Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Resenha de Filme - O Exótico Hotel Marigold 2

O Exótico Hotel Marigold 2. Velho e Novo Mundo.
Uma interessante sequência em nossas telas. “O Exótico Hotel Marigold 2” traz de volta uma turma de velhinhos bem simpática que no primeiro filme, havia viajado à Índia para um hotel que se revelou um verdadeiro fiasco. Seu proprietário, Sonny (interpretado por Dev Patel) é um jovem meio sem noção que metia os pés pelas mãos na hora de administrar o hotel. Ele também tem uma namoradinha, Sunaina (interpretada pela berlíssima Tina Desai), que o ajuda no hotel. O primeiro filme (que, seguindo uma lógica das continuações é melhor que o segundo) mostrou toda uma química entre Sonny e os hóspedes europeus e idosos do hotel, transformando a trama num drama divertido, que entretinha bastante. Dessa forma, tentou-se repetir a receita nesse segundo filme.
E a coisa ficou meio parecida como antes. A história se apoia num bom elenco, capitaneado por Judi Dench, mas que também conta com figuras como Maggie Smith, Richard Gere e Bill Nighly. Cada personagem do filme traz peculiaridades referentes a problemas com a idade avançada. A personagem de Judi Dench, Evelyn, busca reconstruir a sua vida depois de ter perdido o marido. A personagem de Maggie Smith, Muriel, tem constantes problemas de saúde, bem ao estilo da fase condor (com dor no pé, na coluna, na cabeça, nas juntas, etc.), mas ela é uma verdadeira aliada e conselheira para evitar que Sonny se enrole em suas trapalhadas. Douglas, o personagem de Bill Nighy, busca um affair com Evelyn, mas sua insegurança embola o meio de campo. E por aí vai...
Nesse segundo filme, Sonny precisará comprar um novo hotel para expandir seus negócios, já que o Hotel Marigold está praticamente todo ocupado com os idosos simpáticos, que resolveram se estabelecer por lá. Ele irá fazer uma viagem aos Estados Unidos para convencer uma grande rede hoteleira que pode abrir uma franquia dela na Índia. E aí uma espécie de inspetor chegará de surpresa para analisar as instalações. Um belo dia, chega um tal de Guy Chambers (interpretado por Richard Gere), que Sonny desconfia que é o tal inspetor, mais uma vez se enrolando todo. Para piorar, um parente de Sunaina, que provoca muitos ciúmes em Sonny, comprou o hotel que ele queria comprar.
A história é bem simpática, embora não conte com a boa presença de Tom Wilkinson, como ocorreu no primeiro filme. Cabe dizer aqui que, apesar da boa vontade com a cultura indiana, onde figurinos e locações lindíssimas são exaustivamente usados (as cenas de casamento à indiana já valem o ingresso), ainda há aquele olhar estereotipado europeu, onde o indiano é visto como uma criatura caricata e submissa. O papel de Sonny é emblemático. Ele é um carinha que se enrola todo, provoca risos e constrangimentos e precisa ser orientado pela civilizada Muriel. Os demais personagens indianos assumem uma postura muito periférica perante os primeiro mundistas. A mãe de Sonny é uma senhora muito bonita, mas tem um gênio muito forte. O motorista de Madge (interpretada por Celia Imrie), a velhinha mulherenga que seduz dois figurões indianos ao mesmo tempo (a europeia esperta aplicando o golpe nos indianos trouxas), é um personagem muito educado e solícito, mas numa dose que beira a submissão. Há, ainda, uma funcionária indiana do hotel que nem inglês fala e segue a mesma linha. Ela chega a derrubar o chá numa das hóspedes “civilizadas” e é tomada pelo desespero, sendo repreendida pela hóspede. Lamentável. Uma verdadeira aula de olhar europeu imperialista sobre os povos “inferiores” colonizados da Ásia. E isso porque o filme quer deixar a cultura indiana bem na fita. Imagine se não fosse assim...

Querelas históricas e sociológicas à parte, o filme ainda é indicado para quem quer uma historinha leve, divertida e terna, cuja grande atração, ao fim das contas, é as locações e figurinos, muito bem cuidados e estudados. Vale a pena dar uma conferida nessa continuação.

Cartaz do filme.



Judi Dench como Evelyn. Buscando recomeço numa carreira profissional.


Douglas. Buscando se aproximar de Evelyn.


Muriel e a indiana para lá de submissa, ao olhar da bela Sunaina, ao fundo


Sonny, o estereótipo do trapalhão, querendo convencer Chambers de que pode ser um bom dono de hotel.



Locações e figurinos. As grandes vedetes do filme.


Um casal muito fofo, apesar dos estereótipos...


terça-feira, 12 de maio de 2015

Resenha de Filme - A Estrada 47

A Estrada 47. Um Bom Filme De Guerra.
Uma boa co-produção Brasil, Itália e Portugal nas telas. “A Estrada 47” é um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, tema já bastante explorado no cinema. Mas agora, há todo um colorido especial, pois é um filme sob o ponto de vista dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB). E a história tem o grande mérito de assinalar vários fatos que ocorreram com os soldados brasileiros na 2ª Guerra: o despreparo das tropas, as críticas da imprensa, a forma como os soldados brasileiros realizaram grandes feitos, apesar de todas as dificuldades envolvidas como o inverno rigorosíssimo que a Europa passava naqueles anos e o tratamento secundário dispensado aos soldados brasileiros pelos americanos.
O filme é inspirado em fatos reais e conta a história de um grupo de soldados que tinha como missão localizar e desativar minas terrestres. Numa missão noturna em território inimigo, a tensão era tanta que toda a equipe entrou em pânico, o que provocou a morte de dois soldados e a dispersão do grupo. Alguns soldados chegaram à base aliada, mas outros ficaram vagando sem rumo em território alemão. Como eles cometeram um erro na missão, sabiam que iam enfrentar a corte marcial. Enquanto isso, um jornalista brasileiro que denunciava o despreparo da FEB na guerra, era sistematicamente impedido de trabalhar pelos superiores brasileiros. Assim, ele pegou um jipe e fugiu para o “front”, encontrando os soldados brasileiros perdidos no campo de batalha. Eles encontrarão uma posição americana abandonada com um rádio e saberão, graças à ajuda do jornalista, que sabe inglês, que uma estrada (a tal 47) foi toda minada e dois tanques americanos foram destruídos. Isso impede que as tropas americanas cheguem a uma cidade italiana tomada por membros da resistência contra os fascistas. Dessa forma, os soldados brasileiros decidiram retirar as minas da estrada para poder reparar o erro da outra missão perante seus superiores. Mas esses soldados encontrarão muitas situações adversas para cumprir tal missão como o encontro com desertores italianos e alemães.
Como foi dito acima, o filme retrata várias situações que aconteceram com os soldados brasileiros na Itália. O despreparo dos soldados era evidente, pois não era esperado inverno tão rigoroso, assim como os soldados não sabiam uma palavra sequer de inglês, alemão e mal sabiam italiano. A situação degradante da guerra foi outra característica mostrada no filme, quando os soldados brasileiros se depararam com uma família italiana faminta expulsa de casa pelos nazistas. Tais situações eram recorrentes durante a tomada da Itália pelos aliados e houve até casos em que pais de família ofereceram suas filhas aos soldados aliados em troca de comida.
Parte do filme era narrada em primeira pessoa pelo soldado Guimarães (interpretado por Daniel de Oliveira), inconformado por estar na guerra em virtude do patriotismo do pai. Com o passar do filme, esse inconformismo vai mudando e ele inclusive passa a ter orgulho do que fazia, principalmente depois de liberar a estrada para a cidade italiana que estava sitiada. Mas o elenco também contou com a sempre boa participação de Francisco Gaspar, no papel do soldado Piauí e Júlio de Andrade, no papel de Tenente.

Dessa forma, “A Estrada 47” é um filme que merece muito ser visto, pois conta de uma forma razoavelmente fiel como foi a participação da FEB na campanha da Itália na 2ª Guerra Mundial. Esse vale muito uma conferida.

Cartaz do filme


Soldados brasileiros em situação de perigo


Música como linguagem universal

Um inimigo necessário...


Piauí, perdido na neve


Desertores no meio do caminho

sábado, 9 de maio de 2015

Resenha de Filme - Club Sandwich

Club Sandwich. Mamãe Empata Foda.
Um filme mexicano interessante em nossas telas. “Club Sandwich” é uma película bem pequena mas que, como todo bom filme, desperta reflexões. Vemos aqui a história de uma mãe, Paloma (interpretada por Maria Renée Prudencio) e seu filho Héctor (interpretado por Lucio Giménez Cacho). Eles ganharam num concurso uma estadia num hotel de luxo. Só que essa estadia foi em plena baixa temporada e a mãe com seu filho praticamente estão sozinhos no hotel. Lá, eles experimentam uma peculiar rotina de passarem protetor solar, ficar o dia inteiro à beira da piscina, pedir comida no almoço e janta pelo serviço de quarto e assistir televisão. Nada de muito interessante ocorre. Mas podemos perceber como os dois são muito ligados e a mãe nutre um sentimento especial pelo filho. Ela fica o admirando ao vê-lo deitado na cama, por exemplo, numa leve insinuação de relação incestuosa. Mas nenhum limite é ultrapassado. Tudo ficaria nesse marasmo e nessa rotina não fosse a aparição da jovem Jazmin (interpretada pela estonteante Danae Reynaud), uma gordinha sexy que começa a flertar com Héctor. O menino fica completamente sem ação perante a moça, que também não sabe o que fazer para romper a barreira de Héctor. Assim, a aproximação dos dois é muito lenta. Mas fica bem claro que uma transa vai acontecer ao fim das contas. Entretanto, Paloma descobrirá o affair e, morta de ciúmes, vai fazer de tudo para atrapalhar o relacionamento dos dois.
A história é um verdadeiro jogo de gato e rato entre a mãe e o jovem casal, que vai precisar desenvolver estratégias para se aproximar. Pelo menos a interferência da mãe em atrapalhar as coisas fará com que Héctor e Jazmin abandonem a aproximação lenta e se atirem um ao outro nas menores brechas que encontram, algumas inclusive muito inusitadas. A grande personagem do filme é Paloma. A mãe tem uma fixação pelo filho devido ao fato de que Héctor é o único homem de sua vida (na película fica claro que o pai de Héctor já abandonou os dois há muito tempo). Entretanto, ela tem que lidar com a situação de que seu filho está crescendo e logo arrumará uma mulher e a abandonará, o que a leva a uma situação interna de um desespero contido, como sentimos em algumas passagens do filme. E parece que Héctor está ciente da situação, pois mesmo depois de um momento em que ele impõe à mãe o desejo de ficar sozinho com Jazmin, ele a afaga carinhosamente quando a vê deitada e exausta dormindo na cama. Assim, o filme não nos passa apenas uma impressão de autoritarismo da mãe para com o filho em virtude de seus ciúmes, mas também a impressão de uma mulher frágil que tem medo de uma solidão futura.

São apenas 82 minutos de filme, mas que conseguem contar tal trama de forma suficiente e interessante, sendo um programa digno de atenção. Vale a pena dar uma conferida.  

Cartaz do filme


Mãe e filho muito unidos...


Dias na piscina...


Na cama...


Até que surge Jazmin...


Uma mãe entre dois adolescentes...


Problemas na aproximação...




terça-feira, 5 de maio de 2015

Resenha de Filme - As Maravilhas

As Maravilhas. Apicultura Poliglota Com Camelo.
Uma boa produção italiana na área. O filme “As Maravilhas” é uma história muito fofa escrita e dirigida por Alice Rohrwacher e ganhou o prêmio do júri em Cannes no ano passado. Temos aqui uma história terna de uma família italiana do interior, que se dedica à atividade da apicultura de forma bem tradicional e artesanal. É uma família para lá de cosmopolita. O pai, Wolfgang (interpretado por Sam Louwyck), é alemão; a mãe, Angelica (interpretada por Alba Rohrwacher), é francesa. Eles têm quatro filhas, todas italianas. E a irmã de Wolfgang, Cocò (interpretada por Sabine Timoteo), também é alemã. Assim, podemos ter a oportunidade de ver diálogos em vários idiomas, refletindo a característica multicultural europeia. Essa família passará por uma grande dificuldade, já que a agência de vigilância sanitária da Itália passa a fazer uma série de exigências de higiene, que será impossível de ser cumprida por esse pequeno núcleo familiar. Nesse momento, a filha mais velha, Gelsomina (interpretada por Maria Alexandra Lungu) vai dar a sugestão de a família participar de um “reality show” que dará um prêmio em dinheiro para o melhor produtor familiar em alguma atividade agropecuária. O programa é todo inspirado em tradições ancestrais italianas, se remetendo aos tempos dos etruscos. A apresentadora do programa, Milly Catena (interpretada por uma envelhecida mas ainda belíssima Monica Bellucci), irá ciceronear os participantes. O problema é que Wolfgang era radicalmente contra a participação nesse programa. Assim, aos trancos e barrancos, essa simpática família cosmopolita luta no dia-a-dia para sobreviver do seu ofício.
O grande barato desse filme são as menininhas, as verdadeiras maravilhas do filme. Elas são muito fofas! Além de Gelsomina, a mais velha e a protagonista, temos Marinella (interpretada por Agnese Graziani), uma linda lourinha de olhos azuis e duas menininhas pequenininhas, mas muito espevitadas. O problema é que elas tinham que se submeter à rotina de trabalho pesada e estressante da apicultura. Wolfgang inclusive participará de um programa de intercâmbio onde a família vai conviver com um adolescente delinquente alemão para ajudá-los nas tarefas mais pesadas, o que trouxe uma química toda nova à película.
Outro elemento interessante é o já conhecido embate entre tradição e modernidade, onde a família representa as produções agropecuárias artesanais. A própria estrutura do “reality show” reforça essa impressão, já que lança mão de motivos etruscos. O cosmopolitismo é uma característica curiosa, pois ele se manifesta numa pequena cidade de interior, onde é dada a ideia de que a interação entre várias culturas não fica presa à obstáculos espaciais. Viver no interior não significa necessariamente viver isolado, ainda mais num continente que é um verdadeiro caleidoscópio cultural como o europeu.
E o camelo do título? Essa é a parte hilária da coisa, onde Wolfgang prometia presentear Gelsomina com o bichinho. Mas vamos parar por aqui para evitar os “spoilers”.

Assim, o filme “As Maravilhas” pode ser considerado um drama que prende sua atenção do início ao fim, onde essa simpática família é a atração principal. É uma história terna, engraçada e que tem personagens que tomam nossos corações. Esse filme vale muito a pena!


Cartaz do filme



Uma família muito simpática.



Gelsomina e as abelhas...


As maravilhas!!!


Monica Bellucci. Tudo de bom!!!


A diretora Alice Rohrwacher.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Resenha de Filme - A Viagem de Yoani

A Viagem de Yoani. Discussões Sobre Autoritarismo E Democracia.
Um excelente documentário nas telas. “A Viagem de Yoani”, dirigido por Raphael Bottino e Peppe Siffredi fala sobre a viagem da blogueira cubana Yoani Sanchez ao Brasil e do que aconteceu durante sua estada por nosso país, mais especificamente na Bahia. Sanchez ficou mundialmente conhecida ao fazer o blog “Geração Y”, que denuncia a falta de liberdade de expressão em Cuba. Com muito custo, Sanchez montou um computador 286 e conseguiu acesso à internet. Seu blog hoje é visto por muitas pessoas e se tornou uma das principais vozes de oposição ao governo cubano. Com a projeção internacional, Sanchez começou a viajar ao exterior, inicialmente a muito custo, pois os cubanos não tinham autorização para sair do país. Entretanto, depois que Fidel saiu do poder por motivos de saúde, Raul Castro começou um lento e gradual processo de abertura política, onde ele deu permissão aos cubanos para viajar para o exterior. E assim, Sanchez fez uma viagem ao Brasil, país onde ela encontrou muito apoio na sua luta por viajar para outros países.
Entretanto, Sanchez não só encontrou apoio por aqui. Vários grupos de esquerda a hostilizaram na sua viagem à Bahia, comportando-se de forma muito autoritária. Foi extremamente lamentável ver Eduardo Suplicy, que ciceroneou a blogueira cubana, ter que bater boca contra uma massa que simplesmente não queria o debate e só gritava palavras de ordem. O então senador lembrava que sempre lutou pelo socialismo com democracia e que a própria Yoani Sanchez era contra o embargo econômico que Cuba sofria.
Por outro lado, ficou muito claro no filme que Sanchez foi muito bem recebida por setores extremamente conservadores, autoritários, direitistas e golpistas da sociedade, sobretudo quando da sua visita ao Congresso, quando vimos a blogueira ser muito bem recebida pela bancada ruralista e por figuras que ainda defendem a ditadura militar no Brasil. A moça, que não tem muito conhecimento da história de nosso país, optou pelo diálogo com todos os setores, da esquerda até a direita. Aliás, ela declara que não toma qualquer posicionamento político, buscando apenas exercer o direito de discordar das atitudes que o governo de seu país toma.
É um filme que trabalha as diferentes visões de democracia e autoritarismo em países como Cuba e Brasil. Se o governo cubano num primeiro momento se tornou um baluarte contra o imperialismo, ele também acabou por se fechar e não respeitar mais a liberdade de expressão, sobretudo após os ataques americanos, seja no campo militar, como a tentativa americana mal sucedida de invasão à Baía dos Porcos, seja no campo econômico, como no embargo da Lei Helms-Burton. Essa atitude de se fechar politicamente e endurecer suas posições quando sob ataque já fora vista durante a Revolução Francesa no governo dos jacobinos e no governo bolchevique da Revolução Russa. Yoani Sanchez critica as atitudes do governo cubano sob esse aspecto, segundo suas próprias palavras. Os setores da esquerda brasileira que a hostilizavam pareciam exagerar quando diziam que ela era uma “mercenária vendida aos americanos”. De qualquer forma, é inegável que a mídia americana aproveitou a situação para criticar novamente o governo cubano.
Yoani critica o governo autoritário de Cuba, a esquerda brasileira se comporta de forma autoritária com ela. Mas não podemos nos esquecer que o Brasil, apesar de se intitular uma democracia, tem também atitudes muito autoritárias e antidemocráticas. E, se em Cuba, Yoani critica uma ditadura de esquerda, aqui nós amargamos uma ditadura de direita que deixou sequelas graves em nossa suposta democracia. Uma delas é o comportamento autoritário em todos os setores. Ninguém aqui tem muito saco para escutar a opinião divergente do outro, seja nos já citados grupos de esquerda, seja na mídia de direita, que possui poder econômico suficiente para manipular as informações ao seu bel prazer aos olhos complacentes do governo que, para se dizer democrático, deixa tal mídia trabalhar livremente. Essas são realidades que Yoani Sanchez não conhece do Brasil, assim como não conhecemos a realidade de Cuba tal como Yoani conhece, como a limitação à informação.
De qualquer forma, tem havido uma abertura em Cuba, sobretudo depois do reatamento das relações com os Estados Unidos, algo que fez Yoani elogiar até os irmãos Castro. O grande desafio de Cuba é, nas próprias palavras de Suplicy, promover um socialismo democrático, ou seja, permitir a liberdade de expressão e política, além de manter as conquistas sociais do socialismo. Já nós aqui no Brasil temos o desafio de aprimorar nossa democracia, profundamente injusta, com sérios resquícios de autoritarismo, escravismo e corrupção, onde as conquistas sociais do socialismo passam muito longe. Yoani disse sabiamente que o diálogo é importante para mostrar que Cuba não necessariamente é um paraíso nem o mundo capitalista é um inferno. Pode-se complementar essa frase dizendo que o mesmo vale para o contrário.

Concluindo, podemos dizer que a blogueira cubana conhece um mundo onde suas visões de liberdade e autoritarismo são diferentes das nossas. Para ela, a falta de liberdade foi gerada por uma ditadura de esquerda. Por aqui, a falta de liberdade foi gerada por anos e anos de elites direitistas no poder. Para que um possa compreender melhor o outro, só com muito diálogo, sem visões planas e acabadas provocadas por pensamentos autoritários sejam de quaisquer tendências políticas que eles sejam.


Cartaz do filme


Yoani Sanchez, em viagem ao Brasil.


Uma agente dos Estados Unidos?


Um debate tenso.

Sangue frio nas vaias...


Suplicy e as tentativas de diálogo


Momentos extremamente tensos...


No Congresso Nacional, cercada por políticos de tendências... hummm, deixa para lá...




segunda-feira, 27 de abril de 2015

Resenha de Filme - Os Vingadores.A Era de Ultron


Os Vingadores, A Era De Ultron. Super Heróis Em Cheque.
E saiu a tão esperada sequência de “Os Vingadores”. “A Era de Ultron” é mais um filme a sofrer com a chamada “maldição das sequências”, ou seja, dificilmente uma continuação é melhor que o primeiro filme. De qualquer forma, não é um filme de se jogar fora. Ele tem tudo aquilo com que já estamos acostumados: muitas cenas de ação regadas a toneladas de efeitos especiais, cimentadas pelo bom humor visto também no primeiro filme. Mas talvez não haja grandes novidades, pois já tivemos três filmes do Homem de Ferro, dois filmes do Capitão América, dois do Thor, dois do Hulk, além do primeiro filme dos vingadores, ou seja, uma verdadeira overdose desses personagens da Marvel. Será que já deu no saco? Para os fãs de carteirinha da Marvel, provavelmente não. Mas ficou aquela impressão de que já vimos muito daquilo em outras oportunidades.
Apesar dessa impressão, o filme não é de se jogar fora. O que podemos dizer que há de original nesse filme? O questionamento da ética dos Vingadores, sobretudo pelas atitudes de Tony Stark. O grande empresário e cientista decide por conta própria e sem perguntar a nenhum de seus colegas (com exceção de Bruce Banner, que embarca na conversa de Stark) criar uma inteligência artificial que defendesse o planeta de perigosas ameaças alienígenas. Assim, Ultron é gerado. Mas um bugzinho miserável faz essa nova entidade entender que a paz mundial passa pela destruição dos vingadores, assim como passa pela extinção da própria espécie humana. O mais curioso é que essa entidade consegue viajar pelas conexões da internet e, por mais que ele seja destruído fisicamente (Ultron vai arrumar um corpo mecânico para dar suas voltinhas apocalípticas por aí), a inteligência artificial sempre volta para a rede para ressurgir em outro lugar, não sendo destruído definitivamente. Obviamente, os super heróis colegas de Stark vão ficar revoltados. Cabe dizer que Stark tomou essa atitude depois de sofrer o ataque da Feiticeira Escarlate, que provoca alucinações em suas vítimas. Stark viu todos os seus colegas mortos e acreditou que isso foi mais uma premonição do que uma alucinação. Para piorar a situação, o filme dos Vingadores ficou bem queimado quando Hulk, também tomado pelas alucinações da Feiticeira Escarlate, destruiu boa parte da cidade de Nova York, principalmente depois que ele começou uma batalha com o Homem de Ferro, armado de Verônica, uma super armadura que era páreo para o Hulk. Assim, com a autoestima lá embaixo, o grupo de heróis vai ter que lutar contra o exército de Ultron, que também desenvolve, usando tecido humano, uma nova inteligência artificial, ainda mais poderosa.
A atitude meio que megalomaníaca e inconsequente de Stark vai provocar desentendimentos entre o grupo, onde o Capitão América se mostrará o mais desapontado. De qualquer forma, Stark se redime ao se arriscar novamente e terminar a geração do “filho de Ultron” que, para a sorte dos super heróis, ficou do lado dos humanos. Mas até a gestação da nova inteligência artificial não foi feita sem um stress entre os vingadores, onde tivemos a oportunidade de vê-los saindo no braço.
Outro elemento interessante foi o “affair” entre Bruce Banner e a Viúva Negra. A personagem durona era a que acalmava o monstro verde e tinha diálogos digamos interessantes com o calmo doutor. Mas Banner jogava na defensiva, já que acreditava que não poderia dar um futuro estável para a moça.
Dessa forma, se “Vingadores, A Era de Ultron” parece reproduzir uma fórmula um tanto desgastada, o filme ainda apresenta alguns atrativos, sendo o principal a questão ética envolvida em torno das atitudes de Stark que, na sua busca pela paz mundial, acabou criando uma tremenda dor de cabeça. O mais assustador é que a inteligência artificial Ultron tinha algumas características de Stark, algo que a entidade negava categoricamente. A criatura rechaçava totalmente seu criador e queria destruí-lo, lembrando um pouco os parricídios do teatro expressionista alemão do início do século passado, guardadas, obviamente, as devidas proporções. Vale a pena dar uma conferida, pois o filme não deixa de ser uma diversão garantida.

Cartaz do filme.



Desta vez, o Homem de Ferro pisou na bola. Não sobrou muito dela...



Capitão América e Thor, desapontados com Stark...



Não façam isso!!!!



Um vilão criado pelos heróis...






 
Verônica, uma armadura iradíssima!!!


Irmãozinhos espevitados...



Calmante para Hulk...



Sem as armaduras...





sábado, 25 de abril de 2015

Resenha de Filme - Sr. Kaplan

Sr. Kaplan. Vida Alimentada Pelo Sonho.
Nós não temos muito contato com o cinema uruguaio. Poucos filmes vêm para cá, se compararmos com as películas argentinas. Desta vez, tivemos a oportunidade de presenciar uma boa história lá da Banda Oriental. “Sr. Kaplan” tem uma trama interessante. O filme fala de um senhor judeu bem idoso, o tal sr. Kaplan (interpretado por Héctor Noguera), que fugiu dos nazistas na 2ª Guerra Mundial. Os efeitos da idade fazem com que nosso protagonista seja visto com reservas por seus amigos e até por sua família, já que ele nem consegue mais dirigir o seu carro direito. Os filhos chegam a contratar um motorista para o velho, o gordinho Contreras (interpretado por Néstor Guzzini), um ex-policial que foi abandonado pela família. Obviamente, o sr. Kaplan não gostou nada da ideia. Mas logo, logo os dois formarão uma dupla, já que o velhinho, num desses acasos da vida, foi parar numa praia mais afastada e encontrou um alemão (interpretado por Rolf Becker), dono de um pequeno restaurante. Como o estabelecimento comercial se chamava “Estrela”, o sr. Kaplan fez uma associação com o navio “Stern” (“Estrela” em alemão), que trouxe uma leva de oficiais nazistas fugidos da Europa após o fim da guerra. Kaplan e Contreras, então, farão uma investigação para descobrir se o alemão suspeito é ou não um nazista. E fica em nós a expectativa de se os devaneios do velhinho têm procedência ou não.

É uma história um tanto divertida, mas arrastada. O que salva é justamente a curiosidade de se o alemão é nazista ou não. O desfecho não chega a ser óbvio, havendo uns meandros que nos ajudam a enxergar a complexidade da guerra. Um elemento a mais está no personagem de Contreras, onde vemos em flashback o seu passado de policial e o porquê dele ter sido abandonado pela família. É uma história de derrotados que buscam dar a volta por cima. O inconformismo de Kaplan com a velhice e as limitações que ela traz levam o velhinho a encarar a louca missão de sequestrar o suposto nazista para submetê-lo a julgamento e terminar os seus dias como herói de seu povo. Seu motorista Contreras, um desempregado beberrão que passa madrugadas em bares preso à máquinas de flippers, mira-se no exemplo de seu idoso patrão e se encoraja a tomar um novo rumo na vida, recuperando o coração de sua família. Essa dupla de excluídos irá justamente dar força um para o outro para novamente fazer a diferença. Dessa forma, a camaradagem entre os dois é a tônica dessa interessante película uruguaia. É só uma pena que o final do filme fique um pouco solto, uma espécie de anticlímax. A coisa poderia ser um pouco mais fantasiosa, o que cairia bem num filme de pequena ópera do absurdo. Mas parece que o roteirista e diretor Álvaro Brechner preferiu um maior choque de realidade, o que tornou a trama um tanto chocha em sua conclusão. Lamentável para nossos dois personagens, principalmente para o sr. Kaplan. Ele merecia um final mais à altura de seu espírito de luta. De qualquer forma, ainda vale dar uma olhadinha no filme pela boa ideia e pelos laços de afetividade dos protagonistas principais.

Cartaz do filme


Sr. Kaplan. Um idoso em busca de reconhecimento.


Com Contreras, de motorista a fiel escudeiro...


Buscando pistas nos locais mais exóticos...


Kaplan e Contreras em missão. 


Um alemão suspeito.


Contato inevitável.


Será esse alemão um nazista???


O diretor Álvaro Brechner dirigindo seus atores...