Blog Mantido por Carlos Eduardo Lohse Rezende. Aqui serão feitas algumas reflexões e tentativas de se escrever alguma coisa que preste ou faça sentido. Me perdoem se eu não conseguir...
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
Brigitte Helm, A Deusa Eterna De Yoshiwara!!!
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Resenha de Filme - Eu Sou Carlos Imperial
Eu
Sou Carlos Imperial. Radiografando Um Cafajeste.
Um baita de um
documentário em nossas telonas. “Eu Sou Carlos Imperial” busca fazer uma
análise detalhada de Carlos Imperial, um misto de empresário, ator, cineasta,
produtor musical e muitas outras coisas mais. Mas, acima de tudo, Imperial foi
um mentiroso, cara de pau e cafajeste de marca maior, com um discurso cínico e
politicamente incorreto que buscava enganar a todos, com um detalhe: quanto
mais desvios de caráter ele mostrava, mais amado ele era.
E o homem não brincava
em serviço em suas mentiras, quase sempre para se autopromover na mídia. Ele se
apropriava de músicas de domínio público, dava a ela a autoria de músicas que
compunha em conjunto com outros artistas, usava a imprensa para denegrir
desafetos com falsas histórias (se lembram do caso da cenoura de Mário Gomes? É
da autoria de Carlos Imperial). Com um faro e tanto para o sensacionalismo,
Imperial jamais se afastava dos holofotes com seu jeitão truculento e estabanado
que continuamente despertava gargalhadas em quem assistia ao documentário. É
também lembrada a sua incursão pela política, fundando o Partido Tancredista
Nacional, cuja justificativa de seu programa político é uma verdadeira aula de
cara de pau em madeira de lei. Quem não se lembra de seu slogan “Vai dar Zebra”
e sua camisa zebrada na propaganda política das longínquas eleições para
prefeito do Rio de 1985, com a cara mais deslavada do mundo?
O filme também mostrou
muitos trechos de seus filmes, quase todos pornochanchadas bem agressivas e
espalhafatosas, onde cenas vorazes de sexo oral eram realizadas perante um
monte de respeitosas senhoras. O homem sempre andava seminu, com uma vasta
cabeleira e barba, cercado de muitas mulheres. Em outro momento, ele aparecia
beijando um monte de bundas. E por aí vai...
O filme contém ainda muitos
depoimentos de pessoas próximas a Imperial. Pudemos ver entrevistas com Roberto
e Erasmo Carlos, os filhos de Imperial, Tony Tornado, Dudu França, Pedro
Aquinaga, Eduardo Araújo e muitos outros. Lá, pudemos destrinchar um pouco da
personalidade explosiva de Imperial, um ávido abatedor de lebres, como ele
mesmo se intitulava, já que ele era famoso por ter muitas mulheres em casa. Os
depoimentos mais marcantes são os dos filhos e as lições de vida que receberam
do pai, algumas legais, outras meio tortas, mas com uma certeza: tanto o filho
quanto a filha de Imperial têm boas lembranças dele e de toda a sua
porralouquice. Há, também, entrevistas do próprio Imperial, em muitas imagens
de arquivo e arquivo pessoal, fazendo uma ótima reconstituição da personalidade
dessa figura tão polêmica e divertida. Outro detalhe interessante são as
imagens de antigos programas de auditório feitos por Imperial na extinta TV
Tupi, numa mostra de que o material iconográfico do documentário é vasto e
muito rico.
Assim, “Eu Sou Carlos
Imperial” é um excelente documentário que passou em nossos cinemas e é um
programa obrigatório, devendo ser prestigiado por todos, desde aqueles mais
jovens que nunca ouviram falar dessa figura importante do cenário cultural
brasileiro até aqueles mais antigos que já o conheciam. Esse é o tipo de filme
que você deve ver, ter o dvd e guardar, pois é um baita dum material.
Imperdível! E não deixe de ver o trailer depois das fotos.

Cartaz do Filme
Um vulcão em erupção
Com Pedro Aquinaga
Mulheres eram a tônica...

Tony Tornado deu seu depoimento sobre Imperial
Pornochanchadas agressivas e loucas

Dez, nota dez!!!
Dirigindo seus filmes...
Num exercício matinal...

Ele lançou muitas personalidades do meio artístico
domingo, 3 de abril de 2016
Resenha de Filme - O Presidente
O
Presidente. Encarando As Próprias Atrocidades.
Mohsen Makhmalbaf está
de volta! O consagrado cineasta iraniano traz para nós desta vez um filme e
tanto, que nos ajuda a refletir sobre o autoritarismo dos regimes políticos,
assim como o autoritarismo dentro de nós mesmos. “O Presidente” é um filme que
se passa num país fictício, mas poderia muito bem ser o país do cineasta, o Irã
da época do Xá. É notável a ausência de qualquer referência religiosa na
película, mostrando o objetivo direto de Makhmalbaf: falar do autoritarismo de
Estado, qualquer Estado, seja ele teocrático ou não.
Vemos aqui a história do
presidente (interpretado por Misha Gomiashvili), que governa o seu país com mão
de ferro, e seu netinho (interpretado por Dachi Orvelashvili). Os dois vivem
num mundo à parte, divertindo-se a seu bel prazer com a vida dos outros. Eles
brincam de acender e apagar as luzes da cidade com apenas uma ordem, observando
o cintilante espetáculo da sacada do palácio. Mas um golpe de estado sacudiria
as estruturas do presidente autoritário e seu neto. A esposa e as filhas foram
colocadas num avião para o exterior. O presidente, montado em toda a sua
autoconfiança, permaneceu no país acreditando que facilmente contornaria a
crise, e seu neto quis ficar junto. Mas o problema era muito pior e o golpe de
estado se delineou, com o presidente e seu neto sendo obrigados a fugir
disfarçados pelo país. Durante todo esse processo de fuga, o presidente deposto
e seu neto puderam encarar de frente todas as pessoas que sofreram terríveis
violências do regime autoritário.
O filme é muito curioso
principalmente pelo último aspecto descrito acima. Como ficaria a consciência
de um presidente que conhece uma série de casos particulares de pessoas que
sofreram nas mãos de seu regime? Mães de filhos assassinados, pessoas
torturadas ou presas vários anos que têm suas famílias ou relacionamentos
destruídos pelo afastamento. O presidente sentia um arrependimento por todos os
males que causou, embora essa situação soou um tanto quanto falsa. Um ditador
sanguinário não estaria nem aí para o povo. E talvez o presidente tenha ficado
humanizado demais por aqui. Mas como o personagem mais valoroso é o mais
complexo, fazer um presidente totalmente ruim poderia também parecer um tanto plano
e simplório. São escolhas que o diretor pode fazer. E Makhmalbaf fez as suas,
estando em consonância com o seu trabalho, se lembrarmos em retrospectiva seus
outros filmes, que buscam humanizar situações de extremo autoritarismo e
violência.
Mas o diretor mostrou
de forma bem explícita um outro problema que acontece em situações extremas
como essa. Até que ponto os oprimidos se tornam opressores através da sede de
vingança? Essa, a meu ver, foi a reflexão mais profunda do filme. Pois não só
os militares que torturavam sob as ordens do presidente deposto por eles mesmos,
como os cidadãos vitimados pelo regime foram barbarizados a um tal ponto que
todos eles, durante o golpe de estado, começaram a massacrar inocentes. É como
se a violência do Estado Autoritário contaminasse toda a sociedade oprimida,
que passou a reproduzir e perpetuar toda essa violência, colocando de lado a
democracia em prol da sede de vingança e substituindo uma ditadura por outra.
Nesse ponto, Makhmalbaf foi brilhante e nos lembrou de líderes revolucionários
que atuaram como verdadeiros estadistas, recordando que, ao subirem ao poder,
todos os grupos sociais deveriam colocar os ressentimentos de lado e começarem
a viver em paz, pois eles estavam obrigados a viver juntos e alimentar antigos
ódios tornaria isso inviável. O leitor mais atento já deve saber de que lideres
estou falando, nessa ordem cronológica: Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr.
e Nelson Mandela. Ante a essa situação de impasse entre abraçar o ódio e
abandonar o ressentimento, Makhmalbaf optou por um desfecho um tanto quanto
lúdico, como ele já fez em outras de suas películas, dando ao filme uma das
marcas registradas do cinema iraniano, que é o seu alto conteúdo poético.
Dessa forma, “O
Presidente” é mais uma grande película de Mohsen Makhmalbaf, pois aborda a
difícil questão do autoritarismo de Estado e de como ele acaba contaminando a
sociedade com toda a sua violência. E isso desvinculando a história de qualquer
componente religiosa. Definitivamente, não é um filme sobre um autoritarismo
específico de aiatolás. É um filme que analisa qualquer tipo de autoritarismo e
de seus efeitos nocivos sobre a sociedade, mesmo depois que ele acaba. Um
programa imperdível! E não deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Um ditador e seu netinho brincando com a vida das pessoas
Uma vida cheia de fantasia...
... mas um golpe em curso acaba com tudo...

Nem as ovelhinhas respeitam mais a limusine presidencial...
Agora, o netinho conhecerá o outro lado da moeda...
... o de fugitivos!!!
Brincando de espantalho para fugir do massacre...
Em Berlim...

Mohsen Makhmalbaf e o pequenino Dachi Orvelashvili. Esse diretor é flórida!!!
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Resenha de Filme - Conspiração e Poder
Conspiração
e Poder. Tem Que Checar As Fontes!!!
Ultimamente, tem se
falado muito na internet, principalmente no Facebook, que não devemos postar
informações sem checá-las primeiro. Numa época em que muitos ódios têm estado à
flor da pele, principalmente em virtude de todo esse tiroteio político que a
gente tem testemunhado, com muitas mentiras circulando pela grande rede, é
fundamental ter tal postura de checar a veracidade das informações que
postamos. Indo na mesma direção desse raciocínio está o bom filme “Conspiração
e Poder”, que estreou nas nossas telonas. Essa película é, talvez, o exemplo
mais gritante de por que não podemos deixar de checar nossas informações e
fontes.
Vemos aqui a história
da jornalista Mary Mapes (interpretada por Cate Blanchett), que trabalha na
produção do telejornal “60 Minutes”, da CBS, uma verdadeira referência na mídia
americana. Estamos no ano de 2004, em plena campanha presidencial, onde George
W. Bush tenta a reeleição disputando os votos contra o democrata John Kerry. Há
toda uma campanha contra Kerry na mídia, onde seu passado como combatente no
Vietnã é explorado. Um belo dia, chegou à CBS uma série de informações de que
Bush teria arrumado um jeito de ser aviador da Guarda Nacional “de mentirinha”
para escapar do Vietnã. A documentação foi levantada, as informações foram checadas,
a veracidade dos documentos foi observada e a notícia foi veiculada. Mas aí,
vários blogueiros contestaram a veracidade dos documentos que seriam da década
de 70, mas pareciam ter sido impressos no computador. Logo, descobriu-se que a
checagem da documentação não havia sido perfeita. E, para piorar a situação, as
fontes que antes confirmavam a veracidade dos documentos, passaram a
desmenti-los após a repercussão do caso, deixando a equipe de jornalistas (e
principalmente Mary) numa tremenda sinuca de bico. Caberá agora a esses
jornalistas apagar esse incêndio midiático.
Essa é uma película ao
bom estilo “Spotlight”, que ganhou o Oscar de melhor filme esse ano. Ou seja, é
um filme que fala sobre a imprensa, a mídia e o jornalismo investigativo. Mas, se
em “Spotlight” os jornalistas encontraram várias provas do caso que cobriam e
puderam publicar a história sem medo de sua veracidade ser contestada, em
“Conspiração e Poder” houve um tremendo vacilo por parte dos jornalistas ao
checarem as informações e documentos e o desenvolvimento do filme foi muito
mais tenso. É uma daquelas películas onde toda a atenção deve ser voltada aos
diálogos, sobre pena de se perder uma informação relevante para o filme, embora
haja um contexto geral que pode ser compreendido sem uma atenção de 100% às
falas, da mesma forma como ocorreu em “Spotlight”.
Dentre os atores que
trabalharam no filme, devemos dar um destaque todo especial a Robert Redford,
que interpretou o âncora do jornal, Dan Rather. Nada como um ator com muito
carisma para fazer o papel de um jornalista que foi muito carismático e
apresentou o telejornal por muitos anos. A presença de Redford num filme mais
centrado na personagem de Blanchett foi um deleite para os olhos. Não devemos
nos esquecer também de Dennis Quaid, que era figurinha fácil em vários filmes
da década de 80, e cuja volta às telonas é sempre uma grata surpresa. Nos
poucos momentos em que apareceu no filme, ele teve falas divertidas e
simpáticas, bem ao estilo dos papéis que ele interpretava em filmes do passado,
ou seja, do carinha engraçado e simpático, ao bom estilo do que ele fez em “Os
Eleitos”. Tivemos, ainda, a presença de Bruce Greenwood como Andrew Heyward, o
diretor da CBS, um outro bom ator que faz papéis mais secundários, sempre com
boa presença (o professor de dança que ele fez em “O Último Dançarino de Mao
foi estupendo!), e não podemos deixar de falar, obviamente, de Cate Blanchett,
cuja personagem complexa Mary deu a ela muitas oportunidades de demonstrar todo
o seu talento. Talvez ela tivesse mais chances de conquistar um Oscar por esse
papel do que pelo papel que ela interpretou em “Carol”.
Assim, “Conspiração e
Poder” é uma excelente película que merece a atenção dos cinéfilos de plantão,
pois trata de um assunto que sempre gera bons filmes no cinema – a imprensa –,
além de contar com um bom elenco, que mais uma vez destrincha uma história
baseada em fatos reais. Um bom programa. E não deixe de ver o trailer após as
fotos.
Cartaz do Filme
Mary e Dan. Uma dupla aparentemente imbatível
Uma fonte mal checada
Muitas dores de cabeça
Até a carreira do âncora consagrado entra em risco...
Buscando salvar a credibilidade de sua informação...
Enfrentando uma violenta acareação
domingo, 27 de março de 2016
Resenha de Filme: Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça
Batman Vs. Superman. Os Super-Heróis Surtaram!
E chegou o tão esperado
“Batman Vs. Superman, A Origem Da Justiça” em nossas telonas. Essa é a cartada
mais audaciosa da DC para fazer seus filmes de super-heróis decolarem e tentar
ganhar algum do muito terreno perdido para a Marvel. Sejamos francos, uma das
poucas coisas que a DC produziu de bom foi a trilogia do Batman estrelada por
Christian Bale. Era necessário e urgente que a DC fizesse algo de impacto.
E a DC conseguiu
alcançar seu objetivo? Na minha modesta opinião, creio que sim. Mesmo com o
filme não sendo essa maravilha toda, ainda assim foi uma boa película que
prendeu a nossa atenção do início ao fim e trouxe uma história bem escrita,
salvo por uma ressalva ou outra. Para a gente analisar o filme, alguns
“spoilers” são necessários. Então, se você não viu ainda esse filme, retorne a
esse texto depois de fazê-lo.
A história começa no
meio dos eventos da sequência final do último “Superman”, quando o homem de aço
(interpretado por Henry Cavill) enfrentava o General Zod sob os céus de
Metrópolis, obviamente destruindo a cidade. Bruce Wayne (interpretado por Ben
Affleck) está no meio daquele bombardeio todo, revoltado com o alienígena que,
apesar da fama de bom moço, destrói tudo à sua volta. Wayne acredita que seu
poder ilimitado fará com que o Super Homem sempre faça o que bem entender, sem
se preocupar com a opinião dos humanos. Logo, para o Homem Morcego, Super Homem
é uma grande ameaça que deve ser detida. Já Clark Kent não aceita a forma como
o Homem Morcego se comporta, agindo como um verdadeiro justiceiro por aí,
também sem freios para seus atos. Há, ainda, um jovem e tresloucado Lex Luthor
(interpretado magistralmente por Jesse Eisenberg) que aproveita a onda de
insatisfação contra o Super Homem (ele fez uma incursão desastrada na África
contra um grupo terrorista que provocou a morte de muitos inocentes) e convence
figurões do governo a ter acesso a kriptonita, à nave que trouxe o Super Homem
para a Terra e até ao corpo do General Zod. Assim, está montado o cenário de
dois super heróis em conflito, e um gênio do mal com carta branca. Ainda bem
que apareceu uma meta humana muito vistosa...
Que podemos falar da
história? Os super heróis piraram na batatinha??? Antigamente, nos bons tempos
do Superman de Christopher Reeve, todos gostavam dele e, mesmo quando ele
tomava atitudes por conta própria, a galera estava junto com ele, pois era algo do tipo, “vou acabar com todas as armas
nucleares do planeta, porque um garotinho tem medo da Guerra Fria”. E agora, o
que vemos? Um Super Homem vaiado, pois toma atitudes de interesse próprio
(salvar a Lois Lane dos vilões) que causam grandes desastres e mortes (um
verdadeiro herói salvaria a mocinha e não machucaria ninguém, por isso que é
chamado de super herói). E um homem morcego que tortura fisicamente? Mesmo que
ele tenha fama de justiceiro, acho que se está pegando muito pesado. O grande
paradigma de herói torturador dos últimos tempos, foi Jack Bauer, visto como
ícone da era Bush e de tempos de terrorismo. Sei não, mas isso é muita inversão
de valores demais para a minha cabeça. Agora, pior do que isso, foi o motivo
que levou o Batman e o Super Homem fazerem as pazes. Foi piegas demais!
Poderiam realmente ter achado algo melhor. Um esporro federal da Mulher
Maravilha, por exemplo, abrindo os olhos dos dois “machões” para a verdadeira
ameaça que era Lex Luthor, que manipulava a tudo e a todos. Aliás, que grata
surpresa foi a Mulher Maravilha. A atriz israelense Gal Gadot, figurinha fácil
da franquia “Velozes e Furiosos”, deu um charme todo especial à personagem,
extremamente sensual e vistosa, colocando a Lois Lane (interpretada por Amy
Adams) no chinelo legal.
Dois atores aqui
merecem destaque. Em primeiro lugar, Ben Affleck. Quando seu nome foi divulgado
como o novo Batman, houve uma espécie de desespero geral. Muita gente achava
que Affleck não daria conta do recado, principalmente depois do que Christian
Bale tinha conseguido fazer. Mas Affleck não decepcionou, pelo menos no meu
ponto de vista. Seu ranço contra o Super Homem era muito sincero e creio que
ele fez um bom personagem, sempre com a barba por fazer, dando o necessário ar
pesado e soturno para o Homem Morcego, mais até do que Bale. Um verdadeiro
produto da caótica e violenta Gotham City como ele recorrentemente afirmava. Agora,
o grande nome do filme foi Jeremy Irons, interpretando o mordomo de Bruce
Wayne, Alfred, fazendo com maestria o misto de criado prestativo e pai postiço
de seu patrão, dando conselhos e criticando na hora certa. Foi Alfred que
primeiro chamou a atenção para esse comportamento distópico dos super heróis,
onde o ódio e a raiva transformam boas pessoas em maus indivíduos. Uma lição muito
importante para ser ouvida na nossa realidade nacional atual.
Se o filme teve
defeitos, as virtudes também se manifestaram. A ideia de se pensar numa Liga da
Justiça em formação já foi uma coisa legal. O desfecho do filme também foi
virtuoso, deixando uma questão em aberto no meio de um contexto traumático. Ou
seja, não houve um “happy end”, algo que sempre deve ser mencionado, se falamos
de cinema americano.
Dessa forma, “Batman
Vs. Superman, A Origem da Justiça” é uma boa película no geral, com boas virtudes,
alguns defeitos e bons atores em grandes atuações, que é o que mais importa
além dos pirotécnicos CGIs. Um filme cercado de expectativas que prende a
atenção do início ao fim e que foi bem sucedido em levantar o moral da DC
perante a Marvel. Não deixem de assistir. E não deixe, também, de ver o trailer
após as fotos.
Cartaz do Filme.
O Homem Morcego tá pê da vida...
O Homem de Aço tá bravo!!!
Saindo na mão
Que mulher é essa, meu Deus????
Ben Affleck foi bem e não comprometeu.
Henry Cavill também teve boa atuação
Jesse Eisenberg teve ótima atuação.
Jeremy Irons, um monstro!!!
Agora, a Gal Gadot... também tô babando, Ben!!!
sábado, 26 de março de 2016
Resenha de Filme - Zootopia
Zootopia.
Diversidade Animal!
A Disney lança a sua
mais recente animação. “Zootopia” é um daqueles filmes que não é somente uma
historinha engraçadinha para arrancar risinhos dos pimpolhos, mas também é uma
película com um grande conteúdo reflexivo, digna daquelas que nos fazem olhar para
o interior de nós mesmos e buscarmos nossos comportamentos e pensamentos mais
nefastos com o objetivo de reavaliá-los ou de até mesmo extirpá-los de nossas
vidas. E, principalmente, é um filme que traz uma boa mensagem às crianças, o
público-alvo, em tempos de muito ódio e intolerância.
Vemos aqui a história
da coelhinha Judy Hopps, que queria desde criancinha ser policial. Ela,
enquanto criança, encenou uma peça na escola, lembrando que no passado predadores
e presas viviam em constante selvageria com os segundos servindo de jantar para
os primeiros. Mas com o tempo, as espécies animais “evoluíram” e desenvolveram
consciência, coexistindo pacificamente. Ainda assim, podíamos sentir um
preconceito dos predadores para com as presas, vistas como excessivamente
frágeis e ocupando cargos e posições inferiores aos cargos ocupados pelos
predadores. Nesse contexto, nossa amiga coelhinha vai ter que superar vários
obstáculos até chegar à sua carreira de policial. Ela consegue e, mesmo sendo
escalada para apenas aplicar multas de trânsito, a coelhinha vai se envolver
com um intrigante caso de sumiço de predadores voltando a se comportar de forma
selvagem. Para isso, Judy vai contar com a ajuda da raposa Nick Wilde, um
predador visto como uma figura altamente falsa e traiçoeira, como a maioria das
raposas é.
Confesso a vocês que o
que mais me convenceu a assistir ao filme foi a sequência onde a coelhinha e a
raposa precisam localizar o paradeiro de um carro pela placa numa repartição
pública e os funcionários são todos bichos-preguiça (apesar dos estereótipos, parece
que não é apenas aqui que os funcionários públicos podem ser fontes de
problemas). Eu nem sabia muito bem do que se tratava a história. Mas quando
percebi que havia aí uma questão de aprender a lidar com as diferenças e de ser
tolerante com o outro, senti toda a força implícita na película. Mais do que
atentar para a questão da diversidade, o que ficou notório foi a questão do
preconceito, que pode ser uma via de mão dupla, ou seja, os opressores de hoje
podem ser os oprimidos de amanhã. E aí o filme ganha muito, pois ele deixa de
forma bem clara que não há mocinhos e bandidos na questão da intolerância, mas
sim grupos de pessoas que devem assumir uma postura responsável perante o
outro. Mas infelizmente, sempre somos limitados a olhar nossos próprios umbigos
e não pensar no próximo e, principalmente no direito que ele tem de ser o que
quiser do jeito que quiser. O fato de abordar esse problema essencialmente
humano com bichinhos fofinhos em computação gráfica somente nos remete àquelas
melhores fábulas de Esopo, contadas de uma forma bem moderna. Já o centro da
cidade de Zootopia parecia mais uma enorme Arca de Noé, com bichinhos de todos
os tipos e tamanhos, inclusive com uma série de piadas como a das pequenas
cidadezinhas de ratos com o prefixo de “Little” (como os bairros de imigrantes
ao estilo “Little Italy” de Nova York), ou a referência ao Banco Lehmann
Brothers, onde a crise imobiliária de 2008 estourou, com vários ratinhos saindo
do banco citado em questão.
Dessa forma, “Zootopia”
se mostra mais do que uma mera diversão infantil e aborda com maestria a
questão da diversidade e da tolerância numa história ambientada com bichinhos,
constituindo-se num exemplo moderno de fábula clássica que nos dá uma
importante lição em tempos tão difíceis de intolerância. É um filem de dupla
função: diverte as crianças e faz os adultos refletirem. Um programa
imperdível. E não deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Judy Hopps, uma coelhinha que quer ser policial
Vista com desdém pelos predadores...
Inicialmente, uma mera guarda de trânsito
Com a ajuda do vigarista Nick Wilde, ela buscará desvendar um mistério...
Bichos preguiça como funcionários públicos???
A vice-prefeita, uma ovelhinha, vai ajudar nossa destemida policial...
O prefeito tinha que ser o rei dos animais...
Uma cidade cheia de bichinhos
domingo, 20 de março de 2016
Resenha de Filme - Tudo Vai Ficar Bem
Tudo
Vai Ficar Bem. E O Tempo Passa, Passa...
O lendário diretor
alemão Wim Wenders está de volta. E, dessa vez, lançando mão de atores do
cinema americano para contar uma história com o tempero e a cadência dos filmes
europeus, dando a essa película um charme todo especial. O filme em questão é
“Tudo Vai Ficar Bem”, e tem como ator principal o bom James Franco,
imortalizado como o Harry Osborn do “Homem Aranha” interpretado por Tobey Maguire.
No que consiste a trama
do filme? Vemos aqui o escritor Tomas Eldan (interpretado por Franco), um cara
que passa por um imenso bloqueio criativo, se exilando para buscar inspiração.
Só que, ao fazer isso, ele também se distancia de sua namorada, Sara
(interpretada por Rachel McAdams), o que provoca uma pequena crise no casal.
Mas tudo ficaria muito pior quando ele, sem querer, atropela um garotinho e o
mata, alterando drasticamente a vida da mãe do menino, Kate (interpretada pela eficiente
Charlotte Gainsbourg). A morte da criança faz Tomas entrar em parafuso e tentar
o suicídio. Mas também lhe dá uma inspiração que o tornará daí em diante um
escritor de sucesso. O que vemos no filme em seguida é a trajetória de Tomas em
sua vida pessoal e profissional, colecionando muitos fracassos na primeira e
mais sucessos na segunda.
Esse é um interessante
filme de Wenders, pois, apesar da cadência muito lenta, ele consegue prender a
atenção do espectador com uma história aparentemente banal. O personagem de
Tomas é uma pessoa complicada de se viver, e o acidente só piorou as coisas.
Nós acompanhávamos com muita curiosidade cada lance da vida do escritor, o
protagonista principal, um personagem humano com virtudes e defeitos que feria
e era ferido. Um detalhe curioso é que o filme tinha saltos no tempo de dois e
quatro anos, onde podíamos presenciar velhas crises sendo superadas bem ao
estilo “o tempo cura tudo” (alguns dizem que se essa frase fosse verdadeira, as
farmácias venderiam relógios). Esses largos saltos temporais também serviam
para mostrar como a vida de uma pessoa pode sofrer radicais alterações com o
tempo e tomar um rumo que em nada estava previamente planejado. Esse é também
um daqueles filmes que acende a luzinha de emergência em nossas cabeças dizendo
que a vida é curta demais e devemos aproveitá-la ao máximo, não a desperdiçando
com atitudes e decisões erradas. Mas, ao mesmo tempo também nos mostra que
somente aprendemos a aproveitar a vida com nossos erros. E, no caso de Tomas,
todos os conflitos pessoais de sua vida serviam de combustível para seu êxito
profissional como escritor, como se precisássemos de uma espécie de “sacode”
para liberarmos nossa força criativa. Existia um raciocínio semelhante nas
reflexões sobre a criatividade na cultura brasileira dizendo que elas são mais
fulgurantes nos piores momentos de crise, como a censura de uma ditadura, por
exemplo. O filme envereda por um caminho semelhante, pois pareceu que Tomas só
conseguiu ser mais criativo depois de passar pelo trauma do atropelamento. Assim,
Tomas conseguia sucesso profissional, mas não conseguia levar sua vida pessoal
em águas calmas.
Ufa! Toda essa reflexão
num filme praticamente paradão em termos de ação. Isso soou muito europeu. Mas
o legal foi ver os atores mais presentes no cinemão americano atuando numa
película reflexiva. Fiquei muito feliz pelo presente que James Franco recebeu
de Wenders ao interpretar o personagem Tomas, principalmente depois daquele
fiasco horroroso que ele teve que engolir no filme “Entrevista”, que foi
altamente sofrível. Esse ator merece bons papéis sempre.
Assim, “Tudo Vai Ficar
Bem” é um filme que, apesar do ritmo lentíssimo, merece a conferida dos
cinéfilos de plantão porque, em primeiro lugar, é um Wenders; em segundo lugar,
porque é mais uma película reflexiva; e, em terceiro lugar, porque podemos ver
atores do naipe de um James Franco, Charlotte Gainsbourg e Rachel McAdams
atuando juntos num filme de enredo muito “europeu”. Tenha paciência com a
cadência e não deixe de prestigiar. E não deixe de ver o trailer após as fotos.
Cartaz do Filme
Tomas, um escritor em busca de inspiração
Dificuldades de relacionamento com a namorada
Uma mãe que perde um filho
Enfrentando dores de frente
Novos tempos, novas vidas
Franco com Wenders nas filmagens
No Festival de Berlim
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