Blog Mantido por Carlos Eduardo Lohse Rezende. Aqui serão feitas algumas reflexões e tentativas de se escrever alguma coisa que preste ou faça sentido. Me perdoem se eu não conseguir...
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Resenha de Filme - O Botão de Pérola
O
Botão De Pérola. Mais Uma Obra-Prima de Patricio Guzmán.
Patricio Guzmán está de
volta. E, mais uma vez, ele nos brinda com uma de suas obras-primas. O cineasta
chileno, conhecido por fazer grandes documentários referentes à História do
Chile, enfocando principalmente as atrocidades da ditadura militar de Augusto
Pinochet, nos traz agora “O Botão de Pérola”, um documentário que tem como tema
principal... a água. Mas como a água pode suscitar uma discussão de cunho
político em sua película? Começando com esse tema tão simples, ele descortina
para nós todo um rosário de informações. Por exemplo, Guzmán lembra que a água
é a fonte de vida, sendo procurada no Universo pelos imensos radiotelescópios
do Deserto de Atacama. Lembra que o Chile é o país que tem o maior litoral do
mundo e que nega o Oceano Pacífico, ficando literalmente ilhado entre os Andes
e os desertos do Norte. Lembra de como a água e o continente interagem nas
milhares de ilhas do litoral sul, onde viviam tribos nativas que foram
dizimadas pelos brancos. Guzmán entrevista os últimos remanescentes dessas
tribos e recupera parte dos dialetos dessas civilizações desaparecidas que
muito dependiam do mar para viver. E, no mais doloroso, Guzmán volta ao seu
tema comum e fala de como os militares chilenos usaram o mar para sepultar
corpos de oposicionistas jogando-os de helicópteros, um crime que permanece
impune, assim como vários crimes da ditadura militar ainda permanecem impunes
também em nosso país, algo que o Chile e o Brasil têm em comum.
O mais interessante é
que o diretor consegue sempre mencionar temas tão melancólicos com uma dose de
lirismo e poesia poucas vezes vista. Sua narração serena e suave também ajuda
muito nessa abordagem que chega a ser apaziguadora, criando um notável contraste
entre a beleza de algumas imagens e a trágica situação exposta. Ao mesclar dramatizações
com depoimentos e imagens de arquivo, Guzmán consegue um efeito poderoso que
atinge o espectador em cheio. Numa das passagens, ele alternava imagens
dramatizadas de um helicóptero do exército chileno jogando corpos ao mar com a
de um piloto que foi obrigado a fazer o voo, com plena consciência de que
cometia um crime. Os corpos foram amarrados a trilhos de trem para afundar mais
rápido e, quando mergulhadores recuperaram esses trilhos, um botão de camisa
foi encontrado agarrado a um deles, junto com as outras formas de vida marinha
(perceba novamente o tema da água). Ele relaciona esse botão à história de um
indígena antigo, que chegou a viver entre os brancos, chamado por eles de John
Button, pois ele tinha uma ligação com botões, mas quando voltou à sua própria civilização,
se sentia um peixe fora d’água, sem identidade definida.
Dessa forma, “O Botão
de Pérola”, é mais uma daquelas joias do cinema que, infelizmente está em
apenas uma sala. E qual sala é essa? Se você falou a do Instituto Moreira
Salles, acertou. Esse tipo de filme geralmente só é visto lá e sempre vale a
pena subir o morrinho da Marquês de São Vicente lá na Gávea para dar uma
conferida nesses filmes que, geralmente são vendidos em DVD por lá depois.
Lembrando sempre que esta sim é uma película para ver, ter e guardar, por ser
uma daquelas obras-primas de rara beleza e conteúdo altamente reflexivo. E não deixe
de ver o trailer depois das fotos.
Cartaz do Filme
A água, fonte de vida e personagem importante no litoral sul do Chile
Os radiotelescópios do Deserto do Atacama buscam água pelo Universo
Tribos do sul do Chile dizimadas pelo homem branco

Costumes ancestrais desaparecidos

Os poucos sobreviventes até hoje passam por dificuldades
Antigos prisioneiros políticos da ditadura chilena...
Só este botão sobrou de um desaparecido político
Será o homem tão cruel em outros planetas, pergunta o diretor
O grande diretor Patricio Guzmán
domingo, 14 de agosto de 2016
Resenha de Filme - A Conexão Francesa
A Conexão Francesa. Peitando o Crime E A Corrupção.
Uma boa co-produção França-Bélgica, realizada em 2014, chega agora às
nossas telonas. “A Conexão Francesa” (“La French”, dirigido por Cédric Jimenez)
é um filme inspirado numa história real e vai nos levar à Marselha da década de
70, que estava completamente sitiada e refém de cartéis da droga, sendo que o
mais poderoso deles era controlado por Gaëtan “Tany” Zampa (interpretado por
Gilles Lellouche). Mas um destemido juiz, Pierre Michel (interpretado por Jean
Dujardin, que ficou muito conhecido pela película “O Artista”, ganhando o Oscar
de melhor ator) vai lançar mão de todos os recursos possíveis e impossíveis para
acabar com toda essa máfia. Boa parte de sua coragem em enfrentar criminosos
tão perigosos vem do fato de que Michel já havia sido juiz de menores e ele
pôde constatar o efeito devastador das drogas na juventude.
O filme tem um senhor roteiro e uma história muito bem escrita, que prende
a nossa atenção do início ao fim. Há uma combinação bem equilibrada de cenas de
ação, violência, diálogos e uma trama bem pensada, essa, sem dúvida, a melhor parte
do filme, que deu substância às cenas de violência. A reconstituição de época
foi excelente e mais uma vez se amparou em elementos óbvios como figurino e
muitos automóveis antigos em bom estado. A recorrência desses elementos para
fazer reconstituições de época em vários filmes já analisados aqui parece
indicar que essa é uma receitinha básica e de sucesso para retratar bem o
passado nos filmes. O filme também lançou mão de uma boa trilha sonora, algo
que também nos ajuda a colocar no climão lá da década de 70. Ainda, não podemos
nos esquecer de destacar as excelentes atuações de Dujardin e Lellouche. O
primeiro, por fazer um obcecado juiz que age por impulsos e desafiando o
sistema o tempo todo. E o segundo, por fazer um traficante de drogas que
consegue alternar momentos de alta serenidade com situações de violência extrema.
É notável perceber como o meio do crime na França tem semelhanças com o
nosso. Chacinas violentas provocadas por acertos de contas acontecem tanto lá
quanto aqui, assim como toda uma estrutura de corrupção que enrosca na polícia
e até nos mais altos escalões do governo. E o filme teve a sobriedade de
mostrar que tal mar de lama é algo intransponível e impossível de enfrentar sem
passar por sequelas. Ou seja, não é um daqueles filmões à americana de “tiro,
porrada e bomba”, de um homem contra todos que, heroicamente, enfrenta todas as
forças do mal, mata todos os vilões e depois ainda sai com o filhote para tomar
um picolé no final. Não, aqui a coisa está mais para a arte que imita a vida,
que descarta o “happy end”, o que torna a película muito mais interessante. Não
é à toa que o filme se inspirou numa história real, mas, mesmo assim, podemos
ter uma variedade de leituras. E o filme parece ter se aproximado de uma
leitura mais próxima à realidade, embora tenha parecido que alguma dose de pirotecnia
também tenha sido introduzida na história.
Dessa forma, “A Conexão Francesa” é mais um daqueles filmes que merece
sua atenção, pois tem um bom roteiro, boas atuações e as cenas de ação e violência
não caem no lugar comum da banalização dos filmões comerciais americanos. Ou seja,
á uma película francesa de ação e violência, mas com bastante conteúdo. Vale a
pena dar uma chegadinha ao cinema e dar uma conferida. E não deixe de ver o
trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Pierre Michel é um juiz que vai desafiar todo o cartel do crime
Zampa, um criminoso frio e cruel...

Muita violência
Se sentindo solitário no combate ao crime...
As ações devem ser meticulosamente calculadas
Jimenez orienta Dujardin numa gravação
Dujardin, Jimenez e Lellouche
sábado, 13 de agosto de 2016
Resenha de Filme - Anistia
Anistia.
Liberdade Vigiada.
Uma curiosidade produzida
em 2011 passou em nossas telas. Diretamente da longínqua Albânia, a película
“Anistia” nos ajuda a descortinar a vida esquecida de um dos mais distantes
cantões da antiga cortina de ferro. Não é todo o dia que a gente pode ter
acesso a esse tipo de película e ter uma ideia do que se passa naquele país.
Vemos aqui a história
de Elsa (interpretada por Luli Bitri), uma esposa que vive com seu sogro e os
dois filhos numa pequena cidade afastada da capital do país, Tirana. Elsa viaja
à capital uma vez por mês para visitar o seu marido no presídio, preso por
atividades ilícitas como o jogo. Faz pouco tempo que a Albânia regularizou as
visitas íntimas e Elsa, afastada do marido, reage de forma fria às investidas
sexuais do parceiro. No mesmo presídio, Shpetim (interpretado por Karafil
Shena) também visita sua cônjuge e se comporta da mesma forma que Elsa. Um belo
dia, um jovem casal cujo namorado está preso, decide oficializar sua união e
casa dentro dos limites da prisão. Elsa e Shpetim servem como testemunhas do
casório. Foi o pretexto para que os dois se conhecessem melhor e iniciassem um
caso. Mas esse romance seria abalado pela intervenção do sogro de Elsa e por
outros fatores que estavam por vir.
Mesmo tendo sido feita
em 2011, a película parece ser muito mais antiga ou, pelo menos, a cópia que
foi exibida. Isso só aumenta a impressão de como este país parece isolado e
atrasado tecnologicamente, embora sejam mencionados no filme problemas de
origem capitalista bem contemporâneos como a presença de empresas estrangeiras
no país e demissões provocadas por cortes de custos. A falta de perspectivas de
vida para a população se reflete inclusive nos crimes praticados pelos cônjuges
dos protagonistas. Se o marido de Elsa era envolvido em jogos ilícitos, a
esposa de Shpetim, por sua vez, falsificava documentos para as pessoas saírem
do país, sendo uma prova de que o velho controle sobre o indivíduo e a
burocracia dos tempos soviéticos ainda se faz muito presente na Albânia. E
pensar que todo mundo se preocupa com a Coreia do Norte quando temos um caso
semelhante bem dentro da Europa. O simples fato da visita íntima nos presídios
ser uma coisa nova no país já mostra como ranços de autoritarismo ainda são
muito presentes no Estado albanês.
Agora, o que
surpreendeu foi o trabalho dos atores. Mesmo que assistir a uma película da
Albânia possa ser considerada uma experiência relativamente nova, sempre os
estereótipos pululam em nossa cabeça e os referentes àquele país da Europa
Oriental nos dizem que esse deve ser um povo fechado, frio e mal-humorado. Mas
no filme, não vemos isso. embora os albaneses não sejam espontâneos e
expansivos como a maioria dos brasileiros, ainda assim vemos um povo
comunicativo e de atitudes alegres. A cena do casamento que teve Elsa e Shpetim
como testemunhas atesta isso. Sorrisos brotavam do rosto dos guardas, do juiz e
dos protagonistas, e a noivinha era o frescor da juventude em pessoa, cujas
expressões de felicidade incontida lembravam, guardadas as devidas proporções,
as expressões de felicidade de Mae Marsh nos filmes de Griffith nas primeiras
décadas do século passado.
Apesar dos vários
aspectos positivos, o filme teve um probleminha: seu desfecho, abrupto demais, num
momento em que o roteiro se desenvolvia de forma um tanto morosa. Ficou a
impressão de que a coisa ficou mal escrita, o que acabou sendo uma pena. Mesmo
assim, “Anistia” é um filme recomendável, pois nos dá uma chance até agora
única de abrirmos uma janela para um país tão isolado como esquecido, a
Albânia, que nos dá a oportunidade de conhecermos um pouco mais daquela
longínqua terra. Além disso, tivemos a grata surpresa de presenciarmos boas
atuações de atores que fogem aos nossos parcos e preconceituosos estereótipos. Mesmo
que a película não seja aquela maravilha toda e siga um ritmo lento, vale a
pena assisti-la. Só é de se lamentar, como sempre fazemos aqui, a pouquíssima
quantidade de salas disponíveis para a sua exibição quando o filme esteve em
cartaz. Mas não deixe de ver aqui o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme

Shpetim tem sua esposa na cadeia
E Elsa também...
Eles se conheceram no casamento de uma noivinha...
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Resenha de Filme - Nós, Eles e Eu
Nós,
Eles E Eu. Descobrindo Um Mundo Novo.
Um ótimo documentário
argentino passou em nossas telonas. “Nós, Eles e Eu”, dirigido por Nicolás
Avruj, vai tratar da espinhosa questão árabe-israelense. O diretor é um rapaz
argentino de origem judaica, jeito de garotão e mochileiro. Ele se propôs a
viajar para Israel com o objetivo de visitar seu primo depois de vários anos de
sua primeira viagem àquele país quando, na adolescência, ele foi para lá com o
intuito de comemorar seu baz mithvah.
Pois é. Ao chegar a
Israel, ele começou a ter contato com a dura realidade do conflito, presenciando
a situação de uma explosão de bomba na rua. A partir daí, com a sua câmera de
vídeo, Nicolas parte para o olho do furacão do conflito, indo para a Faixa de
Gaza sem se identificar como judeu e fazendo amizades com a população local.
O documentário foi
muito bem feito, até demais para um filme feito na base do improviso para um
mochileiro. Era curioso perceber a quantidade de situações em que a câmara
estava no lugar certo, na hora certa, ainda mais para uma filmagem
aparentemente bem artesanal. Sei não, parece que foi um trabalho mais
profissional que se travestiu de amador. Ou então Nicolas é simplesmente um
gênio e deve seguir carreira nesse oficio.
Mas, apesar de tais
suspeitas, o material foi muito bem produzido e editado. Nicolas se preocupou
em olhar os dois lados da moeda, captando boas tomadas externas do cotidiano do
lado israelense e do lado palestino. O diretor também procurou fazer
entrevistas com o máximo de partes envolvidas no conflito, sejam os radicais e
moderados de ambos os lados. Houve alguns momentos em que o documentarista não
teve êxito em encontrar as pessoas desejadas, como, por exemplo, quando ele foi
a um assentamento israelense e não encontrou nenhum judeu ultrarradical. Ou
então quando ele encontrou uma passeata de israelenses contra as medidas
violentas que o exército de Israel faz contra os palestinos e, simplesmente,
não entrevistou ninguém, até porque ele já estava tão perplexo com a situação
dos assentamentos, que se infiltravam em território palestino para simplesmente
roubar as terras e derrubar as casas do povo subjugado. O linchamento de dois
israelenses e a represália do exército de Israel à Faixa de Gaza são o momento
mais marcante do filme, pois Nicolas estava justamente na região atacada por um
bombardeio na hora do ataque, mostrando o quão aterrorizante é essa situação.
Apesar do conflito de
longa data entre a Palestina e Israel ser a grande atração do documentário,
também não podemos deixar de nos lembrar que esse foi um filme que falava sobre
a família. E Nicolas fez uma boa referência a isso, colocando muitos vídeos
caseiros principalmente ao início e ao fim da película. O documentário até se
deu ao luxo de fazer algumas cenas pós-créditos.
Assim, “Nós, Eles e Eu”
é um excelente filme que deve ser visto por todos, principalmente aqueles mais
interessados pela questão árabe-israelense. Apesar de dar a impressão suspeita
de que uma película amadora tenha sido profissional demais, isso não apaga a
excelência do filme, que procurou ser o mais imparcial possível, embora seja
algo notoriamente difícil em tais circunstâncias, ainda mais quando você é uma
das partes envolvidas. O próprio diretor se viu em muitas situações de conflito
interno à medida em que ele descortinava a dura realidade do Oriente Médio.
Esse é um daqueles filmes que você deve ver, ter e guardar. Imperdível! E não
deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Nicolas fará uma viagem insólita...
Ameaças de bomba
Uma dura realidade
As entrevistas nos mostram que o entendimento ainda é possível

Realidade da guerra.

Manifestações...

... e amigos que poderiam ser inimigos...
Realidade da guerra.
Manifestações...
... e amigos que poderiam ser inimigos...
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Resenha de Filmes - Negócio das Arábias
Negócio
Das Arábias. Recomeçando Do Nada.
Mais um medalhão do
cinema passeia por nossas telas. Tom Hanks está de volta em “Negócio das
Arábias”, onde o ator rouba totalmente a cena do filme. Com uma temática de
circunstâncias um tanto surreais, o filme, apesar de não impressionar muito,
tem uma trama que prende a atenção e tem a virtude de ser uma co-produção inglesa,
francesa, americana, alemã e mexicana que fala um pouco da compreensão entre as
diferenças, novamente abordando a cultura muçulmana. Em tempo, a película é
dirigida pelo alemão Tom Tykwer, imortalizado por películas como “Corra, Lola,
Corra!”.
O filme conta a
história de um homem de negócios um tanto fracassado em sua vida profissional e
pessoal chamado Alan (interpretado por Hanks), que tenta convencer o rei da
Arábia Saudita a comprar um sistema de teleconferência baseado em imagens
holográficas (lembrava até “Guerra nas Estrelas”). Mas o rei nunca aparecia e
ele precisava de uma resposta rápida. Enquanto esperava, ele conhecia a cada
dia a cultura muçulmana e saudita com a ajuda de Yousef (interpretado por
Alexander Black), uma espécie de escudeiro e motorista, passando pelas
situações mais inusitadas como, por exemplo, fazer uma viagem a Meca, algo
proibido para não muçulmanos. Alan também vai encontrar o amor, curiosamente
por causa de um baita abcesso que tem nas costas (hein???).
O filme tem uns
divertidos toques de onírico, com citações até de letras de músicas do Talking
Heads, para mostrar como há alguns conteúdos surreais. Mas a película é muito
mais a coisa do ocidental que olha com curiosidade uma cultura oriental, não
sem antes estranhá-la e nutrir certos preconceitos. O mais interessante é como
o protagonista vai se adaptando ao novo contexto em que está inserido e compreende
certos elementos, como a culinária ou como uma piada inorportuna pode ser
altamente inconveniente. A opção de recomeço do personagem americano numa nova
realidade de país árabe acaba se mostrando algo simpático para com a cultura
muçulmana e vou repetir aqui o que já falei em outras resenhas: em tempos de
notória intolerância de todas as partes, tais filmes são muito importantes para
recuperar a noção de respeito às diferenças e compreensão mútua. Essa
importância social do cinema é cumprida em toda a sua plenitude nesta película.
Assim, “Negócio das
Arábias” é mais um daqueles filmes que tem uma história que não é nada demais,
mas tem dois trunfos principais: a atuação de Tom Hanks e a boa vontade com a
cultura muçulmana, onde um personagem americano, a princípio cheio de visões
estereotipadas e preconceitos contra os árabes, pouco a pouco vai se adaptando
à cultura árabe e muçulmana, passando a tratá-la com respeito e até reiniciando
sua vida profissional e pessoal dentro dessa nova realidade. Como um elemento
para apimentar essa película, um toque de surreal estimulado por um contexto
onírico. Mais um filme para distrair a cabeça com um final levinho. Mas vale a
pena dar uma conferida. E não deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Alan é um homem cheio de problemas...
... e vai tentar uma vida nova em outro país...
Mas onde está o local de trabalho???
Começando a conhecer a cultura local...
Algumas dificuldades de comunicação...
Redescobrindo o amor...
Dúvidas quanto ao futuro...

O que fazer???
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Resenha de Filme - A Intrometida.
A
Intrometida. Mamãe Coruja.
Susan Sarandon está de
volta. E ela protagoniza uma película um tanto trivial, mas com uma atuação
adorável que vale o ingresso. “A Intrometida” é um filme que não tem nada
demais e explora um clichê manjadíssimo: o da mamãe coruja. Mas a coisa é feita
de uma forma muito engraçadinha e fofinha, onde a consagrada atriz arrebata
nossos corações. Como se não bastasse a excelente atuação de Sarandon, ainda
temos de brinde uma também excelente atuação de J. K. Simmons, que fará par
romântico com a atriz.
Vemos aqui a história
de Marnie (interpretada por Sarandon), uma mulher de meia idade que perdeu o
marido e que lida com as neuroses da filha Lori (interpretada por Rose Byrne),
atormentada pela perda do pai e do namorado. O, digamos, excesso de zelo de
Marnie para com Lori sufoca a filha que tenta, delicadamente, se desvencilhar
de todas as investidas da mãe, que dispõe de muito tempo livre e dinheiro. Chegará
uma hora em que Lori conseguirá fazer uma viagem a trabalho para Nova York (as
duas vivem em Los Angeles) e ficará um tempo afastada da mãe, que passa a se
aproximar das amigas de Lori e de um funcionário de uma loja de telefones
celulares, sendo altamente generosa e mão aberta com eles. Mas ela acaba
conhecendo Zipper (interpretado por Simmons), um ex-policial que faz figuração
num filme da qual Marnie acidentalmente participou. Assim, vamos vendo o dia a
dia de Marnie com essas suas amizades enquanto a filha está mais afastada.
Realmente é um daqueles
filmes que não suscita reflexões mais profundas, a não ser pelo fato de que
Marnie e Lori estão muito fragilizadas pela perda do marido e pai. Marnie não
sabe o que fazer com seu tempo ocioso e excesso de dinheiro, e Lori sente uma
falta enorme de seu pai. Marnie transparece um pouco menos seu sentimento de perda,
mas isso também fica claro quando ela fica totalmente retraída com as
investidas masculinas, justamente ela que é altamente expansiva e extrovertida
com as pessoas. A graça do filme está na forma como essas duas personagens vão
se comportar com esses sentimentos de perda e com as interações com as pessoas
que as cercam.
O filme tem realmente
como atração principal Sarandon, que está mais deslumbrante do que nunca,
estando melhor até do que quando era mais jovem (e quem a viu em “Fome de Viver”
lá no longínquo ano de 1983 sabe como ela era bonita em seus anos de juventude).
Sua meiguice e doçura de mãe coruja conseguiam também ser muito engraçadas, o
que nos despontava risadas e dó da personagem que cativava instantaneamente
nossos corações. Já Simmons conseguiu fazer um estereótipo de personagem durão,
mas isso era somente por fora, pois ele era um cara extremamente delicado e
cortês, tendo uma lábia tão boa que ele era capaz de conquistar o coração de
Marnie usando... galinhas. Foi um deleite ver os dois atuando juntos e é isso
que faz você ir ao cinema ver esse filme quando você ver o trailer.
Dessa forma, “A Intrometida”,
se não é um filme que mostra algo de muito novo e trabalha um clichê já muito
manjado, nos premia com as ótimas atuações de Susan Sarandon e J. K. Simmons,
que fizeram um par romântico de ótima química e que vale a pena o ingresso. Um
programinha gostoso para distrair a cabeça e sair com a mente levinha da sala.
Vale a pena dar uma conferida. E não deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Marnie, Uma mamãe coruja muito presente...
Para o desespero da filha Lori...
Com muito tempo ocioso...
Fazendo amizades até com o vendedor de IPhone
Zipper. Cara de durão, mas muito cortês...
Conquistando Marnie com galinhas...
No fundo, no fundo, uma depende da outra...
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Resenha de Filme - O Monstro de Mil Cabeças
O
Monstro De Mil Cabeças. Sem Carência.
Uma produção mexicana
muito curtinha, mas também muito interessante, passa em nossas telonas. “O
Monstro de Mil Cabeças” é um daqueles filmes que a gente pode chamar de
catarse, pois mostra uma daquelas coisas impossíveis que, volta e meia, a gente
tem muita vontade de fazer. E que coisa é essa? Ir às últimas consequências na
luta por seus direitos quando você paga um seguro ou plano de saúde. Quando
digo últimas consequências é você pegar um revólver mesmo e arrancar dos caras
graúdos que te sacaneiam seu direito na marra.
O filme fala da saga de
Sonia Bonet (interpretada por Jana Raluy), que tem seu marido fazendo um
tratamento contra o câncer e paga um seguro que deveria bancar isso. Mas a
conhecida burocracia que todos nós conhecemos leva à situação absurda de que
pagamos uma coisa que não nos cobre nos momentos mais difíceis (qualquer
semelhança com os planos de saúde tupiniquins não é mera coincidência). Pois
bem. Depois de ficar de molho esperando horas para ser atendida e de ser maltratada
pelo médico responsável que poderia dar o laudo, Sonia perde a cabeça, segue de
forma escondida o profissional até a casa dele e o rende com uma pistola. A
partir daí, toda uma sucessão de eventos acontece com Sonia que, juntamente com
seu filho, procura buscar o atendimento que o marido tem direito, já que a
droga do seguro foi pago. Nem é preciso dizer que, à medida que as coisas
acontecem, elas se enrolam cada vez mais. Mas vou deixar para o leitor ir ao
cinema e ver como foi essa situação.
É uma pena que o filme
tenha uma duração bem pequena (74 minutos), pois essa história tinha tudo para
ser bem mais trabalhada e dar um pouco mais de caldo, virando uma verdadeira
ópera do absurdo com “O” maiúsculo. De qualquer forma, ela já teve lances inusitados
suficientes, dentre eles, o conflito entre mãe e filho durante os sequestros
que a matrona fazia, empurrando o adolescente para confusões cada vez maiores.
O mais interessante foi a opção pelo desfecho aberto, dando ao público a
alternativa de ele mesmo tirar suas conclusões. De qualquer forma, foi muito
interessante presenciarmos a situação espelhada no filme e concluirmos que a
farra de seguros e planos de saúde com o público não é apenas uma exclusividade
do Brasil e sim, muito provavelmente, um mal que assola toda a América Latina,
quiçá os países do Terceiro Mundo, embora isso não seja nada alentador para
nós.
Assim, “O Monstro de
Mil Cabeças” é mais uma película catártica que está em circuito e que nos
delicia pela desopilação de fígado que é ver uma mulher simplesmente surtar e
buscar os seus direitos na marra contra um grupo de empresários que destrata da cara de todos. Não deixa de ser
uma diversão embora o tema seja bastante agônico. E não deixe de ver o trailer
após as fotos.
Cartaz do Filme
Sonia precisa cuidar de seu marido
Mas o seguro não quer cobrir...
Então...

Indo às últimas consequências!!!
Seu filho é metido em todo o imbróglio...
... o que leva a uma relação de turbulência e paz com a mãe...
Qual será o desfecho dessa mulher desesperada? Com a palavra, o público...
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