Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Foxcatcher

Foxcatcher. Mais Uma Tragédia Real.
Se há uma coisa impressionante nos últimos tempos é a grande quantidade de filmes produzidos inspirados em histórias reais. Nunca a frase “a arte imita a vida” esteve tão em moda. E vemos mais uma vez essa máxima no filme “Foxcatcher”, cujo título graças ao bom Deus não foi traduzido aqui no Brasil, ou seja, preferiu-se divulgar o filme com seu título original. Essa película é mais uma que está concorrendo ao Oscar desse ano, no total cinco estatuetas (diretor para Bennett Miller, mesmo diretor de "Capote"; ator para Steve Carell; ator coadjuvante para o "Hulk" Mark Ruffalo; roteiro original; cabelo e maquiagem). O filme ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes.
Temos aqui a história de dois irmãos, Mark e David Schultz (interpretados, respectivamente por Channing Tatum e Mark Ruffalo). Eles foram campeões olímpicos de luta greco-romana nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984. Como os americanos ganham muitas medalhas de ouro em jogos olímpicos, os irmãos não são muito conhecidos e vivem em dificuldades financeiras, indo até onde o emprego está. Isso vai separar os dois. Mark será chamado pelo multimilionário John du Pont (interpretado por um irreconhecível Steve Carell) para treinar em sua fazenda particular, a “Foxcatcher”. Desde o primeiro momento, fica claro que John tem sérios problemas de ordem psicológica, sendo uma pessoa muito seca, fria e obcecada em luta greco-romana e em conquistar medalhas para os Estados Unidos em jogos olímpicos, com o objetivo de “criar bons exemplos para a América”. Mark, burrinho como ele só, e sem muitas boas perspectivas de vida, cai de cabeça no projeto de John, tentando inclusive levar seu irmão para lá, sem sucesso. Com o tempo, fica muito clara a forma como John trata as pessoas: todo mundo deve servi-lo, pois caso não respeitem sua vontade, o homem se torna violento. Além da luta greco-romana, John também é fissurado por armas, chegando a encomendar um tanque do exército com metralhadora e tudo. Ele tem uma rusga pessoal com sua mãe, Jean (interpretada por uma envelhecida Vanessa Redgrave): enquanto ela tem paixão pelo hipismo, o filho é apaixonado pela luta greco-romana. Um odeia a paixão do outro, tornando a relação entre mãe e filho tomada por um conflito silencioso, mas muito presente. Mark conhecerá a cocaína com John e relaxará nos treinamentos, o que provoca a ira de John e a vinda de David para Foxcatcher. Agora, os irmãos juntos vivem sob a influência do megalomaníaco milionário, que quer ser considerado um grande treinador de luta greco-romana, ofício mais justamente atribuído a David.
É uma história digna de análise de psicanalistas, sobretudo no que se refere ao comportamento doentio de John. Steve Carell, que nos acostumamos a ver em comédias bobinhas como a refilmagem de “Agente 86”, está irretocável nesse filme. Não foi somente a maquiagem, que lhe deu uma leve calvície e um grande narigão, o trunfo para fazer um personagem tão característico. Sua atuação foi também primorosa, com um olhar penetrante e um comportamento seco, esquisito e obsessivo. O cara realmente dava medo. Seu jeito de ser era altamente intimidante. Só de pensar que existe mesmo uma pessoa assim, é de arrepiar. Mas podemos ver também como tal psique foi sendo construída ao longo do tempo. Uma infância sem amigos, a rejeição da mãe a tudo o que ele valorizava, criando uma relação de ódio embutido, uma solidão em ricas e extensas propriedades repletas de salas de troféus, dinheiro a dar com o pau possibilitando todo o acesso a riquezas materiais e a noção de que se pode tudo. Essas foram as situações que levaram à personalidade distorcida de John.

O filme tem uma cadência lenta, tornando-se um pouco maçante em alguns momentos. Mas sua principal atração é a natureza das relações humanas e a coisa acaba fluindo. Dessa forma, “Foxcatcher” se constitui num bom filme, que deve ser visto pelos cinéfilos de plantão.


Cartaz do filme


Mark. Necessidades de emprego levam o lutador a...


...John du Pont, de comportamento doentio...


... e para longe de seu irmão, David...


No início, tudo ia bem...


...mas, com o tempo, a coisa ficou meio áspera...


O milionário tinha paixão por armas...



... e obsessão em ser um grande treinador...


Comparação entre Steve Carell e o verdadeiro  John du Pont


Comparação entre Mark Ruffalo e o verdadeiro David  Schultz


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Comparação entre Channing Tatum e Mark Schultz (excelentes caracterizações...)


Foto de divulgação. Muito fofa!!!! (quem te viu, quem te vê, Hulk...)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - O Jogo da Imitação

O Jogo Da Imitação. Nascia Um Dos Primeiros Computadores.
Mais um candidato ao Oscar nas nossas telonas. E um baita candidato. Estreou “O Jogo da Imitação”, filme que se passa na Segunda Guerra Mundial estrelado pelos bons Benedict Cumberbatch (o nosso estimado Khan) e Keira Knightley. Essa película concorre a sete estatuetas (filme, diretor para Morten Tyldum, ator para Cumberbatch, atriz coadjuvante para Knightley, edição, direção de arte, trilha sonora original).
Vemos aqui a história do renomado matemático Alan Turing (interpretado por Cumberbatch), que entra no serviço de inteligência inglês para decifrar códigos secretos dos nazistas gerados por uma máquina conhecida como Enigma. Os ingleses tinham um modelo dessa máquina roubada dos alemães. Ela tinha a capacidade de gerar 159 trilhões de códigos por dia, sendo uma tarefa impossível de decifrar (os cálculos durariam vinte milhões de anos). Turing, em sua frieza e arrogância, trabalhava em separado dos seus outros colegas, especialistas em decifrar mensagens criptografadas, e começou a desenvolver uma máquina que iria gerar essas combinações de forma mais rápida que o homem (ou seja, uma espécie de computador pessoal primitivo). Devido ao seu pouco trato em lidar com as pessoas, ele era odiado por todos e tinha o seu projeto bloqueado. Mas uma conversinha com Churchill deu a ele a autonomia necessária para assumir o controle, demitindo alguns de seus colegas e contratando outros usando um jogo de palavras cruzadas como teste de aptidão. Um dos novos trabalhadores selecionados será Joan Clarke (interpretada por Knightley), que era vista com preconceito por ser mulher (elas não faziam atividades intelectualizadas para a grande maioria da cultura machista de então), mas foi aceita por Turing e ajudou o matemático a interagir de forma mais afável com seus colegas. Com o grupo formado, buscou-se, então, construir a tal máquina.
Essa é mais uma trama inspirada numa história real. O filme também vai abordar o homossexualismo de Turing, assim como as perseguições e punições na justiça que ele sofreu por isso. Episódios envolvendo espionagem com os russos também aconteceram, sendo outra pressão que esse grupo sofreu, já que eles participavam de uma missão confidencial.
Mais uma vez tivemos uma narrativa com um vai e vem no tempo, onde a época em que Turing estava desenvolvendo a máquina era alternada com sua infância (com o objetivo de explicar seu comportamento muito áspero com as pessoas) e com uma época pós 2ª Guerra, onde ele é ainda investigado por espionagem, quando seu homossexualismo é tornado público. Essas quebras na linearidade temporal da história devem ser feitas de forma muito responsável, pois podem confundir o espectador, ainda mais quando não são citados os saltos no tempo, como aconteceu nesse filme. Esses saltos mereceram uma atenção especial do espectador. Do jeito que foi feito, uma narrativa mais linear seria melhor com, no máximo, uns poucos flash-backs com relação à infância de Turing.
Com relação aos atores, nem é preciso dizer da competência de Cumberbatch e Knightley. Vale ressaltar aqui a ótima interpretação de Charles Dance como o comandante Denninston, desafeto declarado de Turing. Esse ator, que contracenou com Sigourney Weaver em “Alien” na década de 1990 e foi a criatura maligna do “Drácula” lançado recentemente, sempre nos brinda com boas atuações e as sequências com Cumberbatch ficaram muito boas.

Definitivamente, “O Jogo da Imitação” é um candidato digno ao Oscar, pois conta mais uma boa história real, onde é exibida a ação das forças de inteligência durante uma guerra, além de mostrar como o surgimento da tecnologia dos computadores se deu nessa época. A denúncia do sexismo e da homofobia latentes naqueles anos passados é outra grande virtude do filme. Vai ser decepcionante se ele não for bem premiado. Somente a montagem, com as idas e vindas no tempo, ficou a desejar.

Cartaz do filme


Alan Turing. Arrogância e pouco tato no trato com as pessoas


Joan Clarke irá facilitar o convívio de Turing com sua equipe.


Nada como uma companhia feminina, mesmo para um homossexual...


Equipe de Turing em ação...


Comandante Denninston. Choques severos com Turing.



Coletiva de imprensa


O verdadeiro Alan Turing. Boa caracterização. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Acima das Nuvens

Acima Das Nuvens. Quando A Arte De Interpretar Afeta O Artista.
Juliette Binoche ataca novamente. Desta vez, ela contracena com a “vamp” do século 21, Kristen Stewart, no bom filme “Acima das Nuvens”, de Oliver Assayas. Esse filme ganhou os prêmios de melhor roteiro e atriz (Binoche) no International Cinephile Society Awards de 2014 e de melhor filme no Prix Louis Delluc, de 2014, além de ter sido indicado para a Palma de Ouro em Cannes em 2014.
Vemos aqui a história de uma renomada atriz, Maria Enders (interpretada por Binoche), que vai sofrer uma grande perda: a morte do escritor que alavancou sua carreira. Quando jovem, Maria encenou uma peça onde ela era uma jovem, Sigrid, que manipulava de forma sórdida a afetividade de Helena, uma mulher mais velha e sua chefe, levando-a ao suicídio. Impossível não lembrar de “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant”, de Fassbinder. Vinte anos depois, e com a intenção de homenagear o escritor morto, Maria é convidada para encenar novamente a peça que a tornou conhecida, só que agora interpretando o papel de Helena. Ou seja, a atriz teve a oportunidade de experimentar os dois lados da moeda. Apesar de relutante, ela aceita o desafio. Sigrid será interpretada desta vez por uma jovem atriz de dezenove anos, Jo-Ann Ellis (interpretada por Chloë Grace Moretz), que está envolvida seguidamente em escândalos na mídia e perseguida por papparazis (impossível não se lembrar de Lindsay Lohan). Maria irá se refugiar na casa do escritor nos Alpes e ensaiará o papel com sua assistente, Valentine (interpretada por Kristen Stewart).
O filme tem características muito interessantes. A mais marcante delas é o ensaio da peça feito por Maria e Valentine. Há toda uma tensão evidente pela forma desconfortável que a coisa se dá. Maria tem dificuldades em encenar Helena e, ao mesmo tempo, de se desvencilhar de Sigrid, como se ela mesma não aceitasse a passagem do tempo e quisesse reviver o passado. Por outro lado, Valentine, que não era atriz e só reproduzia as falas, também fazia sua leitura das personagens, entrando em conflito com a leitura de Maria, que dominava o ofício da interpretação. É uma história que mostra nitidamente como a arte de atuar afeta emocionalmente o artista. Trabalhar como ator não é somente ir lá e declamar falas decoradas com as intensidades emocionais adequadas. O ator também tem que incorporar o personagem, senti-lo, entendê-lo em seu íntimo e psíquico. Apenas dessa forma, se consegue uma boa atuação. E aí, isso pode esgotar física e psicologicamente o profissional da atuação, como vemos sinalizado nessa trama.
Uma elemento muito instigante visto no filme é até onde a história de Maria e Valentine se aproxima da história de Sigrid e Helena. Guardadas as devidas proporções na comparação, ambas são histórias de relacionamentos entre uma mulher mais madura e uma mais jovem, onde aparece uma dependência afetiva entre as duas. Se na peça, a relação é conflituosa, na “vida real” a atriz e a sua assistente tem seus momentos de tensão, mas também de intimidade, como o banho no lago ou o voyeurismo de Maria ao ver Valentine dormindo seminua.
Outro detalhe interessante da película é o choque de gerações. Maria estranha o novo mundo de atores jovens que rapidamente se tornam supercelebridades cobiçadíssimas pela mídia, onde a arte de atuar é colocada em segundo plano. São hilárias as cenas onde Maria tem ataques de riso depois de ver com Valentine um filme de ficção científica onde Jo-Ann atua, para desgosto de Valentine, que busca paralelos entre o blockbuster e o que Maria faz em seu trabalho, o que desperta mais risos na madura atriz.

Dessa forma, “Acima das Nuvens” é um filme muito recomendável para aqueles que gostam dos meandros da arte de atuar. E uma boa atração para o grande público, pois tem a curiosidade de se mostrar duas atrizes famosas e consagradas de diferentes gerações atuando juntas. E nunca podemos nos esquecer que Binoche é Binoche, até em “Godzilla”.


Cartaz do filme



Maria e Valentine. Momentos de descontração...



Maria e Valentine. Momentos íntimos...



Maria e Valentine. Momentos de tensão...



Jo-Ann. Atriz problema...



Ensaiando nas nuvens...



Nas coletivas de imprensa da vida.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Mommy

Mommy. Não Tem Jeito.
Um filme canadense. “Mommy” aborda o já batido tema dos adolescentes-problema. E, como sempre, de forma nua e crua, ou seja, como problema insolúvel, onde os filmes sérios sobre o assunto dão o mesmo desfecho. Esse filme de Xavier Dolan recebeu o prêmio do júri em Cannes no ano passado, além de ter sido nomeado para a Palma de Ouro.
Vemos aqui a história de Diane “Die” Després (interpretada por Anne Dorval), uma viúva desempregada que não é o melhor exemplo de bons modos, sendo agressiva e desbocada. Ela tem um filho, Steve (interpretado por Antoine-Olivier Pinon), um moleque para lá de endiabrado que tem problemas sérios de comportamento, com explosões de violência. Ele está trancafiado numa espécie de reformatório e foi expulso de lá depois de provocar um incêndio que provocou sérias queimaduras em um dos internos. Assim, Diane e Steve terão que viver debaixo do mesmo teto, numa relação que nem é preciso dizer que é altamente conflituosa, senão perigosa. Do outro lado da rua, vive Kyla (interpretada por Suzanne Clemént), uma professora que está de licença depois de ter passado um violento trauma, que inclusive lhe custou uma espécie de gagueira temporária. Num dos arroubos de violência extrema entre Diane e Steve, Kyla foi socorrer mãe e, principalmente filho, que ficou seriamente ferido depois que a mãe se defendeu de uma das tentativas de assassinato que o filho fazia contra ela num acesso de loucura. A natureza frágil e doce de Kyla vai tornar Steve um pouco mais domado e a moça vai começar a dar aulas particulares para o adolescente. O que vemos daí em diante é uma tentativa muito esforçada de Diane e Kyla na recuperação de Steve, não sem enfrentar caminhos altamente tortuosos.
Tais filmes sempre são um convite à reflexão. Nossa reação inicial é a de entrar no filme e cobrir o garoto de porrada. Mas, com o desenrolar da história, começamos a entender porque o menino é daquele jeito tão violento, pois perdeu o pai e não se conformava com isso. Aí percebemos como é difícil e tortuoso o caminho para recuperar um adolescente cheio de problemas. Os filmes que abordam essa temática geralmente mostram que as tentativas na busca pela recuperação são, na maioria das vezes, um beco sem saída, como vemos na vida real. Seria clichê demais um final feliz num assunto tão polêmico. O filme até parece enveredar nessa direção, mas é mais um delírio de Diane. Como a arte imita a vida aqui, o desenrolar da trama é muito tenso e doloroso, embora entremeado de alguns momentos de felicidade. O desfecho nos deixa no ar, com a impressão do problema visto como insolúvel. Ou seja, pau que nasce torto, morre torto e o resto é conversa fiada.
A grande virtude do filme está na atuação dos atores, altamente convincente. Embora o personagem de Steve seja um tanto estereotipado e, talvez, mais fácil de interpretar, Antoine-Olivier Pilon soube conduzir bem o personagem. Mas Suzanne Clément deu um show, sabendo ser contida e mais solta nos momentos certos, às vezes separados por intervalos de tempo muito pequenos. Anne Dorval também não decepcionou.

Dessa forma, “Mommy”, apesar de ser muito pesado, tem a grande virtude de convidar o espectador à reflexão da responsabilidade de se educar um filho e formar um ser humano. Quando tal tarefa é mal feita, as consequências podem ser trágicas. E filmes como “Mommy” não deixam a gente esquecer disso.

Cartaz do filme.


Die. Uma mãe perdida.


Steve. Mais perdido ainda.


Mãe e filho. Relação explosiva.


Kyla chegará para ajudar. Bons momentos.


Nas coletivas de imprensa da vida...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - O Vento Lá Fora.

O Vento Lá Fora. Quem É Esse Pessoa?
Ah, a Literatura e o Cinema. Sempre essas duas artes andaram de mãos dadas. Alguns a acham mutuamente excludentes. Outros acham que elas se completam, que elas podem interagir e levar à reflexões e grandes e vigorosos produtos culturais. Veja o filme, leia o livro. O filme foi melhor que o livro. Uma imagem vale mais que mil palavras? A era digital vai criar novos parâmetros para a relação entre Literatura e Cinema? Perguntas, perguntas e perguntas, dignas para o Recine do ano passado.

Mas vamos falar aqui de uma pequena pérola em preto e branco do cinema brasileiro, de apenas 62 minutos, intitulada “O Vento Lá Fora”. A ideia principal do filme é muito simples. Versos de Fernando Pessoa declamados por Cleonice Berardinelli, imortal da Academia Brasileira de Letras, e Maria Bethânia, uma das mais importantes figuras da MPB. A grande diversão do filme é escutar os versos do grande poeta e as análises da imortal. À Maria Bethânia, coube a declamação e a divertida tietagem explícita ao poeta declamado e à Cleonice. Mas isso não significou que o papel da cantora foi pequeno. Seus diálogos informais com Cleonice foram muito deliciosos e arrancam risadas da gente. Mas quem realmente dá um show é Cleonice, que analisa friamente a poesia altamente refinada e bela do grande escritor, orientando Bethânia na pronúncia correta para se fazer a boa rima, mas, ao mesmo tempo, se emocionando com os escritos de Pessoa, onde lábios trêmulos e pequenas lágrimas denunciavam a forma como a imortal ficava tocada. Aplausos eram escutados em vários momentos do filme, tanto pela genialidade do poeta, quanto pela genialidade da imortal, quanto pela beleza da forma como as poesias eram declamadas. É um filme que é um verdadeiro deleite aos amantes da boa literatura, sobretudo a produção literária de Fernando Pessoa. Para quem gosta dessas duas formas de arte (Literatura e Cinema), é um prato cheio. Vale a pena dar uma chegadinha ao cinema ou depois pegar (ou até comprar para ter definitivamente) o DVD. Não deixe de conferir.


Cartaz do filme


Cleonice e Bethânia. Versos em ambiente descontraído.


Ensinando a pronúncia correta.


O verdadeiro astro principal da película...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Segunda-Feira ao Sol

Segunda-Feira Ao Sol. Testemunho De Que Nada Muda.
Dia desses, tive a oportunidade de rever no Cine Joia um bom filme espanhol lá de 2002, “Segunda-Feira ao Sol”. Premiadíssimo, por sinal. Só para se ter uma ideia, essa película dirigida por Fernando León de Aranoa e estrelada pelo excelente Javier Bardem, recebeu 41 prêmios e 18 indicações. Dentre os prêmios, podemos citar: Festival de Gramado de 2003 (melhor filme, diretor e ator latinos), Goya de 2003 (melhor diretor, ator, ator coadjuvante, revelação de ator, filme) e Fotogramas de Plata de 2003 (melhor filme e ator).
Temos aqui a história de Santa (interpretado por Bardem), um estivador desempregado na cidade de Vigo, Espanha, pois o estaleiro da cidade fechou em virtude de uma concorrência desleal com um grupo coreano. Santa não é o único afetado por tal situação. Todos os seus amigos passaram pelo mesmo problema de desemprego e receberam uma indenização. Uns conseguiram rearrumar suas vidas, tornando-se ou dono de bar ou segurança de uma empresa privada. Mas outros permaneceram no desemprego, o que tornava o cenário desolador. E assim, os antigos estivadores tentavam levar as suas difíceis vidas aos trancos e barrancos.
O filme é uma antiga história que se repete dentro da dinâmica do sistema capitalista. Realizado pelos idos de 2001, 2002, “Segunda-Feira ao Sol” denunciava o que a economia de mercado e o neoliberalismo provocavam de nocivo na sociedade, onde a ausência de qualquer medida protecionista por parte dos governos levavam ao  desemprego e a miséria, achatando ainda mais uma classe já não tão favorecida. Esse não foi o único filme a abordar o tema naquela época. Tivemos o excelente “Quando Tudo Começa”, de Bertrand Tavernier, que falava da vida de um professor primário da França, também enfocando os efeitos malignos do neoliberalismo na sociedade.
 Mas, voltando ao caso do filme espanhol, percebemos a total falta de perspectiva de Santa e seus colegas. O protagonista é o que tem uma atitude um pouco mais descolada, arrumando todo o jeito para buscar um dinheiro aqui e uma comida ali, seja cantando a moça que dá amostras grátis de queijo no supermercado, seja trabalhando de babá para a filha do dono do bar, que quer sair com o namorado e tem que tomar conta do filho de um ricaço. Outro amigo de Santa, Lino (interpretado por José Angel Egido), faz constantes entrevistas em agências de emprego, tentando aparentar ser mais jovem, sem sucesso. Amador (interpretado por Celso Bugallo), é o caso mais deprimente. Abandonado pela mulher, diz que um dia ela voltará e mora sozinho num prédio abandonado. José (interpretado por Luis Tosar) convive com humilhação de ser sustentado pela mulher, Ana (interpretada por Nieve de Medina), que se envolve com outro homem em seu emprego numa fábrica de atum enlatado. José, portanto, corre o risco de perder a mulher e o sustento.

Definitivamente, é uma película completamente desesperançada, no melhor estilo “a arte imita a vida”. Um filme para se refletir muito de como a ganância do sistema capitalista é capaz de destruir a vida de uma pessoa. O mais cruel aqui é perceber que a venalidade do sistema faz tal temática se tornar recorrente no cinema, pois hoje a chamada crise econômica mundial, estourada em cerca de 2008, produz histórias como a de “Miss Violence”, onde novamente corações e mentes são dizimados por situações financeiras humilhantes. Não é à toa que “Segunda-Feira ao Sol” tenha ganhado tantos prêmios. Só é de se lamentar que a película foi exibida somente no Joia e com muitas falhas nas legendas. Mesmo assim, é um programa que vale muito a pena.


Cartaz do filme.


Desemprego e semblantes fechados


Entrevistas de emprego. Tem que ter menos de 35 anos...


Medo de perder a esposa.


Desgosto pela esposa já perdida...


Santa, o mais safo...


Amigo russo. Ironias refinadas...



Que dia é hoje mesmo???? 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Resenha de Filme - Invencível.

Invencível. E Não É Que Esculacharam A Angelina Jolie?
A lista para os indicados ao Oscar de 2015 sofreu uma baixa que muitos considerariam inesperada. Angelina Jolie, que poderia concorrer ao Oscar de Melhor Diretora. Seu filme de guerra, “Invencível”, não foi muito bem recebido e teve poucas indicações para o Oscar (fotografia, edição de som e mixagem de som). Quando um filme é tão espinafrado assim, torna-se um lugar comum todo mundo espinafrar junto. Como eu defendo a tese de que tudo tem o seu lado bom e seu lado ruim, vamos aqui procurar as virtudes de “Invencível”.
O filme inspira-se a história real do ítalo-americano Louis Zamperini (interpretado por Jack O’Connell), um menino-problema que não tinha qualquer perspectiva de vida. Ele apanhava de WASPs e era acusado de arrumar confusões na rua, sendo fortemente reprimido pelo pai. Mas seria estimulado pelo irmão a treinar para corridas, tornando-se um especialista em provas de média distância, chegando aos jogos olímpicos de 1936 em Berlim como uma promessa para a próxima Olimpíada, que seria realizada em Tóquio, quatro anos depois. Mas a Segunda Guerra Mundial estoura em 1939 e a futura promessa torna-se um combatente aéreo no Pacífico. Seu avião cairá no oceano e ele ficará 47 dias sobrevivendo com dois amigos com peixes e água de chuva. Um de seus amigos morre e ele será capturado, juntamente com outro amigo sobrevivente, pelos japoneses, onde será prisioneiro até o fim da guerra, passando por várias agruras.
Essa história seria absurda demais até para o cinema, se não fosse verdade, é o que se tem dito por aí. E quais são as qualidades de “Invencível”? Em primeiro lugar, uma boa reconstituição de época, seja nas cenas de combates aéreos, onde tivemos bons efeitos especiais, seja nas cenas da Olimpíada, com uma excelente reconstituição do estádio olímpico de Berlim. Em segundo lugar, a interpretação dos atores. Com nomes pouco conhecidos por aqui, tivemos boas surpresas como o próprio Jack O’Connell e, principalmente, Takamasa “Miyavi” Ishihara (astro pop japonês e que nunca havia interpretado para o cinema), como o oficial Watanabe, que liderava o campo de prisioneiros. Esse personagem, extremamente sádico e cruel, foi bem interpretado por Miyavi, que impressionava por seu olhar penetrante e fala mansa, mas muito firme. Pior do que as recorrentes surras de bambu era a forma com que ele se dirigia aos prisioneiros, abalando-os psicologicamente antes de espancá-los. Típico líder que domina pelo medo, definitivamente o personagem mais interessante do filme. Ao final da película, cenas reais dos personagens do filme e legendas explicando o que aconteceu a eles depois da guerra davam um tom de credibilidade a uma história verdadeira de cara muito inusitada. Zamperini se tornou um pacifista.
O que mais incomodou foi uma ida e volta de flash-backs na estrutura narrativa do filme que aparece mais em sua primeira metade e desaparece na segunda parte. Talvez fosse melhor uma narrativa mais linear, sem voos audaciosos. E, sendo um filmão de estúdio, alguns clichês clássicos apareceram, como uma trilha sonora grandiosa em alguns momentos-chave da história ou um enfoque exagerado na figura do protagonista. Seus companheiros do campo de prisioneiros eram, obviamente, os coadjuvantes, mas a história de uns poucos deles poderia ter sido mais abordada, mostrando que Zamperini não era o único barbarizado na prisão, como ficou parecendo.

Mas, de qualquer forma, “Invencível” não merecia tão duras críticas, acusadas por alguns até de sexismo, por se tratar de uma diretora mulher. Foi um belo esforço de quem ainda começa nesse ofício e, se teve alguns problemas, também há virtudes. Um filme que deve ser visto em minha modestíssima opinião.

Cartaz do filme


Zamperini. De menino-problema a astro olímpico


Competindo em Berlim.


Mas a guerra o transformou num combatente dos ares do Pacífico.


Náufrago 47 dias em alto-mar.


Pressões psicológicas.



Miyavi estreou muito bem como ator...


Superando as humilhações.


Angelina Jolie na direção.


Jolie e o verdadeiro Zamperini, seu vizinho...