnuoye-Agbaje), que fará uma última luta contra Milo para conquistar sua liberdade, o que significaria a morte de Milo. O senador Corvo também aparece na trama, onde ele quer tomar Cassia como esposa, que resiste, mesmo sob sérias ameaças. Todas as intrigas dos personagens nos distraem até o momento crucial da erupção que se anuncia várias vezes durante o filme. Quando o Vesúvio assume o papel de protagonista, vemos toda uma gama de efeitos especiais: desabamentos de prédios, chãos se abrindo, nuvens de cinzas, pedras em chamas caindo como verdadeiros projéteis, até um tsunami deu o ar de sua graça. Os personagens resolveram todas as suas intriguinhas durante a catástrofe mesmo, mas no fim das contas, morreu todo mundo.
Quais são os pontos positivos do filme? Em primeiro lugar, expressar alguns pontos históricos como as conquistas romanas, a dura vida dos gladiadores, os joguetes políticos de poder na Roma Antiga. Num segundo momento, surge o filme de ação, com as intrigas propriamente ditas entre os personagens, regadas a muitas cenas de luta enxaguadas com sangue. E, no momento final, o melhor estilo de cinema catástrofe, com uma erupção vulcânica soterrando e matando uma cidade inteira, onde os efeitos especiais desempenham o papel principal, tornando os atores meros coadjuvantes entre chuvas de pedras flamejantes. Com relação ao elenco, é bom rever Kiefer Sutherland e Carrie-Anne Moss, a “mulher do Matrix”, lindíssima como patrícia romana e mãe de Cassia.
O desfecho do filme, com o casal apaixonado petrificado, como se a lava cobrisse os dois, me leva a fazer um pequeno esclarecimento como historiador sobre como foram restauradas essas “estátuas”. Na verdade, toda a região de Pompeia foi soterrada por cinzas e lava em 79 d. C. Essa lava endureceu e virou uma pedra preta. No século XVIII, havia muitas suspeitas de que uma cidade romana estava ali soterrada. E as escavações começaram. Às vezes, apareciam uns buracos no meio da pedra com formas humanas, ou seja, a pobre criatura ali soterrada já tinha tido o seu corpo há muito decomposto e somente ficou um buraco com o formato do corpo. Ou sobrou um osso aqui ou ali. O que os escavadores da época fizeram? Quando encontravam um buraco desses, as escavações paravam, o buraco era preenchido com cimento e esperavam secar. Aí então escavavam em volta do buraco e tiravam a “estátua” de como o sujeito morreu na hora da erupção. Podemos ver mulheres grávidas cobrindo o rosto e pedaços de tecidos provavelmente em chamas pelo corpo, um cachorro se contorcendo todo (tadinho!), além de outras situações que ficaram conservadas por praticamente dois milênios e que mostram o horror do que foi essa verdadeira tragédia da Antiguidade. Mas a lava e cinzas também preservaram bem a cidade e hoje é um ponto turístico essencial para quem visita a Itália. Podemos ver casas de patrícios romanos inteiras!

Mas, voltando ao filme, apesar de não ser grande coisa, sempre vale a pena a gente recuperar um tema histórico que vai despertar a curiosidade e vai nos levar a estudos mais aprofundados que nos afastam um pouco da licença poética do cinema. Entretanto, o interesse surge graças a essa licença poética. Viva a criatividade!!!!

Cartaz do Filme.


Milo, o gladiador e herói.


Cassia, nossa mocinha.


Ave Jack Bauer!!!


O corajoso Atticus


Carrie-Anne Moss. Tudo de Bom!!!


Imagem Verídica: Cachorro.


Imagem Verídica: Pessoa Cobrindo o Rosto.


Imagem Verídica.


Imagem Verídica


Imagem Verídica


Vejam como a cidade ficou conservada!!!!


Ruas e casas praticamente inteiras!!!!


Mais uma de arrepiar!!!


Credo!!!!



Criança.


Afrescos do prostíbulo intactos!!!


Último Grito de Dor!!!!



quinta-feira, 6 de março de 2014

Resenha de Filme - O Grande Golpe

Um Golpe no Golpe.
O filme “O Grande Golpe”, de Stanley Kubrick, realizado em 1956, é um “thriller” policial que vai rezar a máxima de que “o crime não compensa”. É um filme muito focado na trama com menos destaque nos elementos técnicos. Cinematograficamente, ele é um tanto usual (nada de experimentações com montagem, como já foi visto em outros filmes do diretor).

A história conta um plano elaborado por uma quadrilha para assaltar um hipódromo e levar todo o dinheiro das apostas. O filme se concentrará na elaboração e execução do plano. Mas também abrirá espaço para a construção dos personagens que compõem a quadrilha. Assim, vemos um bartender do hipódromo que tem uma esposa doente, um policial que deve dinheiro, um caixa do hipódromo cuja esposa interesseira quer melhorar seu nível de vida, etc., como se essas situações nos fizessem entender porque houve a formação daquela quadrilha e a realização do assalto. Toda a trama e a realização do plano são narradas em 3ª pessoa, mas também são apresentadas do ponto de vista dos personagens. O plano não dará certo, pois a esposa interesseira denunciará ao amante, pertencente a outra quadrilha, que o marido participava da tramoia. E, ao tentar roubar o dinheiro, o amante, sua quadrilha e a quadrilha do marido são praticamente dizimadas pelo marido traído. O membro da quadrilha que ficou com o dinheiro tentou fugir de avião, mas a mala com o dinheiro teve que ser embarcada no “check-in”. Quando a mala estava no carrinho de carga que a levaria ao avião, um cachorrinho pulou do colo de uma passageira e invadiu a pista, o que obrigou o motorista do carrinho a fazer uma manobra brusca, que jogou a mala ao chão. Ela se abriu e as notas voaram, voaram e voaram (“dinheiro na mão é vendaval”, diziam os mais antigos). Isso provocou a prisão do último membro da quadrilha vivo. Ah, sim, a esposa interesseira também foi assassinada por seu marido moribundo, ferido no tiroteio. Filmes como esse não são uma novidade (um assalto bem planejado que acaba mal em virtude dos imprevistos). Talvez fossem uma novidade em 1956. Mas vamos e convenhamos: o tiroteio que mata praticamente todo o mundo e o lance do cachorrinho foram geniais e muito engraçados! Houve, também, uma cena de briga no bar do hipódromo que ficou muito engraçada. De qualquer forma, o filme só nos deixa aquela mensagem anglo-saxônica de que “o crime não compensa”, algo que nem sempre é tão certo por aqui nos trópicos. Filme mais para entreter. E ele cumpre a sua missão.


Cartaz do Filme


Planejando o assalto


Marido traído e esposa interesseira




O assalto.


Fuga obstruída pelo “check-in”


Cena de morte: crime não compensa

quarta-feira, 5 de março de 2014

Impressões Sobre o Oscar.

E a festa do Oscar cometeu o grave erro de hipervalorizar "Gravidade". Este talvez tenha sido o filme mais fraco dentre os que concorriam às estatuetas, pois abusou demais da licença poética (nem o Indiana Jones acreditou em algumas das peripécias de uma Sandra Bullock em órbita). Mas a trama de Alfonso Cuarón ganhou sete Oscars. Seus prêmios foram predominantemente técnicos: edição, fotografia, efeitos especiais,  trilha sonora, mixagem de som, edição de som, diretor. Não concordei muito com a fotografia. Talvez "Nebraska", por investir no preto e branco. Efeitos especiais, bom, o prêmio devia ir para o "Gravidade" mesmo. Diretor? Hummm, acho que estão querendo alavancar a carreira do Alfonso Cuarón. Confesso que preferia o Steve McQueen, já que o Scorsese está consagrado. Muita injustiça filmes como Philomena, O Lobo de Wall Street ou Nebraska não levarem qualquer prêmio. Creio que os atores e atrizes, principais e coadjuvantes, foram boas escolhas. Di Caprio pode esperar mais um pouco, pois McConaughey merece todas as honras. Lupita era a grande sensação da noite. Blanchett era um páreo duro com Judi Dench. Jared Leto e Michael Fassbender, qualquer dos dois seria uma boa escolha. Detalhe curioso e positivo foram as premiações para "O Grande Gatsby", merecidas para figurino e desenho de produção. Para filme estrangeiro, "A Grande Beleza" foi até merecido, pela profundidade de sua temática, mas não podemos nos esquecer da ótima tragédia "Alabama Monroe" ou o excelente "A Caça", que também, se premiados, seriam de forma muito bem vinda. O obituário para nós foi especialmente doloroso este ano, por apresentar Eduardo Coutinho (um dos dois membros brasileiros da Academia, o outro é o José Padilha), mas também tivemos outras perdas significativas como Maximilliam Shell, Shirley Temple e o choque que foi a perda de Phillip Seymour Hoffmann. O melhor filme entre os concorrentes, "12 Anos de Escravidão", ganhou somente três estatuetas. Acho que foi pouco pela dimensão e importância do filme. Só quero corrigir uma injustiça que cometi ao espinafrar Brad Pitt na sua participação pequena no filme de Steve McQueen. Ele é um dos produtores do filme. E isso deve ser louvado, pois Pitt sempre foi engajado em causas sociais. 
Assim, para concluir, acho que a distribuição dos prêmios não foi muito justa, pois tínhamos filmes muito bons esse ano e, a meu ver, "Gravidade" não foi lá essas coisas. Ligar uma nave chinesa apertando os botões na base do "uni-duni-tê" é dose para elefante. Isso porque Bullock agarra uma nave a unha em reentrada na atmosfera se queimando e despedaçando toda. Além de praticamente todos os satélites artificiais da Terra terem colidido e se destruído. Mentira no cinema tudo bem, que é a arte ilusória por excelência e não tem qualquer compromisso com a realidade. Mas tudo tem um limite. 


domingo, 2 de março de 2014

Resenha de Filme - Robocop

Robocop. Uma Excelente Obra Prima de José Padilha.
O Cinema Brasileiro faz bonito no exterior. O “Robocop”, de José Padilha tem muitas diferenças com relação ao original lá da década de 1980. Mas são diferenças para lá de positivas. A escolha do elenco também ajudou. Quem viu a reportagem da revista Veja há algumas semanas percebeu que ele conseguiu controle total do filme, algo que em si só, já é um fenômeno nos Estados Unidos, perante às grandes produtoras. Mas temos mais, muito mais aqui para falar.
Só para iniciarmos, o filme tem uma crítica contundente ao intervencionismo americano e as retóricas de direita que justificam tais intervenções. O grande jornal ancorado por Pat Novak, interpretado por um Samuel Jackson simplesmente espetacular (que até faz um pequeno joguete com o leão da MGM) nos mostra a invasão militar das máquinas em Teerã, onde os iranianos são colocados claramente na posição de oprimidos pelo imperialismo americano. Até os terroristas iranianos são expressos de uma forma diferente, onde há a ordem entre eles de não fazer vítimas humanas, mas somente se sacrificar enfrentando as máquinas. Fica claro que as máquinas fazem o papel de cães de guarda dos interesses dos Estados Unidos no mundo inteiro, exceto nos próprios Estados Unidos, onde a opinião pública não aceita tal presença, já que as máquinas não têm intuição e emoção humanas, agindo de forma totalmente fria e calculista. Essa não presença nos Estados Unidos irrita a empresa OmniCorp, por não abiscoitar o maior mercado mundial. Faz-se necessário conquistar essa opinião pública, e o presidente da OmniCorp, Raymond Sellars (interpretado por Michael Keaton), busca um ciborgue, ou seja, um misto entre homem e máquina. Por outro lado, o policial Alex Murphy (interpretado por Joel Kinnaman) sofre um atentado após ser traído por seus próprios colegas de polícia na missão de prender um criminoso. Pronto! As condições para o surgimento de Robocop estão formadas. Cabe dizer aqui que, dentro da história que levou ao atentado contra Murphy, o filme realmente se aproxima muito de “Tropa de Elite”: as tramas policiais, planos para se pegar criminosos, traições, corrupções, violentos tiroteios, onde o som dos tiros abafa a música de fundo, está tudo lá em “Robocop”, tal como vimos em “Tropa de Elite”.
E a transformação de Murphy em Robocop? Esta é muito mais elaborada e pensada na versão de Padilha. Desde o primeiro momento, vemos o diálogo da esposa de Murphy com os executivos da OmniCorp e com o cientista responsável pela transformação do marido em ciborgue, Dr. Dennett Norton (interpretado por um marcante e carismático Gary Oldman), algo que leva a moça a autorizar a transformação do marido. O Robocop de Padilha não nasce completamente mecanizado, mas ainda possui a consciência de Murphy, que tenta fugir, mas é desligado, estando numa filial chinesa da OmniCorp. Ao perceber sua verdadeira condição, Murphy pensa em suicídio, sendo demovido da ideia por Norton. Nas simulações de resgate de reféns, seus movimentos são mais lentos que os dos robôs, pois o elemento humano o torna hesitante. Assim, é feita uma pequena incisão em seu cérebro onde, quando a viseira do traje de Murphy está levantada, é o policial que tem o controle da situação sobre seu corpo, mas quando a viseira está abaixada, é a máquina que comanda, onde o policial pensa que ainda tem o controle. Questionado pelas implicações éticas da situação, Norton a justifica com a magnífica frase: “é a farsa do livre arbítrio”. Ao ser apresentado como a grande invenção da OmniCorp para o público, Murphy surta com o violento volume de informações sobre crimes e homicídios, principalmente quando presencia cenas do próprio crime que sofreu. Na necessidade de ser apresentado imediatamente, Norton é pressionado a estabilizá-lo emocionalmente, tornando-o uma máquina fria e calculista que age violentamente contra um acusado de um crime que está na multidão. Mas Murphy ainda está lá e busca a vingança contra aqueles que provocaram seu atentado, chegando até aos colegas e à sua chefe de polícia. Mas Murphy é imobilizado a mando de Sellars, que aproveita a situação para forjar o assassinato de Murphy e, assim, obter apoio da opinião pública para seus robôs. Isso significava que Murphy deveria ser morto. Mas ele vai reagir contra isso, levando o filme a outros lances espetaculares, agora dentro do mais tradicional filme de ação.
Falamos aqui como o filme faz uma crítica contundente ao intervencionismo e militarismo americanos, algo não visto na versão original de 1987. O filme ainda denuncia a falta de escrúpulos das grandes corporações capitalistas em busca do lucro, assim como o faz a versão original. Mas um destaque deve ser dado na versão de Padilha quanto ao papel da mídia. Enquanto que, na versão original, a mídia se limitava a apresentar as situações absurdas de um futuro imoral com sorrisos e nenhum senso crítico, na versão de 2014, a mídia tem papel muito mais atuante, principalmente na figura do âncora Novak, que defende o intervencionismo americano e o uso das máquinas para a segurança nos Estados Unidos, criticando severamente o senador Dreyfuss (interpretado por Zach Grenier) que criou uma lei contra a presença das máquinas nos Estados Unidos. Mas, quanto ao direitismo da mídia americana, o maior lance passa quase que despercebido quando, ao ser anunciada a votação que derrubará a lei do senador Dreyfuss e permitirá a presença das máquinas de segurança em solo americano, podemos ver no canal de notícias uma barra de notícias escritas que diz “Karl Marx estava certo”, diz o economista fulano de tal. Uma sátira ácida contra o capitalismo dentro de um filme americano de ação. Vocês hão de convir que não se vê isso todo o dia.

Após essa pequena análise sobre o filme, podemos dizer que Padilha expande magistralmente certas questões surgidas na versão original de Robocop, como a corrupção policial e a imoralidade das empresas capitalistas na busca por lucros, além de inserir outras, como uma crítica severa à politica externa altamente imperialista dos americanos. Tudo isso faz de “nosso Robocop” uma obra prima.


 Cartaz do Filme. Cores do Bope...


Alex Murphy: máquina com consciência humana (personagem mais trabalhado aqui).


Moto de Robocop: Caveirão????


Novak (Samuel Jackson): Mídia Direitista.


Máquinas patrulhando um alegre (e dominado) Irã...


Norton (Gary Oldman): onde termina a pesquisa e começa a ética?


Norton e Sellars: relação conflituosa. 

Resenha de Filme - Dr. Fantástico Ou Como Eu Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba.

Dr. Fantástico Ou Como Eu Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba.
Ufa! Esse quilométrico título esconde um dos filmes mais deliciosos de Kubrick. Em plena década de 1960, depois das mazelas macarthistas e da crise dos mísseis, temos talvez uma das maiores comédias sobre a guerra fria e um retrato fiel da insanidade de toda uma época. Insanidade que poderia ter nos custado muito caro, como o próprio filme apresenta.
A história começa com uma denúncia de que a União Soviética teria construído em segredo uma arma que poderia destruir todo o mundo de uma vez só, uma espécie de “máquina do juízo final”. Ainda, mostra também toda uma esquadrilha de bombardeios B-52 que ficam constantemente no ar com as bombas nucleares, sendo acionados em caso de um ataque contra os russos. Pois é. Um brigadeiro totalmente enlouquecido (Jack Ripper, interpretado por Sterling Hayden) e preocupado com uma conspiração comunista para contaminar os fluidos corporais americanos com flúor (é de viajar na maionese mesmo!), ordena o ataque dos B-52 contra a União Soviética. Espera aí, não seria somente o presidente dos Estados Unidos a dar essa ordem? Sim, mas uma falha na segurança acabou abrindo essa brecha para o brigadeiro. Além disso, os B-52 tiveram suas comunicações cortadas e só a senha do brigadeiro poderia impedir o ataque. Mas ele cortou as comunicações de seu quartel e o isolou. Assim, soldados americanos teriam que invadir o quartel protegido por soldados americanos, num tiroteio total de fogo amigo, sob a placa de “Paz é a nossa profissão”. Genial! O filme tem passagens muito hilárias, como a reunião de cúpula no Pentágono entre o presidente e os militares, todos tomados de um anticomunismo doentio, à exceção do presidente. Aqui, devemos dar um especial destaque para George C. Scott, o general Buck Turgidson, que precisa explicar ao presidente todo o imbróglio e dá as sugestões as mais grotescas possíveis para solucionar a crise, bem ao espírito de “Doutrina de Segurança Nacional”, forjada pelos militares americanos para combater os comunistas, e que tanto mal nos fez durante a nossa ditadura militar. Agora, quem realmente deu um show e talvez tenha sido uma das maiores atuações de sua carreira foi Peter Sellers. Ele não interpretou apenas um papel, mas sim TRÊS de uma vez só. Ele interpretou o capitão inglês Lionel Mandrake (tinha um bigodinho sim, como o mágico), um militar altamente centrado, que era o auxiliar do tresloucado brigadeiro Ripper, e que irá descobrir o código para deter o avanço dos B-52; o presidente Merkin Muffley, outro personagem centrado (na fauna do establishment americano, ele é o único personagem de visão coerente, numa mostra de como a figura do presidente da república ainda era respeitada, apesar de todos os deslizes dos governos e dos militares; deve-se mencionar que os diálogos com o premiê soviético ao telefone foram muito engraçados); e o misterioso Dr. Strangelove, um cientista alemão capturado na Segunda Guerra Mundial que fazia cálculos frios sobre as situações mais inusitadas, como, por exemplo, quais seriam os “espécimes” mais adequados de humanos para se colocar em abrigos nucleares. Esse doutor tinha a parte direita do corpo meio que paralisada, meio que fora de controle e, de vez em quando fazia espasmos de saudação nazista, com direito a “Heil!” e tudo, numa crítica para lá de engraçada (e muito contundente) ao militarismo do governo americano. Quando vocês virem o filme, notem que o embaixador russo (interpretado por Peter Bull) não consegue segurar o riso atrás de Sellers. Três personagens diferentes, interpretados por um mesmo ator talentosíssimo que não foi somente o Inspetor Clouseau.

Apesar de o ataque ser detido (inclusive com a ameaça de retaliação da máquina do Juízo Final soviética), um B-52 continua sua missão e atinge o alvo com uma bomba nuclear, detonando a 3ª Guerra Mundial e uma sequência de explosões atômicas que encerram o filme, coroando toda a insanidade de uma guerra fria que nada tinha de lógica. Com “Dr. Fantástico”, Kubrick realizou o milagre de fazer as pessoas rirem de uma situação que tanto as amedrontava: o fim do mundo através de uma guerra nuclear. Pelo menos, hoje podemos rir aliviados (ou não????).


Cartaz do Filme


O enlouquecido Brigadeiro Ripper


George C. Scott (general Buck Turgidson): atuação memorável.



Peter Sellers, como capitão Mandrake: fazendo mágica para evitar a 3ª Guerra.


 Peter Sellers, como presidente Muffley: confiança imaculada no líder máximo.


Peter Sellers, como Dr. Strangelove: nazismo inserido no militarismo americano.


Tiroteio de fogos amigos: a Paz é nossa Profissão!!!!

sábado, 1 de março de 2014

Resenha de Filme - Inside Llewyn Davis. Balada de Um Homem Comum.

Inside Llewyn Davis. Balada de Um Homem Comum. Como Ter Sucesso no Fracasso.
Filme curioso esse. A vida de um músico Zé Mané qualquer que não consegue ir para a frente, às vezes por falta de oportunidade, outras pelo azar e mais algumas por culpa própria. Esse é o panorama de “Inside Llewyn Davis. Balada de Um Homem Comum”, dos irmãos Cohen. Nada de haapy end. Nada de sucesso. Só pés na bunda. Só acúmulos de fracassos. Uma verdadeira cartilha de como quebrar a cara.

A história conta a saga de Llewyn Davis (interpretado por Oscar Isaac), um músico de folk americana que busca decolar sua carreira. Mas ele não consegue muito, tocando em night clubs de terceira e vagando por Nova York sem eira nem beira, dormindo aqui e ali nos sofás das casas de amigos, segundo ele mesmo, enquanto não o odeiam. Volta e meia, pede um dinheiro emprestado, busca migalhas de royalties, busca a ajuda de um ou outro amigo. À medida que conhecemos o personagem, vemos que ele vacila feio em algumas oportunidades e sua má situação é consequência das atitudes que toma em alguns momentos. A gente vai ficando meio que exasperado com as situações escabrosas que o protagonista é obrigado a passar, mas lá pelo meio do filme, vemos que o caso dele é perdido. Não há qualquer perspectiva. Ele, como o próprio título do filme diz, é um homem comum. E para homens comuns não há desfechos magníficos e fantasiosos onde tudo termina bem e o sucesso bate à porta. Homens comuns têm finais realistas, ou seja, ficam presos dentro das teias de sua vidinha medíocre, onde sua condição de fracassado não desperta a simpatia de ninguém, salvo umas poucas exceções que o nosso protagonista é burro demais para se apoiar, inclusive cuspindo no prato que come. A situação de mediocridade e fracasso é tão latente que o filme termina exatamente como começa, com nosso herói (?) sendo espancado num beco escuro por um desconhecido sabe-se lá porque (deve ter vacilado de novo!!!). Essa receita de se terminar um filme exatamente como ele começa para mostrar um ciclo que se fecha sob si mesmo exaltando uma situação de morosidade, de marasmo e melancolia não é uma novidade. Já vimos isso em “Barfly”, com Mickey Rourke, onde ele interpretava um alcoólatra que também não vislumbrava uma saída para a sua vida de vício e mediocridade. Filmes como esse são úteis no sentido de que podem nos assustar muito, pois se aproximam demais da vida real, que nada tem de bonito e que, algumas vezes, nos conduzem a um beco sem saída. Cabe a nós examinar as atitudes dos personagens e perceber o que eles não estão fazendo para poder quebrar esse ciclo tão devastador que às vezes recai sobre a gente. É o cinema mais uma vez prestando um serviço às nossas vidas. Arte ilusória, arte mentirosa, mas que às vezes aguça nosso pensamento mostrando a verdade e a realidade da forma mais arrebatadora. O detalhe curioso aqui é que, no mesmo pé sujo onde Llewyn Davis afundava sua vida, um jovem músico com uma gaita e um violão cantava sua folk music: Bob Dylan. Mesmo buraco, escolhas diferentes. Um fracasso e um sucesso. Outro sinal que o filme nos dá de que são os nossos atos que nos definem e nos transformam. Ah, não posso me esquecer de John Goodman e F. Murray Abraham, que deram um show de interpretação nos poucos momentos em que participaram do filme.

 Cartaz do Filme.


Decisões erradas levam Llewyn a ser babá de gato.


Frio e Melancolia.


Sem ter onde ficar. Exasperação inicial, resignação ao final.


Folk is my job.